Carla Oliveira, mãe de Mariana Oliveira, de nove anos, está desesperada em busca do medicamento triptorrelina, necessário para o tratamento da filha, diagnosticada com puberdade precoce. A doença provoca alterações hormonais que antecipam o desenvolvimento sexual das crianças e exige controle com aplicação de uma medicação a cada seis meses. Desde o início de janeiro, Carla tenta conseguir o remédio na Farmácia Municipal de Balneário Camboriú, mas é informada de que o estoque está zerado.
Segundo a secretaria de Saúde de Balneário Camboriú, o processo da menina já está aprovado pelo Estado e o medicamento já chegou a ser fornecido anteriormente, mas atualmente está em falta. O órgão ...
Segundo a secretaria de Saúde de Balneário Camboriú, o processo da menina já está aprovado pelo Estado e o medicamento já chegou a ser fornecido anteriormente, mas atualmente está em falta. O órgão informa que o estoque está em processo de regularização.
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O custo da medicação, com o princípio ativo triptorrelina, varia entre R$ 400 e R$ 1700 por frasco. Sem condições de bancar o valor, Carla buscou alternativas. Contatou a secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, ligou para a ouvidoria, outras farmácias municipais e até secretarias de saúde de cidades vizinhas, mas não teve retorno positivo.
“Não posso interromper o tratamento da minha filha, isso é um risco para a saúde dela”, disse Carla em vídeo enviado ao DIARINHO. A mãe afirma que o pedido para renovação da medicação foi feito ainda em novembro.
MÉDICO ALERTA
O médico pediatra Paulo Roberto Fortunato, responsável pelo acompanhamento da criança, reforça a importância do tratamento. Segundo ele, a puberdade precoce pode ter origem genética, estar relacionada a lesões no sistema nervoso central ou a doenças adrenais.
A ausência do tratamento pode provocar desde distúrbios ginecológicos e alterações metabólicas até impactos emocionais e comprometimento da qualidade de vida da criança. No caso de Mariana, o uso de 22,5 mg de triptorrelina é indicado a cada 180 dias para bloquear o avanço da doença.
O especialista destaca, em laudo repassado ao DIARINHO, que a interrupção da aplicação pode trazer prejuízos sérios ao desenvolvimento físico e emocional da menina.
Medicação em falta
A secretaria de Saúde de Balneário Camboriú informou que entende a urgência do caso e acompanha a situação da paciente. Contudo, ressalta que o medicamento segue indisponível por conta da regularização dos estoques, que depende do repasse estadual. A orientação é acompanhar a entrega pelas planilhas de desabastecimento de medicamentos divulgadas no site do governo de Santa Catarina.