ITAJAÍ
Mulher que foi arremessada com carro no rio não teve apoio nenhum
Empresa ainda não assumiu prejuízo de Fox sem seguro
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
Passado o susto de quase morrer afogada depois que seu carro foi jogado no rio Itajaí-açu, a zeladora Angela Maria Pureza Gonçalves, de 55 anos, e sua família, agora tentam ser ressarcidas pelo prejuízo. O acidente foi no sábado passado, quando o carro caiu no rio Itajaí-açu, no parque náutico Odílio Garcia, em Itajaí. O Fox 1.6 Plus que Angela dirigia não tinha seguro e a empresa dona do caminhão, a Gratidão Empreendimentos, ainda não confirmou se vai arcar com os danos provocados pelo motorista.
O filho de Angela, Jefferson Galdeano, de 34 anos, afirma que está numa luta para conseguir o reembolso do prejuízo. Ele tenta contato com a seguradora, já que o Fox teve perda total, mas encontra dificuldades porque a habilitação de Angela estava vencida. “Foi como eu falei pra eles: habilitação vencida não anula o que o motorista fez. Foi ele quem bateu no carro da minha mãe e o veículo estava com o documento certo. A CNH dela é um ato administrativo, ela é habilitada. Agora estão querendo se isentar da culpa”, critica.
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Além dos danos materiais, Jefferson lembra que a mãe sofre o trauma de quase ter morrido. “O motorista fugiu, não prestou socorro. Minha mãe teve prejuízo psicológico, moral e material, e vai sair sem nada. Está sem celular, sem carro, com psicológico abalado, poderia ter morrido porque não sabe nadar. Está passando mal, vomitando, por conta da água que engoliu, não consegue comer...”, relata.
Segundo Jefferson, nem a empresa ou o motorista procuraram Angela. “Nem pra saber se ela consegue trabalhar. Sequer se ofereceram para pagar um exame. Minha mãe está afastada das atividades por conta de problemas psicológicos”, desabafa. Ele afirma que a empresa admitiu ser dona do caminhão e que sabe quem era o motorista. “O BO está feito, o corpo de delito também. Estou aguardando”, diz.
Trocaram o motorista
Um leitor denunciou ao DIARINHO que a empresa trocou o motorista antes de apresentá-lo à polícia. A suspeita é que o condutor verdadeiro esteja com a CNH suspensa. Segundo o leitor, o motorista foi até o porto de Itajaí levar um contêiner e, na volta, bateu no carro, que caiu no rio. “Ele fugiu porque não podia dirigir caminhão. Ele é chefe da Gratidão, de Navegantes. Volta e meia eles pegam o caminhão pra fazer coleta ou entrega”, relatou.
A delegacia de trânsito de Itajaí instaurou procedimento para apurar o caso. A investigação é conduzida pelo delegado Luiz Ângelo. O DIARINHO não conseguiu contato com a empresa.
Quase morreu
Angela, natural de São Paulo e moradora de Itajaí há sete meses, voltava do plantão na FP Prestadora de Serviços quando foi atingida. “Só senti um toque sutil e continuei. Quando vi, já estava indo pro rio”, contou. O impacto fez o Fox subir no parque náutico, derrubar a estrutura metálica e cair no rio. O caminhão seguiu sem prestar socorro. Giovane Souza e um venezuelano que estavam no parque pularam no rio pra salvar Angela. Sem conseguir sair pela janela, eles forçaram a porta para resgatá-la. A água invadiu o carro, que submergiu, e Angela sumiu por alguns segundos. A tensão tomou conta do parque até que ela emergiu ao lado do carro. “Engoli muita água. Ainda bem que Deus me deu força pra subir, porque o carro já tinha afundado comigo...”, relatou à reportagem no sábado. Angela não teve ferimentos físicos, mas agora tenta se recuperar do trauma e do prejuízo.
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Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
