DENÚNCIA

Hospital de Camboriú atrasa salários e pode paralisar atendimentos

Prefeitura diz que falta de prestação de contas da OS impede repasse do município

Funcionários também denunciam precariedade estrutural no hospital (Foto: Arquivo)
Funcionários também denunciam precariedade estrutural no hospital (Foto: Arquivo)

Médicos, enfermeiros e funcionários do Hospital Cirúrgico de Camboriú denunciaram ao DIARINHO atrasos nos salários e outras condições precárias de trabalho. Eles afirmam que estão sem receber desde novembro de 2025 e ameaçam paralisar os atendimentos caso a situação não seja resolvida.

“Médicos e enfermeiros sem salário, pacientes sem comida. Vamos atender apenas casos de emergência esta semana, se não houver pagamento. Quem vai pagar é a comunidade, infelizmente”, afirmou um dos profissionais. A Prefeitura de Camboriú alega que a Organização Social (OS) que gere o HCC não prestou contas e com isso não pôde fazer o repasse de valores.

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Segundo os denunciantes, a Prefeitura de Camboriú não faz os repasses para a empresa gestora do hospital, a Labormed, desde novembro. Funcionários relatam acúmulo de dívidas pessoais, falta de insumos e ausência de respostas por parte do prefeito e do secretário de Saúde.

“Nem o salário de novembro foi pago. Faltam insumos básicos. Chegamos ao ponto de reservar o pouco que tínhamos para emergências. Um simples soro de 1000 ml, essencial em casos de hemorragia, estava em falta”, desabafou um funcionário.

Ainda segundo relatos, funcionárias da cantina compraram alimentos com dinheiro próprio para alimentar os colegas e foram demitidas. “Tudo isso acontece desde novembro, quando a nova empresa assumiu a gestão do hospital”, conta um dos denunciantes.

Os profissionais afirmam que tentaram manter os atendimentos de emergências para não prejudicar a população, mas agora cogitam a paralisação por entenderem que a situação já compromete a segurança dos pacientes.

Empresa não prestou contas

Segundo a Prefeitura de Camboriú, a empresa contratada não apresentou corretamente a prestação de contas, o que gerou um impasse ao município. Por esse motivo, a administração decidiu reter o repasse do pagamento, mas optou por não romper o contrato, considerando o período de Natal e o impacto que o rompimento poderia causar aos colaboradores.

Ainda de acordo com a prefeitura, houve preocupação por parte do prefeito Leonel Pavan (PSD) em garantir que os serviços do hospital fossem mantidos para a população. “A prefeitura está com o dinheiro em caixa. Não se pode contratar um serviço sem disponibilidade financeira. Por outro lado, também não há possibilidade de pagar qualquer serviço que não tenha sido executado corretamente ou cuja prestação de contas não esteja regular. Esse impasse só traz prejuízos e desconforto para a administração. Ninguém tem mais urgência para que esse assunto seja resolvido de forma definitiva”, informou o município.

Já a secretaria de Saúde informou que a prestação de contas da OS chegou para análise da equipe da prefeitura nesta quarta-feira. “Feita aprovação, a prefeitura repassa a próxima parcela. Temos expectativa de até sexta-feira regularizar essa situação”, informou o secretário Alexandre Furtado Kons dos Santos.

 

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PRINCIPAIS QUEIXAS

Os problemas enfrentados no hospital foram listados em um documento produzido pelos funcionários e apresentado à prefeitura.

  1. Exames laboratoriais limitados a hemograma completo, gasometria arterial, urina rotina e troponina
  2. Suspensão das tomografias do convênio da Amfri desde setembro
  3. Falta de insumos como Tramadol, complexo B e Ringer lactato
  4. ECG com equipamento antigo, sem manutenção e desperdício de papel
  5. Extinção da escala de sobreaviso da cardiologia após fim do contrato do PS
  6. Aparelhos de ar-condicionado demoraram dois meses para instalação e manutenção
  7. Falta de alimentação adequada para os funcionários, máquina de café quebrada desde agosto de 2025
  8. Ausência de geladeira no conforto médico, sendo comprada por profissionais com recursos próprios
  9. Falta de itens básicos de hotelaria como travesseiros, cobertores e toalhas
  10. Equipe médica desmotivada com os atrasos salariais e sem previsão de pagamento
  11. Dificuldade para contratar novos profissionais e manter a passagem de plantão
  12. Equipe de enfermagem trabalhando em condições precárias e com evasão de profissionais capacitados
  13. Ausência de segurança especializada; apenas controladores de acesso sem capacitação adequada
  14. Falta de manutenção nas macas, o que compromete a higiene e aumenta o risco de contaminações



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