Colunas


Coluna Fato&Comentário

Coluna Fato&Comentário

Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

Adão e o alfaiate


Adão e o alfaiate

Uma das profissões necessárias nos tempos antigos era a de alfaiate. Não se vendiam  roupas prontas a vestir ou confecções. Todas deviam ser feitas à mão por alfaiates, roupas masculinas, e costureiras, roupas femininas. Embora existissem costureiras especializadas em roupas masculinas também.

Os alfaiates em Itajaí já existiam, desde quando aqui era apenas uma pequena freguesia habitada por marujos, pescadores e poucos comerciantes. Pois esses homens  já demandavam por serviços de alfaiate. 

Conta Antônio da Costa Flôres, em suas “Reminiscências” que, ao chegar a Itajaí, em torno de 1843, encontrara o alfaiate de nome Francisco Antônio, que aproveitava o tempo livre para ensinar as primeiras letras a meia dúzia de crianças. Fica, portanto, Francisco Antônio sendo o primeiro alfaiate de que se tem registro histórico. Na segunda metade desse século outros chegaram, dentre os quais o suíço Jacob Heusi, como alfaiate e comerciante.

Juventino Linhares, no seu valioso livro “O que a memória guardou”, registra os nomes dos alfaiates da cidade no começo do século XX. Eram eles em número de cinco: Max Schnaider; Alcides Coelho; Manoel Pedro de Alcântara, o Manoel Grande; Júlio Kumm; Manoel Nicolau Werner, o Maneca Werner. Pela alfaiataria de Maneca Werner, passaram, como oficiais ou aprendizes, quase todos aqueles alfaiates da cidade estabelecidos na segunda metade do século passado: Jason Santos, Luiz Gazaniga, Victor Zaguini, João Silva, Bráulio Heusi, Abílio Silva, Cazuca.

Isidório Olinger, Hermenegildo Teixeira, Eugênio Schoenau, Glicério Braz, que vieram de fora para cá, são ainda lembrados por Juventino Linhares.

Outro que se estabeleceu na cidade na segunda metade do século passado foi Alcides Manoel da Silva, o PEQUININHO,  alfaiate que viera de Florianópolis depois de uma estadia em Rio do Sul. Esse apelido ele tinha recebido dos amigos, quando guri, por conta de sua estatura alta. Pequininho chegara casado com dona Nilsa Barreto Silva e filhos, dentre os quais o conhecido advogado Dr. Ronaldo Silva. Ele abriu sua alfaiataria na Praça Vidal Ramos, no atual edifício Olympio. Logo se tornou conhecido na cidade e muito afreguesado em razão da  competência profissional e do caráter expansivo e muito sociável.

Também por essa época difundira-se bastante o marketing de estabelecimentos do comércio em jornais e na rádio. Principalmente a propaganda falada estava muito em voga; vivia-se a era de ouro do rádio. Foi, então, que nosso alfaiate resolveu também fazer propaganda de sua alfaiataria e, para tanto,   criou um slogan comercial que se popularizou na cidade, dado à inusitada e jocosa frase de merchandising que a rádio passou a divulgar:

“ADÃO NÃO SE VESTIA, PORQUE PEQUININHO NÃO EXISTIA”


Conteúdo Patrocinado


Comentários:

Deixe um comentário:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

ENQUETE

Punição prevista em lei pra maus-tratos a animais funciona no Brasil?



Hoje nas bancas

Confira a capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯


Especiais

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Eleições 2026

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

Cão Orelha

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

BANCO MASTER

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Colonialismo de dados

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil

Microbolsas

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil



Colunistas

Mais uma decepção

Show de Bola

Mais uma decepção

Casa histórica que abriga cafeteria será demolida no centro

Charge do Dia

Casa histórica que abriga cafeteria será demolida no centro

Refúgio chamado silêncio

Clique diário

Refúgio chamado silêncio

TCE/SC analisa manobra fiscal do governo

Coluna Acontece SC

TCE/SC analisa manobra fiscal do governo

Taliano plantando girassóis

JotaCê

Taliano plantando girassóis




Blogs

“Quem me conhece sabe”: Egovaldo pede desculpas e fala em virar a página

Blog do JC

“Quem me conhece sabe”: Egovaldo pede desculpas e fala em virar a página

Uma entrevista interessante

Blog do Magru

Uma entrevista interessante

Você tem andado cansado e com fadiga?

Espaço Saúde

Você tem andado cansado e com fadiga?

Você consome cobre?

Blog da Ale Françoise

Você consome cobre?

 Da impossibilidade da neutralidade

VersoLuz

Da impossibilidade da neutralidade






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.