Diz aí, pastor!

“Os preceitos e princípios bíblicos são muito mais inclinados para a direita”

(foto: Fran Marcon)
(foto: Fran Marcon)

O pastor Michael Aboud, fundador da igreja Embaixada, foi entrevistado pela jornalista Fran Marcon pelo colunista JC. Parte da entrevista você lê aqui, mas o bate-papo completo você pode conferir na TV DIARINHO, no Youtube.

 

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Quando o senhor resolveu fundar a Igreja Embaixada?

Michael: Eu mudei para Santa Catarina no final de março de 1996. Eu tinha um frigorífico em Goiás, outro em São Paulo, na área da pesca. Eu comprei uma indústria em Penha. Eu vim para cá para poder ficar 70 dias assumindo a indústria, quando eu estava aqui umas duas ou três semanas, a movimentação, o volume era muito grande, era mais fácil eu estar aqui do que eu ficar morando em São Paulo e deixar essa operação. Eu decidi mudar, eu já estava com o meu casamento marcado para agosto, avisei a minha noiva na época. Chegou agosto, casamos e mudamos para cá. Isso foi em 96, nós somos evangélicos, Balneário Camboriú tinha duas igrejas. Primeiro domingo que eu estava aqui, eu fui à igreja. Tinha dois homens na porta, eu disse: “paz do Senhor”. A pessoa da porta disse: “boa noite”. Eu disse: “eu mudei para cá agora, sou da Igreja Batista, vim no culto”. Ele falou: “acho que tem uma Igreja Batista num bairro lá em Camboriú”. Nem me convidou para entrar. Fui embora, nós procuramos uma igreja em Itajaí, que era a Igreja Quadrangular do Pastor Onézimo, começamos a frequentar a igreja. Quando deu mais ou menos dois anos, meu pai, minha mãe, meu cunhado e minha irmã vieram pra cá. Meu pai e minha mãe vieram e disseram: “conhecemos um pastor da Igreja Batista lá em Camboriú, cabe 30 pessoas, era de madeira, vamos convidar ele para abrir uma em Balneário...” Na casa dos meus pais, em 98, começou a primeira reunião, 14 pessoas. Procuramos um lugar maior, achamos lá na rua 600, cabia umas 60 pessoas. Dois meses, era gente em pé na rua. Falei: “pastor, a gente precisa ir para um lugar maior”. Foi ali para a avenida do Estado Dalmo Vieira, alugamos, reformamos, inaugurou. Isso era 15 de fevereiro, tinha assumido como prefeito em janeiro, convidei o Leonel Pavan, não o conhecia, ele veio com secretários, todo mundo, começou a igreja naquele domingo. [...] O que eu vou contar aqui, eu respeito muito religião, respeito as pessoas, isso aconteceu comigo duas vezes na vida. Eu estava dormindo, era por volta de duas horas da manhã, eu escutei no meu quarto, uma voz que disse: “não te trouxe a essa terra por causa dos teus negócios, mas por causa dos meus negócios...” Eu dei um salto, apertei a luz, minha esposa acordou no susto.... Eu disse: “alguém falou aqui”. Nós entendemos que havia um chamado de Deus. Sete anos eu fiquei tocando a empresa e a igreja. A igreja crescia numa velocidade louca.

 

"Se eu sou pastor, eu não posso ser político"

 

Existem projetos sociais em andamento dentro da Embaixada?

Michael: Nós temos quatro grandes projetos. Nós doamos cestas básicas para qualquer pessoa, independente de religião, se é ou não da igreja. Nós dissemos dentro da igreja, quem está conosco, ao nosso lado, não passa fome. Pode passar por uma situação difícil, mas pelo menos dignidade de ter comida na mesa vai ter. A gente entendeu que não consegue cuidar de tudo. Nós buscamos instituições sólidas, que a gente analisou, e mensalmente enviamos recurso financeiro. Uma instituição de recuperação de pessoas dependentes, física, química, álcool e droga, a gente investe já há muitos anos mensalmente para manter esse lugar. Outra estrutura é pra ajudar imigrantes. [...] [O acolhimento está presente com relação aos moradores de rua?] Os moradores de rua viraram uma polêmica no Brasil. Essa semana eu estava com um grupo de amigos, todos de fora, mas têm apartamento aqui: “poxa, o que está acontecendo? BC é uma cidade tão segura, a gente sai para caminhar seis horas da manhã na praia, tanto morador de rua... Poxa, a gente fica inseguro..” O que precisa, e vamos ser honestos, o Brasil tem, todos os municípios têm dinheiro para acolher essas pessoas. [Falta vontade política?] Ah, falta um pouco, porque tem coisas na política que não dão voto. [E o que a Embaixada faz em relação aos moradores de rua?] A gente ajuda, como eu disse, no alimento; a gente ajuda nessa instituição de recuperação, a gente acolhe as pessoas de fora e a gente tem um ônibus biarticulado e uma carreta, que tem palco, cadeiras, som e iluminação, que fica nas cidades mais pobres do nordeste. A gente não tem igreja lá, a gente não tem interesse de abrir igreja lá, mas tem gente necessitada.

 

“Os preceitos e princípios bíblicos são muito mais inclinados para a direita”

 

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As pessoas que congregam em BC têm grande poder aquisitivo e muita influência política. Como isso aconteceu?

Michael: A Embaixada tem a população lá dentro. A igreja tem por característica atrair as pessoas que estão com problemas, sofrendo por falta de dinheiro, sofrendo porque o casamento acabou, sofrendo porque está doente. Como nós estamos no centro de uma cidade com o metro quadrado mais valorizado do país, é normal que as pessoas venham. Não é que a gente atrai pessoas de alto poder executivo. É que a gente está num lugar de alto poder aquisitivo. Agora, eu vou ser bem honesto, se você pegar a porcentagem da igreja, você vai ver a porcentagem de classe A, B, C, D e E da cidade. Dentro da igreja a gente tem a mesma proporção de A, B, C, D e E. [São essas pessoas de poder aquisitivo alto que ajudam a manter esses projetos sociais. Ou não?] Eu vou ser bem honesto. As pessoas da classe média, da classe baixa, aquela pessoa que está no dia a dia e luta para comprar um apartamento, para ter a primeira casa, para adquirir um carro e que está ali batalhando, essas pessoas parecem que vivem mais o dia a dia da realidade da vida, e, proporcionalmente, eles doam mais do que a classe mais alta.

 

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A igreja tem alguma posição ou orientação sobre política regional ou nacional?

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Michael: Eu tinha um amigo que faleceu, muito sábio. Ele era de Bahamas, doutor Myles Munroe, viajava o mundo inteiro. Ele dizia uma frase: “nós, quando somos perguntados, não devemos dar a nossa opinião. Nós devemos dizer: a Bíblia diz”. Se somos líderes, cristãos, não é a nossa opinião que vale, é o que a Bíblia diz. Os preceitos e princípios bíblicos são muito mais inclinados para a direita. O fato de ser um cristão, não significa que eu tenho que ser de direita. Está cheio de gente na igreja que vota no PT, que é centro-esquerda e está tudo bem. [O senhor tem alguma ligação ou já participou de projetos com figuras religiosas influentes como o pastor Silas Malafaia? Como vê a atuação dele na política?] Eu o conheço há bastante tempo. Nós somos amigos. O posicionamento político dele, eu entendo que é algo muito pessoal. Ele bate muito, eu estava vindo pra cá assistindo um vídeo dele, ele batendo na senadora Damares, que é evangélica, que fez um posicionamento.. [Qual a repercussão no meio evangélico da denúncia de pastores envolvidos na CPI do INSS, aliás, a Damares acabou de revelar nomes de igrejas e pastores...] Qualquer situação como esta, independentemente de ser igreja evangélica, católica, qualquer outra religião, seja o espiritismo, o candomblé, o budismo, não importa, tem que ser investigado.

 

" O Brasil precisa encerrar essa polarização"

 

Algumas igrejas evangélicas têm sido criticadas por se aproximarem de práticas empresariais. A Embaixada adota algum modelo de gestão? Como equilibrar fé e finanças?

Michael: A igreja Embaixada, ela sempre teve, desde o início, uma diretoria administrativa que não é eclesiástica. São dois ramos: administrativo aqui, eclesiástico aqui. O conselho sabe quanto entrou, em que gastou, tem que diminuir os gastos, dá pra fazer esse investimento, ele decide. O conselho sabe o que entrou, mas ele não sabe quem doou. Isso é uma forma de proteger os pastores. Ser humano é ser humano, gente. Eu sou uma pessoa, você é outra. Eu sei o que eu tô fazendo. Eu sei o que aconteceu naquela madrugada, que eu ouvi aquela voz. Eu não sou um pastor porque eu quis estudar pra ser pastor. Eu fui chamado. E esse chamado eu não vou brincar com ele.

 

"Eu não sou um pastor porque eu quis estudar pra ser pastor. Eu fui chamado. E esse chamado eu não vou brincar com ele."

 

Em tempos de politização da fé, como o senhor enxerga o envolvimento de líderes religiosos em campanhas e partidos políticos?

Michael: Eu tenho a minha opinião, eu respeito a dos outros. Eu vou dizer bem sincero, ser pastor, ser sacerdote, ser padre, é uma vocação, um chamado. Ser político é uma vocação e um chamado. E você não tem dois chamados na sua vida. Eu sei que tem gente que vai me criticar, eu não estou preocupado, é a minha opinião. Se eu sou pastor, eu não posso ser político. Existem membros da igreja que saem como políticos. Vêm e pedem: “pastor, me apoia”. Dentro da Igreja Embaixada existe uma coisa chamada desobrigar. Foram pessoas que foram ungidas, evangelistas e pastores. Eles chegam e dizem assim: “eu estou pensando em sair como político”. Sem problema nenhum, a vida é sua. A partir daí você marca uma data publicamente diante da igreja, com ata, você está desobrigado, você não é mais pastor.

 

"E se essa campanha sair, Flávio e Lula, a gente vai reviver outras eleições. Porque a gente está vivendo vingancinha."

 

Qual a sua relação com o ex-prefeito Fabrício Oliveira?

Michael: Fabrício é membro da igreja há 17 anos. A gente sabe o nome, o nome dos filhos... A mesma ligação que eu tenho com todos os outros. [Ainda está valendo aquela fala, o senhor profetizou, não é?] Sim. O Fabrício ia ser senador, ministro. E oro para que ele seja. Eu acho que ele é uma pessoa de um coração muito bom. Eu admiro a Juliana também. Juliana, meu Deus, eu ajudei o Pavan na campanha dele à reeleição. Depois, ajudei muito ele quando ele foi candidato ao senado. [Quem é que o senhor ajudou agora na campanha de 2024?] Nessa campanha de 2024 foi a que eu mais fiquei quietinho. [O senhor tem sido visto em eventos com o governador Jorginho. O senhor é apoiador dele?] Eu tenho um amigo, o senador Magno Malta, ele me ligou e disse assim: “estou em SC. Vou no culto hoje à noite. Posso ir um pouquinho mais cedo pra gente tomar um café?” Chega ele e o Jorginho. Não conhecia o Jorginho. “Jorginho vai sair candidato a governador e eu quero que você apoie ele, ajude ele”. Falei: “olha, vou ser bem honesto, Jorginho, eu não tenho problema com religião. Se você é evangélico, não é. Eu tenho problema com princípios e valores. O princípio e o valor é o que vai definir...” A partir daquele dia, o Jorginho veio três, quatro, cinco vezes conversar comigo. Até que eu o apoiei. [...] Ajudei o Pavan em tudo que ele me pediu, não me recordo de ter pedido nada pra ele durante o governo dele. Ajudei o Rubens em tudo que ele me pediu, não me recordo de ter pedido nada pro Rubens, nunca. Não ajudei o Periquito porque ele não quis, porque eu me coloquei à disposição dele, mas ele nunca quis. Ajudei o Fabrício em tudo que ele quis. E no primeiro mês, eu disse pra Juliana que estou à disposição. 

 

"O Bolsonaro vingou, Lula vingou, tanto é que Bolsonaro foi pra cadeia, Lula foi pra cadeia. A polarização deveria encerrar hoje."

 

Como o senhor vê a polarização política. As pessoas votam na direita ou esquerda, mas depois que o governante ganha, continua aquela rivalidade como se fosse uma partida de futebol. Enquanto pastor, na igreja, tenta fazer esses esclarecimentos e evitar a polarização?

Michael: Eu estava pregando, terminou a votação, no meu celular apareceu: a Juliana ganhou. Eu terminei o culto, eu disse: “queridos, o prefeito de Balneário Camboriú se chama Juliana Pavan, vamos ficar todo mundo em pé, vamos orar por ela, pela família dela...”. [...] [No cenário nacional, a sua posição se mantém?] O Brasil precisa encerrar essa polarização. Essa campanha infelizmente está começando polarizada, pior coisa para o Brasil. O Brasil hoje precisa que Lula saia e Bolsonaro saia, para que políticos venham, disputem a eleição e o Brasil retome o novo rumo. Se vai ganhar direita, esquerda, centro, centro-direita, centro-esquerda, não importa. Mas a polarização Lula e Bolsonaro foi e é muito prejudicial. E se essa campanha sair, Flávio e Lula, a gente vai reviver duas outras eleições. Porque a gente está vivendo vingancinha. O Bolsonaro vingou, Lula vingou, tanto é que Bolsonaro foi pra cadeia, Lula foi pra cadeia. A polarização deveria encerrar hoje.



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