Daiane trabalhava para uma empresa terceirizada da prefeitura e fazia parte da equipe de limpeza da unidade de pronto atendimento. Ela tinha uma medida protetiva contra o agressor, que estava proibido de se aproximar e manter contato. Segundo a Polícia Civil, a mulher teria ido em direção ao batalhão da PM ao perceber que estava sendo perseguida pelo ex-companheiro. Ele tinha deixado a prisão em saída temporária.
Continua depois da publicidade
Na manhã de sábado, Daiane saiu de casa de carro, antes das 6h, para ir trabalhar. Logo em seguida, ela notou o homem vindo atrás dela, de moto. A mulher ainda ligou para o irmão durante o caminho, sendo orientada a seguir direto pra base policial. Já no local, ela foi atingida no rosto pelos disparos ao estacionar o veículo e morreu na hora. O ex atirou contra a própria cabeça e teve a morte confirmada no PA.
Toda a cena foi registrada pelas câmeras de monitoramento da PM. As imagens não foram divulgadas. A arma usada no crime foi uma pistola calibre 9 mm, da Taurus, com carregador e munições. A arma, além de um celular, foram apreendidos e entregues pra perícia à Polícia Civil.
A Prefeitura de Balneário Piçarras divulgou nota de pesar pela morte da funcionária terceirizada. “Daiane foi vítima de feminicídio cometido por seu ex-companheiro, que já possuía histórico de violência, registros de ameaça e medida protetiva vigente. Sua morte causa imensa dor, tristeza e indignação”, ressaltou.
Familiares e amigos também se manifestaram pelas redes sociais. “Minha irmã só queria paz, viver com os quatro filhos e seguir a vida”, postou Dafne, irmã de Daiane. As secretarias de Saúde e de Assistência Social de Piçarras informaram que estão dando suporte à família, especialmente aos quatro filhos da vítima.
“A Assistência Social, por meio da Lei de Benefícios Eventuais, garantirá o auxílio funeral no valor de um salário mínimo, além do acompanhamento psicológico, com o encaminhamento de profissional para apoio à família”, avisou a prefeitura. Amigos também criaram uma vaquinha on line pra ajudar a família de Daiane.
Grupo pede revisão de regras pra saída temporária
Entre várias manifestações, o caso provocou repúdio do Coletivo Mulheres do Brasil em Ação (CMBA). A revolta da entidade foi causada pelo fato de Daiane ter sido assassinada em frente ao batalhão e mesmo sob medida protetiva de urgência.
“O autor do crime, que estava preso e foi solto pelo sistema, executou a mulher e, em seguida, tirou a própria vida. Esse não é um caso isolado. É o retrato cruel da falência da proteção às mulheres”, destacou o grupo.
Continua depois da publicidade
O manifesto cobra ações do estado pra que as medidas protetivas sejam efetivas. “Exigimos justiça, responsabilização, revisão urgente dos protocolos de liberdade de agressores, efetividade real das medidas protetivas e uma rede que funcione antes que outra mulher seja morta”, defende o coletivo.
Em 2025, Santa Catarina registrou 47 feminicídios entre janeiro e novembro. A deputada Luciane Carminatti (PT) alerta que o cenário segue grave em 2026, com quatro mortes apenas nos primeiros 10 dias de janeiro de 2026, número maior do que todo o mês de janeiro de 2025.
“Os números falam por si. A violência contra as mulheres continua avançando e não pode ser tratada como exceção. É feminicídio, é recorrente, é grave. Exige justiça e enfrentamento real”, disse, ao comentar o caso de Isabela Miranda Borck, de 17 anos, de Itajaí, morta pelo próprio pai, cujo corpo foi encontrado na sexta-feira, após 45 dias.
Continua depois da publicidade