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Por Edison d'Ávila -

Cadê o restauro da casa Burghardt?


O ano se finda, o governo municipal vai entrar no seu terceiro e penúltimo ano do mandato e o tão anunciado restauro da centenária Casa Burghardt, bem cultural tombado como patrimônio histórico, propriedade do município e sede da Fundação Cultural de Itajaí, não saiu.

Não se entende mesmo como uma obra essencial para a conservação de um prédio relevante na arquitetura urbana da cidade, cujo projeto arquitetônico de restauro é de 2015 e para o qual se obteve autorização de captação de recursos financeiros pela Lei Rouanet em 2017, não deslancha.

Onde está o empecilho, qual o gestor público que deveria estar em ação nesse empreendimento, pretende mesmo a administração pública de Itajaí levar a cabo a obra? São questionamentos que deveriam ser levantados por toda a classe cultural, Conselho Municipal de Políticas Culturais e Conselho Municipal do Patrimônio Cultural,  e respondidos por quem de direito.

Não se pense que atender a um segmento da cultura ou realizar eventos pomposos, sem atenção ao conjunto de compromissos e deveres públicos com todas as áreas culturais, qualifica a gestão da área. Para alguns segmentos artísticos e literários, lei de incentivo, programas de apoio financeiro e outras oportunidades satisfazem. Mas no grande público, no cidadão que vê e julga o conjunto das ações que deveriam estar acontecendo em favor da cultura do município há notória insatisfação.

Largada ao abandono desde 2015, com o telhado em severa decadência e mato crescendo nas platibandas, a Casa Burghardt, construção de 1904, encontra-se a caminho da ruína. Seu abandono e descaso vêm se somar aos da Casa Bauer, outro bem cultural em adiantado estado de ruína.

Surpreende que o Ministério Público, curador do patrimônio cultural do povo de Itajaí, e a Justiça, tão instantâneos e prestimosos no atual contexto político brasileiro, ponham-se ao largo, como se esse crime contra a cultura itajaiense nada lhes dissesse respeito. Aqui se faz necessário que o promotor público represente e o juiz mande que se cumpra sua sentença, porque termo de ajuste de conduta para depois de o prédio se arruinar por completo não será salvaguarda do bem tombado.

Foi o que aconteceu com a Casa Mello, típica construção de residência familiar do século XIX, que foi ao chão enquanto o Conselho do Patrimônio Cultural de Itajaí e o Ministério Público, curador daquele bem de valor histórico, burocraticamente trocavam ofícios que resultaram, ao fim,  num termo de ajuste de conduta, quando o prédio ruiu! Com isso, a memória da cidade perdeu o único exemplar daquela arquitetura residencial de raiz luso-brasileira do Oitocentos que restava em Itajaí.

Aliás, a  promessa de restauro da Casa Burghardt ainda vem se somar a outras promessas para a área cultural, de cuja atenção não se vê movimento: mais três museus na cidade, sede própria para o Conservatório de Música, terceiro piso para o Arquivo Público, mobiliário da reserva técnica do Museu Histórico,  e assim por diante...


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