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Itajaí

Histórias de quem se doa para fazer o Natal de quem precisa

Eles não recebem dinheiro ou coisas materiais para levar sorrisos e alegria a um montão de gente, mas ganham algo bem mais valioso

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

Por Karine Mendonça

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O amor move, a convicção sustenta e a responsabilidade aprova cada gesto solidário. Espalhadas por todos os cantos e abraçadas pelo espírito natalino, pessoas se unem com o mesmo objetivo: fazer o bem. Limitações financeiras, excesso de trabalho ou problemas pessoais são sucumbidos pela força da esperança de dias melhores. Calçados com este objetivo, homens e mulheres com barba branca ou de calça jeans não medem esforços para criar um dia de Natal inesquecível para famílias carentes. O mais puro exemplo de altruísmo, que é aquele ato de se colocar no lugar do próximo para simplesmente vê-lo sorrir. São histórias de pessoas que abrem mão do próprio Natal para oferecer Natais a quem tem pouco ou nada.

Solteiro, galego e com as bochechas naturalmente rosadas. Lá com seus 25 anos, Martins José dos Santos, hoje com 59, deixou a barba loira crescer de bobeira. Com os olhos azuis, não demorou muito pros amigos passarem a chamá-lo de Papai Noel. Eles insistiam pra que cortasse a barbicha, mas de pirraça, deixou-a crescer até o Natal.

Foi em dezembro de 1979 que ele resolveu incorporar o personagem. No entanto, Martins entrou em choque logo após a primeira aparição em público. Rapou a barba e alegou que não queria mais saber do bom velhinho. “Eu fui brincando, mas as pessoas realmente esperavam algo de mim como Papai Noel. Elas pegavam na minha barba e, quando viam que era de verdade, começavam a chorar”, lembra com os olhos cheios d’água. Foi então que Martins percebeu que não bastava deixar a barba crescer, colocar uma roupa vermelha e desejar Feliz Natal. Era preciso ter o espírito do Papai Noel. Com o passar dos meses, consciente da responsabilidade, ele resolveu tentar mais uma vez.


Natural de Brusque, a aventura sem volta iniciou na Capital do Marreco e hoje se concentra em Balneário Camboriú, mas se estende por todo o vale. A barba agora já perdeu a cor, devido às frequentes sessões de descoloração. Estofador de profissão, as roupas vermelhas são confeccionadas por ele mesmo. Martins escolhe o tecido, os botões e os acabamentos. Risca, recorta e leva tudo pra máquina. Habilidoso, customiza os próprios conjuntos de Papai Noel. Hoje ele tem oito modelos diferentes, inclusive uma versão de verão, cujos braços branquelos ficam expostos ao sol.

Se no começo a quantidade de brinquedinhos distribuídos dava pra contar nos dedos, hoje a arrecadação é a perder de vista. Mais de 100 pessoas reúnem, voluntariamente, doações pro Papai Noel Martins distribuir. Ele mesmo suspende o trampo sempre no dia 25 de novembro só pra ter tempo de bater de porta em porta pedindo contribuições.

Apesar da caridade, ele tenta desvincular a associação do bom velhinho como sendo um personagem comercial. “Eu não concordo com esses que ficam em shoppings. O segredo do Papai Noel é se doar. Quem não se doa pras pessoas não é Papai Noel. É fazer a felicidade das pessoas. O que as pessoas esperam? Podes ter certeza, inconscientemente, que elas querem alguém que as faça sorrir”, diz.

Para Martins, o verdadeiro espírito natalino é levar a mensagem de alegria, compartilhar amor e carinho. Hoje o Papai Noel arrecada e distribui brinquedos pra Balneário Camboriú, Itapema, Camboriú e Brusque. As entregas rolam nos dias 22, 23, 24 e 25 de dezembro.

Projeto de amigas começou pequeno e cresce a cada Natal


Promover um encontro entre as pessoas que precisam de ajuda e aqueles que querem ajudar. Este é o trabalho das amigas Silviane Muniz, 33, e Patrícia Santos, 34. A primeira mora em Itapema, a segunda em Balneário Camboriú. Quando se encontram, o objetivo é ajudar a população carente de Camboriú. Esta missão já dura nove anos e nasceu por acaso.

No Natal de 2005, as amigas pensaram que seria bom ajudar uma família necessitada. Logo providenciaram alguns brinquedos e presentearam uma família no bairro Conde Vila Verde. Contudo, a realidade encontrada deixou as gurias chocadas. A necessidade era tão grande que não cabia num pacote de presente.

Sensibilizadas com a carência de pessoas que moram tão perto, Silviane conta que elas resolveram planejar melhor a ação. Em passeios pelas áreas pobres de Camboriú, elas observam as famílias e deixam o coração escolher aquelas que seriam abençoadas. A estratégia é pra que elas possam acompanhar as famílias e não simplesmente entregar um brinquedo sem se sentir conectadas ao grupo.

Depois de conhecerem as famílias, elas vão atrás de quem quer abrir o coração. “Quando a gente vai atrás de padrinhos, percebemos que todo o mundo quer ajudar. Normalmente, ninguém se nega. O que falta mesmo são pessoas pra fazer essa ponte entre quem precisa e quem quer doar”, avalia Silviane.


Além dos presentes pras crianças apadrinhadas, elas também arrecadam brinquedos pra distribuir na comunidade. “A gente também não pode chegar num bairro e dizer que só uma casa vai ganhar presente e o resto só fica olhando. Isso pode dar briga. Então, além dos apadrinhados, entregamos outras lembrancinhas e doces”, comenta. Neste ano, 37 crianças de oito famílias foram apadrinhadas. Elas receberão, além dos brinquedos, cestas básicas, um chester para a ceia de Natal e uma caixa de leite. “A gente descobriu que este é o nosso melhor presente: fazer alguém sorrir”. As distribuições serão feitas no dia 23.

Solidariedade que nasce no local de trabalho

Cada um ajuda como pode. E a forma encontrada por Roberto Bento Souza, 51, foi mobilizar os colegas de trampo pra fazer um Natal mais feliz pra gurizada. Ele é vendedor em Itajaí e há três anos pede ajuda pros colegas do comércio pra comprar brinquedos e distribuí-los no dia 24. “Eu não faço nada sozinho. É o pessoal do comércio que ajuda”, faz questão de reforçar.

Vestido de Papai Noel e com uma caminhonete emprestada, Roberto visita o pessoal do Imaruí e da Vila da Miséria, na city peixeira. Neste ano, ele vai levar bolas e salgadinhos pra gurizada. Segundo ele, estes foram os produtos mais solicitados nos anos anteriores. “Eu gostaria de fazer a alegria dessas crianças 365 vezes no ano, mas como não consigo, eu me esforço para proporcionar esse dia especial pelo menos uma vez no ano. Isso não tem preço. Nada é mais gratificante do que um sorriso”, confessa.

Neste ano, a tchurma do comércio também tá arrecadando alimentos e doações pro asilo Dom Bosco. Toda a distribuição rola na véspera de Natal.

Quem também mobiliza os amigos é o distribuidor Jeferson André Machado, 34. Há 10 anos, todo final de ano é a mesma história: correr atrás da rapaziada, fazer uma vaquinha e pechinchar na distribuidora de brinquedos. Esta adrenalina já faz parte da vida de Jeferson e, mesmo que ele pense em desistir da iniciativa natalina, a imagem das crianças correndo atrás do caminhão em busca de um presente o faz continuar por mais um ano.


Pra coroar essa décima edição, Jeferson vai conseguir superar o número geral de brinquedos já distribuídos. No ano passado, foram 800. A expectativa agora é passar dos dois mil brinquedos. Com roupa vermelha, barba e botas, o bom velhinho peixeiro vai invadir os bairros carentes no sábado, 21, a partir do meio-dia. “Vale a pena. O sorriso das crianças é minha recompensa”, resume Jeferson.




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Publicado 13/08/2022 09:56



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