ITAJAÍ
Estudo feito por aluna do CAU encontra microplásticos em praias da cidade
Tema ainda é pouco debatido, alerta estudante
Camila Diel [editores@diarinho.com.br]
Um estudo feito por uma estudante do ensino médio de Itajaí identificou a presença de microplásticos na areia de todas as praias analisadas da cidade. A pesquisa, desenvolvida em 2025 por Ana Cristina Kowalsky, de 17 anos, aluna do Colégio de Aplicação da Univali, chama atenção não só pelos resultados, mas também pelo nível de aprofundamento para um trabalho realizado ainda na escola.
Ao lado da professora de biologia Fernanda Poleza, Ana analisou amostras de areia das praias do Atalaia, Jeremias, Cabeçudas e Praia Brava. Segundo ela, a proposta surgiu da percepção de que o tema ainda recebe pouca atenção fora do meio acadêmico. “Acho extremamente relevante falar desse tema pois não é algo amplamente conhecido e debatido”, afirmou.
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No total, o estudo encontrou 326 partículas de microplásticos nas quatro praias. O dado que mais surpreendeu foi o fato de a maior concentração aparecer justamente na praia de Jeremias, que não está entre as mais frequentadas da cidade. Para a estudante, isso mostra que o problema vai além do movimento de pessoas.
“A presença de microplásticos na areia das praias não está apenas relacionada com a quantidade de visitantes, tem muitos outros fatores envolvidos”, explicou. Ana destaca que a própria dinâmica da praia pode influenciar no acúmulo desses resíduos. No caso da Jeremias, por ser uma praia mais fechada, o material acaba ficando retido com mais facilidade.
A coleta foi feita no inverno, período em que o fluxo de banhistas é menor, o que reforça o alerta. Mesmo com uma análise superficial, os microplásticos apareceram em todos os pontos avaliados. “Encontramos microplásticos em todas as praias, o que é um sinal negativo”, resumiu.
Para Ana, a preocupação não se limita ao meio ambiente. Ela lembra que estudos mais recentes já identificam microplásticos em outros contextos do dia a dia. “Não são um risco apenas para a vida marinha, mas também para nós, seres humanos”, disse, ao citar pesquisas que apontam a presença dessas partículas no ar e até no leite materno.
Durante o desenvolvimento do trabalho, a estudante também sentiu falta de informações básicas sobre as praias de Itajaí, como dados oficiais de monitoramento ambiental. Para ela, isso evidencia uma lacuna importante. “Precisamos de mais incentivo ao monitoramento ambiental, principalmente no que se refere ao ambiente costeiro, já que somos uma cidade no litoral e bastante turística”, avaliou.
Mesmo sendo um primeiro passo, o estudo já cumpre um papel de alerta. Ana destaca que a pesquisa não encerra o assunto, mas abre caminho para novas análises e para um debate mais amplo sobre os impactos dos microplásticos. “O meu estudo, ao lado da minha professora, só foi o início”, afirmou.
O que são microplásticos
Microplásticos são partículas muito pequenas de plástico, geralmente com menos de cinco milímetros. Eles surgem da quebra de objetos maiores, como sacolas, garrafas e embalagens, ou já são produzidos pequenos, como os pellets usados pela indústria. Esses resíduos acabam no mar, na areia e até no ar, podem ser ingeridos por animais marinhos e entram na cadeia alimentar também de humanos.
Camila Diel
Camila Diel; jornalista no DIARINHO; formada pela Univali, com foco em jornalismo digital e produção de reportagens multimídia.
