FEMINICÍDIO
Familiares e amigos homenageiam Daiane e pedem fim da violência doméstica
Caminhada lembrou crime brutal
Juvan Neto [editores@diarinho.com.br]
Uma caminhada de dor, mas também por Justiça. Na manhã de domingo, familiares, amigos, lideranças e ativistas percorreram trajeto entre a praia Alegre, em Penha, e o centro de Balneário Piçarras, em memória de Daiane Simão da Costa, 33 anos, assassinada a tiros em frente à base da Polícia Militar de Piçarras no último dia 17.
O crime chocou Santa Catarina – o criminoso, Almir de Sena Soares, 42 anos, era esposo da vítima e tinha sido liberado da prisão em Itajaí três dias antes do crime. Ele a cercou, baleou e matou, tirando a própria vida em seguida.
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Os manifestantes de Piçarras, Penha, Barra Velha e Itajaí exibiram cartazes pedindo maior proteção às mulheres. Uma exposição de calçados de vítimas de violência em Santa Catarina foi exposta primeiramente na praça Lauro Zimmermann, em Penha, e em seguida, na frente da unidade policial de Balneário Piçarras, na rua Albano Schultz, centro.
A mãe de Daiane e demais familiares participaram do ato, emocionados. Eles agradeceram a solidariedade e o carinho de amigos e lideranças presentes ao ato convocado pelo Coletivo Mulheres do Brasil em Ação (CMBA), entidade regional de proteção às mulheres.
Regina dos Santos, organizadora e ativista do CMBA, cobrou mais estrutura para proteger as mulheres em Balneário Piçarras – o CMBA foi retirado da atuação na cidade há um ano, e o município, segundo ela, precisa rever políticas públicas de proteção. Nenhum político com mandato em Balneário Piçarras participou do ato, enquanto oito vereadores de Penha, entre eles a única mulher do legislativo, Manu Rodrigues (PP), marcaram presença.
Houve ainda participação de entidades de direitos humanos como o Instituto Araxá, de Itapema, e o Movimento Mulheres que Inspiram, o Movi, de Barra Velha e Balneário Piçarras. A professora Betinha Tamanini, do Movi, classificou como “urgente” a estruturação de órgãos de proteção das mulheres tanto em Barra Velha como em Balneário Piçarras, a começar pela formação dos conselhos municipais de direitos da mulher em ambas as cidades.
A exposição dos calçados das mulheres vítimas de violência foi trazida de Florianópolis, pela primeira mulher indígena vereadora eleita em Santa Catarina, a parlamentar Ingrid Sateré Mawé (PSOL).
Ingrid criticou o governo do estado. Segundo ela, Santa Catarina não buscou parceria com o governo federal para instalação da Casa da Mulher Brasileira e não assinou o protocolo nacional de enfrentamento ao feminicídio –, cobrando “ações urgentes”, no dizer das vereadoras. Outro destaque foi a presença da deputada estadual Ana Paula da Silva, a Paulinha (Podemos).
A comunidade teve palavra aberta durante o ato em frente à unidade policial, onde velas foram acesas e flores colocadas sob a foto de Daiane. Orações, salva de palmas, lágrimas e balões brancos aos céus marcaram o final da manifestação.
Juvan Neto
Juvan Neto; formado em Jornalismo pela Univali e graduando em Direito. Escreve sobre as cidades de Barra Velha, Penha e Balneário Piçarras.
