Coluna Exitus na Política
Por Sérgio Saturnino Januário - pesquisa@exituscp.com.br
A vida e as lições
As regras da formação social dos indivíduos, os processos de socialização e de sociabilidade são incorporados por dois caminhos. Um deles é executado pela familiarização com o mundo que nos é externo. Este mundo já estruturado administra os instrumentos de apropriação e formação da vida, de modo prático, pela inserção dos valores e regras que contornam as rotinas das pessoas ao redor de uma criança. É um sistema complexo de controle diário sobre a forma de pensar, de agir e de sentir. Todos os preceitos e prescrições são apreendidos pela criança, e isto garante a integração e o contato prolongado das interações na comunidade familiar e na amplitude social. Tudo como se fosse natural, sempre naturalizado. As experiências adquiridas e o comportamento do indivíduo na demonstração da experiência adquirida são exposição da aceitação e da interiorização dos valores de vida daquele grupo. A tal “liberdade” tem escolhas e seções nas quais você foi inserido. Inescapável!
A outra forma de integração dos membros de um grupo se faz pela aprendizagem institucionalizada. Esta pressupõe um conjunto de racionalizações do mundo, no mundo, com o mundo. Ela deixa rastros nas relações de distinção entre os integrantes de um grupo. A aprendizagem institucionalizada privilegia o saber frente à experiência cultivada durante a trajetória de vida, sacrifica a contemplação para sobrecarregar o discurso lógico-instrumental. Neste campo estruturado da sociedade cada um dos integrantes, secundarizadas suas correntes de formação, é submetido aos mesmos testes de validade instrumental e organizados na ordem do discurso. A tal “liberdade” tem escolhas e seções nas quais você foi inserido. Quase-inescapável!
Quando eu nasci, nos idos de 1960, num povoado diminuto em quantidade, mas com os mesmos volumes sociais e culturais de qualquer canto do mundo, a formação pela familiarização com o mundo [processo de interiorização do exterior], mostrou as tangências sociais e culturais bem definidos. Vivíamos a experiência quase-medieval caracterizada pela pesca, e agricultura de subsistência. Para evitar cruzamentos consanguíneos, manteve-se as características dos pequenos grupos por atribuição a animais [Cabritos, Carneiros...] e produtos internos [“Farinha Seca”, “Laranja Azeda...]. As mulheres, de forma geral, eram encaminhadas para o casamento, procriação. O casamento era uma “fuga planejada e esperada”, “rompimento institucionalizado aceito” com a família original [José “fugiu” com Maria]. Nada inesperado, era assim com os vassalos. Aos homens eram consignados os atributos públicos. O irmão mais velho estava orientado a aprender as regras da manutenção material da família – cópia transmutada do pai; o irmão do meio deveria servir às forças armadas ou agir como assim fosse – uma encomenda do Senhor Feudal. O mais novo serviria à Igreja, ou as artes, ou às ciências humanas. Cada um dos homens tinha sua trajetória bem-marcada, e a forma de inculcação se dava pela familiaridade com os processos. “Natural” porque naturalizado: “é assim...”
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