Por Alfa Bile - alfabile@gmail.com
Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria
Publicado 26/01/2026 09:11
No post de hoje, quero falar de um poema que nasceu de um impacto real, físico e emocional.
Ontem, ao longo do dia, me vi profundamente tocado — a ponto de chorar — ao lembrar do feito de Alex Honnold. Não foi um choro imediato, cinematográfico. Foi desses que vêm em ondas, silenciosos, quando algo nos atravessa por dentro e demora a encontrar saída.
Alex Honnold é um dos maiores escaladores da história. Conhecido mundialmente por praticar free solo — a escalada sem cordas, sem proteção, sem margem para erro. Cada movimento é definitivo. Cada decisão, irreversível. Técnica absoluta, concentração radical, coragem sem romantização.
Entre tantos feitos, um deles me voltou com força: a escalada do Taipei 101, localizado em Taipé, capital de Taiwan. Um edifício com cerca de 508 metros de altura (aproximadamente 1.667 pés) que, por muitos anos, foi considerado o prédio mais alto do mundo, título que manteve de 2004 a 2010. Um gigante vertical de aço, vidro e vento. Um erro ali não é queda: é ausência de retorno.
O que me emocionou não foi apenas a altura. Foi o conjunto:
a preparação invisível,
a disciplina repetitiva,
o controle do medo,
o propósito claro,
a escolha consciente de assumir um risco absurdo de vida — não por imprudência, mas por domínio.
Existe algo de profundamente humano em quem se coloca diante do vazio e, ainda assim, sobe.
Pensando nisso tudo — nesse corpo suspenso, nessa mente afiada, nessa relação direta com o silêncio e o abismo — escrevi este poema curto. Um poema que tenta caber onde palavras geralmente falham:
⸻
Coragem
nos dedos.
Mil pés
de vazio.
O corpo
encontra apoio.
Sobe
em silêncio.
⸻
Talvez a poesia, assim como a escalada, também seja isso:
um exercício de confiança mínima,
um gesto preciso,
um avanço lento sobre o vazio.
E, às vezes, basta observar alguém subir para lembrar que a vida também exige técnica, coragem e um estranho pacto com o risco.
📸 ✍️ Alfa Bile
VersoLuz | Jornal Diarinho
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Publicado 23/01/2026 19:48