Animais de rua

Faltam acolhimentos e castrações em Itajaí

Andarilho pediu ajuda pra cuidar de cadela com filhotes. Ele achou a cadela prenha e perambulava com a mãe e os filhotes sob a chuva

(fotos: JOÃO BATISTA)
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Animais de moradores de rua não têm acesso à castração e ninhadas agravam o problema (foto: João Batista)

 

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Animais de moradores de rua não têm acesso à castração e ninhadas agravam o problema (foto: João Batista)

 

Animais de moradores de rua não têm acesso à castração e ninhadas agravam o problema (foto: João Batista)

A lei que obriga a prefeitura a recolher cadelas abandonadas e no cio, incluído fêmeas prenhes ou com filhotes, não está sendo cumprida em Itajaí. Há denúncias de que o município não tem dado suporte pra garantir os cuidados dos animais, que o canil estaria sem receber novos animais e que faltam castrações. A prefeitura informa que o recolhimento é feito nos critérios legais e promete ampliar a castração gratuita.

Um dos casos foi na terça-feira, quando um andarilho estava circulando com uma cadela e filhotinhos recém-nascidos dentro de um carrinho de supermercado sob a chuva. Segundo ele, dois dos filhotes foram perdidos. O homem tinha acolhido a cachorra já prenha e tentava cuidar dela, mesmo sem condições e sem suporte da prefeitura.

Como chovia e os animais estavam em risco, o DIARINHO permitiu que a cadelinha amamentasse os filhotes na sua sede. A cadelinha também recebeu ração, água, cobertas e uma caixinha pra se abrigar. A cena de moradores de rua andando com cachorros é comum na cidade e especialmente na região onde fica a sede do jornal, na rua Telêmaco Pereira Liberato, pertinho da praça da Beira Rio.

Os catadores de recicláveis Christian Wagner Barbalho, de 40 anos, e Rafael Micael de Borba, 26, rodam pela cidade com três pets adotados das ruas. Rafael cuida da Negrita, que ele diz estar prenha de dois meses. “Foi Deus quem me deu. Tava abandonada na rua em Barra Velha”, lembra.

Já Christian tem o Negão e a Preta, que já seria castrada. Na vida nas ruas, o catador conta que se depara com muitos animais abandonados. “Eles que adotam nós, não nós que adotamos eles”, explica. Os catadores desconhecem serviços de castração gratuitos. Eles tratam dos cães com alimentos e rações doadas pela comunidade.

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A diretoria de Defesa Animal do instituto Itajaí Sustentável (Inis) diz que faz o recolhimento e castração. Segundo o órgão, os animais enquadrados nos critérios da lei municipal são resgatados: vítimas de atropelamento e de maus tratos, com debilidade motora, doentes, em gestação ou com filhotinhos, que oferecem risco devido à agressividade e fêmeas (cadelas ou gatas) abandonadas e no cio.

O recolhimento é previsto no caso de denúncia da população ou órgãos de segurança, chamado de emergência ou constatação dos servidores. Os animais resgatados são levados pra unidade de Acolhimento Provisório (Uapa). Sobre a cadela prenha acolhida pelo andarilho, o Inis disse que não recebeu denúncia ou solicitação pra atendimento.

Triagem e atendimento

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De acordo com diretora de Defesa Animal, Suraia Sehn Pereira, que assumiu o cargo no mês passado, o protocolo de recolhimento faz uma triagem, ficando de fora animais saudáveis. “Porque se a gente for fazer, o município não tem suporte pra tantos animais”, observa.

A diretora informa que todas as cadelas no cio com chamada de resgate foram recolhidas e castradas. Após a recuperação, elas são devolvidas ao local onde foram retiradas. “Algumas castradas estão se recuperando e vão ser devolvidas”, disse.

Segundo a diretora, há projeto de aumentar o número de castrações, com polo de atendimento mais centralizado. “Porque hoje as castrações acontecem na Uapa. Sendo mais centralizada e aumentando o número de castrações”, informa.

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Outro trabalho previsto abordará educação e conscientização das famílias. Suraia conta que, também devido à pandemia, muitos moradores se mudaram, deixando os animais na rua ou na casa em que viviam. Pela lei, é o dono do imóvel que fica responsável pelo animal.

“Aí acaba eximindo a responsabilidade do proprietário do animal. Em consequência, os proprietários dos imóveis hoje já não alugam casa pra quem tem animal, porque acontece isso, de ele ser responsabilizado pelo animal que fica”, relata.

Canil público tem 270 animais para adoção

Animais ficam à espera de um lar (foto: arquivo)

A ex-vereadora Renata Narcizo está como gerente da Uapa, que recebe os animais recolhidos pelo município. Ela reforça que a lei obriga a prefeitura a recolher cadelas e gatas no cio e mãezinhas com filhotes. “Se eles estão ou não fazendo, aí é com eles. Nós, aqui da UAPA, estamos pra receber”, diz, relatando que também recebeu queixas. No abrigo, ela destaca que os animais são bem acolhidos e tratados pelos veterinários.

Renata alega que não procedem denúncias de que a unidade estaria lotada e que são comuns mortes por doenças contagiosas. “Estamos, sim, com muitos animais. Com mãezinhas com filhotes, cães resgatados de maus tratos. Mas nesse caso de mães com filhotes e cadelas no cio sempre daremos todo suporte”, afirma. O resgate diz que encaminha ao local todos os casos passíveis de acolhimento.

A Uapa tem, em média, 270 animais pra adoção. O abrigo faz feirinha de adoção de 15 em 15 dias, no 1º e 3º domingos de cada mês. “As mãezinhas são tratadas, castradas e colocadas pra doação”, informa. As castrações são feitas às segundas, terças e quartas-feiras pelos veterinários na unidade, com uma média de 12 animais por dia.

O serviço atende os bairros, por meio de agendamento e com limite de 10 animais. Nessa semana, o atendimento é no loteamento São Francisco de Assis. “Não é uma grande campanha, mas a gente faz aquilo que pode”, alega Renata.

 

Vereadora defende a castração em massa

Aline considera baixo o número de castrações feito pelo município

A vereadora Aline Aranha (DEM) disse que a quantidade castrações feitas pela Uapa é “vergonhosa” diante da necessidade. Ela destaca que o canil não dá conta da demanda e que há pessoas esperando até cinco meses pelo agendamento da castração gratuita de animais.

Para aumentar o número de atendimentos, Aline propôs a criação de uma comissão temporária no legislativo pra tratar da causa animal. A ideia é que o grupo reúna protetoras e entidades pra viabilizar as melhorias.

“É meu desejo poder unir todas as protetoras, porque são elas que sabem das necessidades”, avalia. Uma das propostas é o credenciamento de protetores e clínicas pra realização de castrações, descentralizando o serviço da Uapa.

Um polo de castração no centro também é defendido pela vereadora. “Com a castração em massa é possível reduzir o número de animais abandonados”, avalia.

O Inis e a secretaria da Saúde tiveram reunião pra aumentar o número de castrações, especialmente pra comunidades carentes. Segundo o instituto, também houve a aproximação da Uapa com ONGs e protetores para melhor atendimento dos animais em situação de vulnerabilidade.

 

Casa para dogs

Isi teve oito filhotes

 

Isi tava sendo levada em carrinho de andarilho com filhotes de dois dias (foto: leitor)

 

Isi tava sendo levada em carrinho de andarilho com filhotes de dois dias (foto: leitor)

O andarilho Dan carregava mamãe e filhotes num carrinho de supermercado, sob a chuva, na noite de terça-feira. Dois foram perdidos,  sobraram seis a mãe e seis filhotinhos.

Isi é o nome da mãe, contou o homem. Ela é alegre, tem olhos expressivos e lembra o protagonista do filme "A dama e o Vagabundo". Isi é dócil, mas fica uma fera quando sente qualquer ameaça aos filhotes. Ela está alimentada e acolhida, provisoriamente, na sede do DIARINHO. Como no local há grande circulação de motos, carros e pessoas, a mamãe e os filhotes não podem ficar por muito tempo. Isi já tomou medicação contra pulgas e vermes. Hoje vai tomar banho no pet. Mas o que Isi vai precisar é de um lar para amamentar os filhotes por cerca de 45 dias.  Depois toda a turminha será castrada e colocada para adoção definitiva. Se você puder abrigar a família provisoriamente ou quiser reservar um filhote para adoção, entre em contato no 47 3390-6012.

 

SERVIÇOS

Recolhimento

Site: https://inis.itajai.sc.gov.br/denuncia-ambiental-animais

Plantão: (47) 98857-2144

Castração

Agendamento no 1º dia útil do mês, via WhatsApp (47) 98857-7361

Dados necessários: nome completo, endereço, sexo do animal e espécie.



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