Itajaí

Isso é porque você não conhece o tamanho do coração itajaiense!

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O espírito natalino nem sempre é fácil de definir. Pode ser aquela vontade que dá todo final de ano de reunir a família dispersa para trocar abraços apertados e presentes ansiosamente aguardados. Pode ser uma certa sensação de alívio de dever cumprido, depois que a criançada terminou os estudos, na expectativa de mais uma etapa de vida no ano que vem aí. Mas, para pessoas muito especiais, o Natal tem sabor de solidariedade, de vontade de dividir o pouco que se tem com quem nada tem, de fazer com que esta época traga alegria a quem está em dificuldade. Conheça, a seguir, os verdadeiros Papais e Mamães Noel de Itajaí.

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Jeferson Machado

Em 2002, o gerente de distribuição, Jeferson Machado, 34 anos, teve uma ideia pra levantar um troco e melhorar o caixa da família nas festas de fim de ano: ser Papai Noel particular. Pra isso, colocou um anúncio no jornal e ficou à espera dos clientes. Daí, um cara ligou dizendo que tinha três filhos com três mulheres diferentes, e perguntou a Jéferson se ele poderia entregar brinquedos para os seus filhos em troca de usar a sua caminhonete de som.

“Os R$ 150 que eu ganhei como Papai Noel gastei em balas pra dar às crianças nos bairros de invasão, como a Vila da Miséria e o Promorar. Desde então, toda véspera de Natal, reúno uma grana com amigos e empresários pra comprar brinquedos e fico das 8h às 23 entregando presente”, recorda o Papai Noel peixeiro. Ele conta que reserva metade do 13º salário pra comprar brinquedos para a criançada, inclusive em 2008, quando perdeu todos os móveis na enchente. “Quase apanhei da minha mulher!”, brinca.

Célia Pedro

No Asilo Dom Bosco, na divisa do bairro São Judas com o São João, a rotina dos 67 idosos não muda muito: tem hora pra acordar, pra tomar remédio, fazer as refeições, socializar, tomar banho, rezar, assistir novela, dormir. Visitas de parentes acontecem, mas são raras, por isso que projetos como o “Coral das Senhorinhas e Senhorzinhos” da fadista Célia Pedro ganham em dimensão simbólica. Ela oferece aos idosos a chance de se sentirem na sociedade novamente, entoando músicas de décadas passadas, se apresentando em associações e outras entidades, além de promover uma festinha no dia de Natal.

“Eu faço tudo ao contrário: não ensaio, não exijo perfeição, somos nós que nos adequamos à realidade deles, que embarcamos na sua viagem. Se algum se esquece da letra ou o pianista não conhece a música, damos um jeito e o coral dos desafinados sai lindo, lindo!”, se emociona.

E não é pra menos. Há quatro anos, ao levar o pai para visitar um amigo no asilo, a ex-funcionária dos Correios sentiu um nó na garganta e, de lá pra cá, não passa uma semana sem que faça uma visita, leve alguns pra passear ou tomar um lanche.

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“Conversando com os velhinhos, que não querem mais deixar a gente ir embora, eu percebi a solidão imensa que eles sentem, a falta de afeto e de atenção. Por isso faço questão de fazer a confraternização no dia de Natal mesmo, quando ficam aqueles que a família não foi visitar nem levou pra passar o Natal em casa, e não são poucos, são a maioria”, denuncia.

Anjos Noel

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Em 2010, o estudante de Direito Thiago de Paula, 30 anos, soube que a carateca Eloiza Leu, filha da colega de trampo Joana, então na Fundação Municipal de Esportes, estava precisando de grana pra pagar a passagem e disputar uma competição em Sampa. Como ela não teve sucesso com o empresariado, Thiago se encarregou de custear metade da passagem e percebeu como era boa aquela sensação de fazer algo por alguém, sem esperar nada em troca. E soube através de Eloiza que sua mãe também gostava de fazer trabalho beneficente. “Foi aí que unimos esforços e bolamos o projeto ‘Anjos Noel’, que promove de dois a três eventos por ano pra angariar fundos e brinquedos para doar às crianças no Natal”, revela.

Os eventos são shows de rock com bandas locais como a Ninguém Sabe, Universus e Ou3tórya no Big Pub, point do rock no bairro São Vicente. “Fazemos como os Correios, que recebem as cartinhas das crianças com os desejos de Natal e procuram padrinhos para custear seus sonhos. No nosso caso, cada entidade tem uma caixa. Recolhemos os pedidos e fazemos uma campanha por padrinhos, inclusive nas redes sociais. Depois, os brinquedos são distribuídos no Padre Jacó, Proarte e creches do Cidade Nova e Imaruí”, conta.

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Solidariedade Natalina

Acontadora Juliete Ariane Teixeira, 25 anos, achou que o Natal tinha perdido todo o encanto depois que seu padrinho faleceu, alguns anos atrás. “Sei lá, não era mais a mesma coisa o Natal sem ele. Ficou um vazio tão grande que eu não sabia como preencher”, confessa. Até que ela teve a iniciativa, há três anos, de levar um pouco de alegria às crianças pobres, inspirada pelo projeto Anjos Noel.

Então, toda véspera de Natal, Ariane, o namorado e a colega Ana Clara de Souza cumprem um ritual: encher o carro de brinquedos pra seguir rumo à periferia. “Chegamos de surpresa. Eles ficam muito felizes, mas quem sai ganhando mesmo somos nós. O sorriso deles, o abraço apertado é impagável”, se emociona.

De lá pra cá, quando chega dezembro, Juliete e seus amigos lançam a campanha “Solidariedade Natalina”, convocando a galera pra doar brinquedos. Já chegaram a arrecadar 800, entre bonecas, carrinhos, bolas, bichos de pelúcia e jogos. Os bairros contemplados são Vila da Miséria, Caixa D’Água, N.S. das Graças, aqueles carentes de tudo, menos de espírito solidário.



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