Diz aí, João Paulo!

"Itajaí aparece próxima de 700 mil habitantes, dentro de um arco metropolitano de cerca de 2,5 milhões de pessoas"

"Cordeiros é o segundo maior bairro de SC, perdendo apenas para o centro de Balneário" (Foto: Fran Marcon)
"Cordeiros é o segundo maior bairro de SC, perdendo apenas para o centro de Balneário" (Foto: Fran Marcon)

Como ficou a questão dos food trucks da Beira Rio? Quando os novos credenciados assumem o local?

João Paulo: A gente está numa fase de transição. Uma das orientações do prefeito Robison foi para que essa transição fosse tranquila. As pessoas estão ali há muito tempo ...

Já tem cadastro? Clique aqui

Quer ler notícias de graça no DIARINHO?
Faça seu cadastro e tenha
10 acessos mensais

Ou assine o DIARINHO agora
e tenha acesso ilimitado!

João Paulo: A gente está numa fase de transição. Uma das orientações do prefeito Robison foi para que essa transição fosse tranquila. As pessoas estão ali há muito tempo e existia um vácuo legal, porque não havia uma lei autorizando. O que existia eram tolerâncias e permissões, com base em analogias do Código de Posturas. A gente resolveu encarar o problema de frente, começando pela criação de uma lei sobre os ambulantes. Primeiro foi feita a lei, depois o edital. Criamos duas categorias: uma para quem trabalha o dia todo e outra para quem atua mais à noite e nos finais de semana. O pessoal está entregando a documentação, fazendo conferência e homologação. Às vezes a pessoa passa no processo, mas por algum motivo não quer ficar. Nesse caso, chamamos o próximo da lista. São oito vagas para o período integral e oito para o período noturno. No total, são 16 posições. Antes, havia algo em torno de 18 a 20. 

Continua depois da publicidade

 

O centro tem congestionamentos frequentes, agravados pelas obras. Não seria possível realizar parte dos serviços à noite ou fora do horário de pico?

João Paulo: O prefeito até me cobrou bastante em relação a isso. Essas obras fazem parte de um pacote de financiamento internacional do Fonplata. Elas foram orçadas e licitadas dentro de um contexto que previa a execução no período diurno. Nós questionamos a empreiteira sobre a possibilidade de, eventualmente, mudar para o período noturno, até pela questão de salubridade da própria equipe. Sempre que se pensa em obra noturna, é preciso considerar iluminação, equipamentos de segurança e o adicional no custo da mão de obra. O insumo não muda, mas a mão de obra tem um impacto significativo e hoje representa um peso cada vez maior nas obras de engenharia, tanto no setor público quanto no privado. A gente percebe isso claramente no setor da construção. [Mas o prefeito pediu e como ficou essa possibilidade de a obra ser feita à noite?] Isso está sendo avaliado. Nessa fase da rua Silva, o que a gente busca é dar mais ritmo à obra. É um trecho curto, mas extremamente complexo. Ali temos a derivação para Cordeiros, outra para São Vicente e Cidade Nova. Cordeiros é o segundo maior bairro de Santa Catarina, perdendo apenas para o centro de Balneário Camboriú. Cidade Nova e São Vicente, juntos, se fossem um único bairro, como já foram no passado, seriam o maior do estado. A gente tem acelerado para permitir também a remoção do canteiro central de forma mais rápida e concluir a obra o quanto antes.

A obra na Marcos Konder não foi finalizada. O que impede a extensão do mesmo padrão de revitalização até a última quadra da via?

João Paulo: O município tem buscado ser colaborativo para que o porto ganhe competitividade. Eu já trabalhei em terminais portuários e fiz curso no exterior sobre esse tema. A gente sabe que, se o Porto de Itajaí não ganhar competitividade, ele passa a ser apenas um ponto para jogar as cargas para outros portos. Existe uma previsão de expansão que inclui aquele trecho de rua e toda a extensão da avenida Coronel Eugênio Muller. A rua do Porto entra justamente nesse contexto: criar uma divisão clara entre porto e cidade. [Por que a demora para a conclusão da rua do Porto?] O maior gargalo da rua do Porto tem sido a questão das desapropriações. Se conseguirmos resolver a situação da Toni Center, que hoje é o principal gargalo e praticamente a última desapropriação pendente, só restará uma construção para demolir. A partir disso, as pessoas já vão perceber a avenida chegando até a região da Tijucas. [Vai demolir a Toni Center?] Será uma demolição parcial. A Toni Center não precisa ser demolida por completo. O ponto é chegar a um consenso sobre o que será demolido e de que forma será feito. Essa é a discussão atual, junto com os valores da desapropriação. Se isso avançar, em cerca de 60 dias conseguimos entregar o equipamento, mas tudo depende dessa resolução. [Está judicializado?] Está judicializada, mas já num estágio avançado.

 

"A Toni Center não precisa ser demolida por completo"

 

Continua depois da publicidade

As ruas Jorge Tzachel e Lauro Müller receberam pavimentação asfáltica recentemente. No entanto, a obra da SC Gás já quebra o novo asfalto. Não existe cronograma integrado pra evitar retrabalho?

João Paulo: Isso foi algo que deu bastante dor de cabeça pra gente, porque a secretaria de Obras vinha fazendo esse trabalho de repavimentação. Quando estava praticamente concluído, a SC Gás chegou dizendo que precisava fazer expansão de rede. A gente cobrou muito nesse sentido. [Esse remendo feito depois é responsabilidade da SC Gás ou da prefeitura?] É da SC Gás. A responsabilidade é deles. [Hoje, Semasa, Obras e Urbanismo estão caminhando em consonância? No governo passado havia esse problema...] Até o Celso cunhou o termo “Urbrasa”. Uma das primeiras coisas que fizemos na transição foi sentar e conversar. Não dá pra bater cabeça. Da mesma forma que a Seduh não pode bater cabeça com o Codetran. Tudo o que a gente faz hoje é feito no diálogo. A Seduh trabalha mais com os projetos estruturantes da cidade.

 

Continua depois da publicidade

Itajaí passa por uma transformação no centro. É possível conciliar o desenvolvimento com a preservação da memória histórica?

João Paulo: Uma das coisas que a gente quer fazer é o uso da transferência do potencial construtivo de imóveis de cunho histórico cultural que possam ser utilizados mediante a venda desse potencial construtivo para outros terrenos e isso seja utilizado para financiar restauros. Queremos preservar também patrimônios que não são tombados. Todo aquele entorno da rua Lauro Müller pode ser preservado e a ideia é transformar essa área numa parte do centro mais pedonal [voltada à circulação de pedestres].

 

Continua depois da publicidade

" Itajaí aparece próxima de 700 mil habitantes, dentro de um arco metropolitano de cerca de 2,5 milhões de pessoas"

 

Itajaí entregou 104 escrituras da Reurb. O processo, que estava em andamento há mais de cinco anos, foi resolvido pelo novo governo. O que foi feito de diferente para agilizar os trâmites?

João Paulo: A gente não sabe por que essas entregas não foram feitas antes. Havia procedimentos parados quatro ou cinco anos. Existem também processos do Lar Legal, que tramitam mais dentro do Judiciário, têm seu valor e seguem outro ritmo, e a gente quer que avancem quando for o caso. O que o Dante Gervasi fez foi ir a Joinville, entender como funciona a Reurb e aplicar o modelo aqui. Saímos de cinco núcleos para 60, e essas 104 escrituras são apenas as primeiras de um universo de cerca de cinco mil. Itajaí cresce 10 mil habitantes por ano. Essa demanda representa algo em torno de 4,3 mil casas. O mercado primário entrega cerca de 2,9 mil, o que gera um déficit crescente de 1,4 mil. O fato é que Itajaí constrói pouca moradia, e isso impacta no custo da casa e do aluguel.

 

A obra do boulevard atrás da Marina Itajaí tinha previsão de entrega em dezembro, mas o prazo não foi cumprido. Qual é o novo cronograma?

João Paulo: Falta apenas o material elétrico. As obras civis estão praticamente concluídas, mas houve atraso na entrega desse material. A previsão é de que o material chegue agora entre fevereiro e março, para que a gente possa fazer a entrega nesse período. Aquele espaço vai ser a chance de o itajaiense parar de dar as costas para o rio. Quem olha do Saco da Fazenda vê os navios fazendo a manobra de giro e de ré, algo que poucos portos no mundo conseguem fazer. Itajaí tem isso. A ideia é que o local se transforme em um ponto de encontro. A gente já tem a Marina, vai ter o shopping e toda a área da Beira Rio como conjunto integrado.

 

" O município tem buscado ser colaborativo para que o porto ganhe competitividade"

 

BC tem avançado para prolongar a Martin Luther até Itajaí. Como está o trabalho de Itajaí pra ligar o novo eixo da Osvaldo Reis a Balneário Camboriú?

João Paulo: É o eixo viário da Fazenda. Ele começa na divisa, no ribeirão Ariribá. Já temos uma parte em obras que, muitas vezes, o itajaiense não percebe. Agora isso deve ficar mais visível, porque foram feitas algumas demolições próximas ao Renal Vida. No momento, estamos na fase de projetos e detalhamentos. Do trecho da rua Laura dos Santos Laurindo até a divisa com Balneário Camboriú estamos ajustando os detalhes para licitação. [A ligação da BR com a Praia Brava já avançou?] Está caminhando. Estão sendo feitos estudos de traçado e estudos geológicos. Existia um caminho antigo, mas ele é muito sinuoso e precisa de ajustes. A gente entende que são projetos que vão preparar a cidade. Quando se analisam os modelos de crescimento e se projetam até o momento em que a curva demográfica de Santa Catarina começa a se inverter, o que está previsto para 2064, Itajaí aparece próxima de 700 mil habitantes, dentro de um arco metropolitano de cerca de 2,5 milhões de pessoas. Não dá mais para pensar pequeno. 

 

"Estamos trabalhando junto com o Mais Itajaí e que é extremamente importante: a conexão entre as rodovias Antônio Heil e Jorge Lacerda"

 

Com a impermeabilização do solo, como avalia o risco de novos alagamentos e do aumento da temperatura nas ruas, já que Itajaí não é arborizada?

João Paulo: É desafiador, mas a engenharia tem soluções para isso. Quando se fala em captação de água da chuva, hoje já existem concretos permeáveis e uma série de alternativas técnicas que ajudam a enfrentar a questão da permeabilidade do solo. No que diz respeito à arborização, esse é um gargalo que Itajaí tem. Hoje, o plano diretor já traz incentivos à arborização. O grande entrave é que, para ampliar a arborização, principalmente na região central e em alguns bairros, é necessário suprimir vagas de estacionamento. É um jogo de xadrez que precisa ser feito de forma gradativa, para que os resultados apareçam. [O senhor concordou com o que foi feito ali pelo governo passado?] Do ponto de vista do escoamento e do fluxo viário, era o que precisava ser feito. Se existiam outras alternativas, talvez pela rua Uruguai, isso teria que ter sido estudado. Muita gente até hoje não concorda e não aceita. Quando assumimos, a obra já estava em um estágio irreversível. Tínhamos que seguir o planejamento original, porque se trata de um financiamento internacional. Ao final, em número de árvores plantadas, é importante dizer que haverá mais árvores do que antes. Saímos de pouco mais de 100 para cerca de 240.

 

Há obras planejadas para dois pontos da cidade com previsão de grande crescimento nos próximos anos: Itaipava e Santa Regina?

João Paulo: Esse sempre foi um problema grande de Itajaí, porque muitos loteamentos surgiram sem essa conformação ou vinham de ocupações exponentes. Pensando nessa expansão do município, há uma ligação que estamos trabalhando junto com o Mais Itajaí e que é extremamente importante: a conexão entre as rodovias Antônio Heil e Jorge Lacerda. A interligação dessas duas vias tem grande relevância para toda a região. A ideia é deixar essa estrutura pronta para, no futuro, viabilizar a construção de uma ponte sobre o rio Itajaí-açu naquela região, fazendo a ligação com Navegantes e conectando com a BR 470. 

 

"Cordeiros é o segundo maior bairro de SC, perdendo apenas para o centro de Balneário"

 

A obra no morro da Brava para o binário da Luci Canziani já chegou à rua Cabo Rudolf. Esse trecho poderá ficar transitável nos próximos meses?

João Paulo: Explodimos uma pedra e descobrimos outra. Aí está a importância de projeto bem feito, ele já vem com estudo geológico mais apurado. [Tem que explodir mais uma pedra?] Está se buscando uma forma de não explodir. Mas uma boa parte dela a gente espera estar liberando nos próximos meses.



WhatsAPP DIARINHO


Conteúdo Patrocinado



Comentários:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Clique aqui para fazer o seu cadastro.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.


Envie seu recado

Através deste formuário, você pode entrar em contato com a redação do DIARINHO.

×






216.73.216.86


TV DIARINHO


⚠️ SUSTO NAS ALTURAS | Rompimento de travessão deixou trabalhador suspenso durante obra em Balneário ...



Especiais

Fora das redes, doações para projetos caem e fiéis querem ajuda do Vaticano

Padre Júlio

Fora das redes, doações para projetos caem e fiéis querem ajuda do Vaticano

O cultivo de maconha começa a sair do armário no Brasil

MACONHA MEDICINAL

O cultivo de maconha começa a sair do armário no Brasil

O caso banco Master e as controvérsias do ministro Dias Toffoli no STF desde o Mensalão

BANCO MASTER

O caso banco Master e as controvérsias do ministro Dias Toffoli no STF desde o Mensalão

“Justiça não foi feita”, diz mãe que perdeu os filhos no desastre da Vale em Brumadinho

SETE ANOS

“Justiça não foi feita”, diz mãe que perdeu os filhos no desastre da Vale em Brumadinho

Ibama nega licença prévia e barra projeto de maior termelétrica do país, no interior de SP

PROJETO BARRADO

Ibama nega licença prévia e barra projeto de maior termelétrica do país, no interior de SP



Blogs

Falha Poética nº 5

VersoLuz

Falha Poética nº 5

Daniela no Turismo

Blog do JC

Daniela no Turismo

04.02 - Dia Internacional de Combate ao Câncer

Espaço Saúde

04.02 - Dia Internacional de Combate ao Câncer

YCI completa 70 anos

A bordo do esporte

YCI completa 70 anos



Diz aí

"Itajaí aparece próxima de 700 mil habitantes, dentro de um arco metropolitano de cerca de 2,5 milhões de pessoas"

Diz aí, João Paulo!

"Itajaí aparece próxima de 700 mil habitantes, dentro de um arco metropolitano de cerca de 2,5 milhões de pessoas"

“Eu virei turista com a Tante [Lolli] e gostei da profissão”

DIZ AÍ, Dagoberto!

“Eu virei turista com a Tante [Lolli] e gostei da profissão”

“O feminicídio acontece simplesmente pelo fato de a mulher ser mulher”

Diz aí, Regina!

“O feminicídio acontece simplesmente pelo fato de a mulher ser mulher”

“Os preceitos e princípios bíblicos são muito mais inclinados para a direita”

Diz aí, pastor!

“Os preceitos e princípios bíblicos são muito mais inclinados para a direita”

“O hospital foi feito para atender 120 mil, 100 mil habitantes e hoje ele atende num raio de um milhão, um milhão e meio de pessoas”

Diz aí, Juliana!

“O hospital foi feito para atender 120 mil, 100 mil habitantes e hoje ele atende num raio de um milhão, um milhão e meio de pessoas”



Hoje nas bancas

Capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.