ancestralidade

Do axé à sala de aula: a jornada de Mãe Cristina

Líder religiosa e ativista combate o racismo com ações sociais, educação e valorização da cultura afro-brasileira

Mãe Cristina desenvolve projeto social há 13 anos (Joca Baggio)
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Isabel Cristina Ribeiro Rosa, a Mãe Cristina, conheceu Navegantes de passagem e se apaixonou pela cidade. Mudou-se para o município há 22 anos, mas por questões profissionais permaneceu apenas oito meses. Retornou a Curitiba e depois a São Paulo. Nesse período, sofreu a perda irreparável de um neto, aos cinco anos. Foi novamente Navegantes que ela escolheu para reconstruir sua vida. Está aqui há 13 anos e diz que daqui não sai mais.

Na cidade, fundou com o Pai Marcelo, seu companheiro, a comunidade de candomblé Ilê Alaketu Ijobá Bayó Asé Nanã, que hoje reúne cerca de 40 filhos. Como ekeji, é responsável por cuidar dos orixás, da organização e da comunidade. Também criou a Associação de Cultura e Tradições de Matriz Africana Ojinjé — palavra iorubá que significa “tudo o que é próprio para alimentar” —, para difundir as tradições afro por meio da arte, da alimentação e do acolhimento. Para ela, alimentar vai além da comida: é nutrir o corpo, a alma, o espírito e a sabedoria, com afeto e compreensão.

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Quituteira com expertise na culinária afro-brasileira, escritora membro da seccional Navegantes da Academia de Letras do Brasil/Santa Catarina e defensora da cultura, atua em comunidades periféricas e escolas de Navegantes em projetos sociais e educativos, sempre de forma laica. Esse trabalho é inspirado na bondade e no altruísmo do neto João, que partiu prematuramente.

Seus objetivos incluem promover o respeito, a empatia e o combate ao racismo e à discriminação, além de ouvir e acolher crianças em vulnerabilidade. “Vivemos num país racista e, pior, num dos estados mais racistas do Brasil, que é Santa Catarina. Precisamos continuar existindo e resistindo, e o conhecimento é crucial nesse processo”, afirma.

Para ela, o combate ao preconceito e o empoderamento de descendentes de negros e indígenas devem ser diários. Apesar dos desafios, lembra que Navegantes já avançou. “Não se falava em consciência negra, não havia eventos alusivos às culturas de matriz africana. Há três anos, a Lei Municipal nº 3550/2023 veio se somar às leis federais que obrigam a difusão das culturas afro e indígena nas escolas”, relata.

A partir dessa lei, atividades antirracistas ganharam espaço na rede municipal, com apoio da Fundação Cultural de Navegantes. “É um trabalho de formiguinha, com contação de histórias, literatura de autores negros e indígenas e a história do continente africano; e que aos poucos vem sendo reconhecido”, pondera.

Agora, os ativistas aguardam o início do Conselho Municipal da Igualdade Racial, cuja lei já foi aprovada e sancionada. “Essa é uma luta de muitos anos. Após diversas tentativas, conseguimos aprovar a matéria. O próximo passo será a formação da diretoria”, explica.

Segundo ela, Navegantes era um dos poucos municípios da região sem o Conselho. “Pouco a pouco o caminho vai se abrindo, mas ainda existe muito preconceito, muito racismo, racismo estrutural. Nós temos o sangue de Zumbi dos Palmares nas nossas veias. Às vezes a gente dá uma parada para observar, porque recuar também é estratégia, mas parar nossa luta por igualdade, equidade, respeito e direitos humanos, jamais”, conclui.



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