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Saudade não é carência


Saudade não é carência

Muitos de nós banalizamos a digestão de nossas próprias emoções.

Por necessitarmos de grandiosas demonstrações românticas, não enxergamos o conjunto das ações de quem nos acompanha.

Sofremos de permanente insegurança, assustamo-nos por qualquer desconforto passageiro de nosso par. Um “ai” dele é motivo de terremoto.

Mais importante do que repetir o “eu te amo” é dar atenção, é incentivar, é se fazer presente, é ser leal nos momentos difíceis e cúmplice nos momentos felizes.

O controle das palavras ditas não pode ofuscar os exemplos.

Há pessoas que amam quietas, amam de modo mais contido, amam pelos gestos, mas amam tão escandalosamente por dentro quanto aquele que confessa apego a cada instante.

Há quem diga “eu te amo” cinco vezes na vida, porém pode ter certeza de que expressou a afeição sempre emocionado, com absoluta sinceridade. Não falou da boca para fora, tinha plena consciência do peso e da responsabilidade da declaração.

Certa vez um paciente meu foi criticado pela sua esposa por seu coração de chumbo. É que ela saiu em viagem profissional para a China e perguntou, no primeiro dia em que se encontrava longe, se ele estava com saudade.

Ele respondeu “ainda não”.

Para quê?

Soou como grosseria, como indiferença, como despeito.

A esposa logo já achou que ele não gostava mais dela, mesmo com 10 anos de casamento, mesmo com todas as lições das experiências em comum, mesmo com a amizade mais do que provada, mesmo com a fidelidade e a lealdade implacáveis.

Surgiu um medo bobo, à toa, um mal-estar colocando tudo o que haviam conquistado juntos em xeque.

O alarmismo nos constrange a professar juras sem vontade, por educação, simplesmente para não discutir e evitar complicações.

Meu paciente neste momento apenas não mentiu. Ela tinha acabado de partir, recém havia aterrissado no outro continente. Não existiu nem tempo para sentir falta. Nem espaço livre para fabricar nostalgia. Estava curtindo – não há problema nenhum nisso – a casa vazia, a procrastinação, a independência de não ter horário para comer, dormir ou prestar contas dos seus atos. Não bateu nenhum desespero por reciprocidade.

Ele exercitou a verdade naquele momento. A saudade aconteceria depois, dia após dia, com a ausência crescendo devagar e firme, quando viessem à tona as lembranças da voz, das brincadeiras, das conversas compreensivas, das implicâncias inteligentes, dos passeios.

Quando eu viajo, me vejo em trânsito para meu destino, não costumo questionar a quem eu amo sobre a sua saudade de mim. Espero um pouco para perguntar. Espero 24 horas no mínimo. Pois eu tenho a convicção de que a pessoa pode sim se sentir, em determinado momento, provisoriamente aliviada.

Saudade não é carência. A saudade é muito mais que isso, a saudade está nos detalhes da vivência.


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