CASO CANCELLIER

Documentário mostra falhas na investigação que levou o reitor da UFSC ao suicídio

Produção aprofundou história por trás do caso da PF, analisou processos e retratou os últimos dias de vida do professor Cancellier

Reitor se suicidou em 2017, após ser preso e afastado do cargo (Foto: UFSC/Divulgação)
Reitor se suicidou em 2017, após ser preso e afastado do cargo (Foto: UFSC/Divulgação)
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Na segunda-feira foi lançado o documentário “Levaram o reitor – Quando o modelo Lava Jato adentrou uma universidade”, que conta os últimos dias de vida de Luiz Carlos Cancellier, ex-reitor da UFSC que se suicidou em 2017, após ser preso e afastado do cargo em operação da polícia Federal. A produção dos documentaristas Patrícia Faermann, Luis Nassif e Nacho Lemus está disponível no canal da TV GGN, no Youtube.

A história por trás do suicídio de Cancellier e os abusos dos processos judiciais contra o ex-reitor e outros professores da UFSC são investigados no documentário. As gravações foram feitas ao longo de seis meses, com financiamento público pela plataforma Catarse. Os documentaristas analisaram milhares de páginas dos processos no Tribunal de Contas da União (TCU) e Controladoria Geral da União (CGU), além do inquérito da Polícia Federal e as denúncias do Ministério Público Federal (MPF).

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A conclusão foi que a perseguição contra Cancellier o levou ao suicídio. Ele e outros professores foram acusados erroneamente de um desvio de R$ 80 milhões na universidade no âmbito da operação Ouvidos Moucos, da PF. O nome faz referência à acusação de que o então reitor teria obstruído a investigação sobre o suposto esquema de desvio de verbas da instituição federal de ensino.

A delegada da polícia Federal Erika Marena, que ganhou projeção nacional por ter chefiado e batizado a operação Lava Jato, em Curitiba, foi quem pediu a prisão de Cancellier em 2017, autorizada pela juíza federal Janaína Cassol, que pegou licença após a decisão. No dia seguinte, a juíza substituta Marjoriê Freiberger derrubou as prisões, mantendo os investigados afastados dos cargos, mas o caso já havia se tornado um espetáculo midiático na entrevista coletiva convocada pela delegada.

O documentário expõe as brechas e erros nas investigações da operação Ouvidos Moucos, trazendo uma abordagem sobre a vida pessoal e acadêmica do ex-reitor, o detalhamento das acusações contra ele e o perfil dos acusadores. A produção ouviu pessoas próximas de Cancellier, com informações inéditas dos últimos dias de vida dele, e traz relatos de jornalistas.

“Uma investigação profunda, com depoimentos corajosos e humanos, sobre a tragédia que foi o maior grito contra a sanha punitivista de setores do Ministério Público e Polícia Federal nos últimos anos”, destacaram os produtores.

Cancellier se jogou do último andar de um shopping de Florianópolis em 2 de outubro de 2017. “Minha morte foi decretada quando fui banido da universidade”, escreveu em bilhete deixado no bolso.

O relatório final da investigação da PF indiciou 23 pessoas em 2018, incluindo Mikhail Cancellier, filho do ex-reitor, acusado de ter recebido valores desviados. Em 2019, ele e outras 12 pessoas ligadas à UFSC foram denunciadas pelo MPF à justiça e se tornaram réus por crimes de peculato, inserção de dados falsos em sistemas de informação e violação de sigilo funcional. O caso ainda segue na justiça.

A delegada Erika foi alvo de uma sindicância interna, que não apontou irregularidades na conduta. Ela acabou promovia pra chefia da PF em Sergipe e depois chegou a trabalhar para o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, entre o final de 2018 e 2020. A operação Ouvidos Moucos foi encerrada com a morte do reitor, com resultados inconclusivos das acusações e sem qualquer indiciamento contra ele.



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