O caos começou quando os agentes foram acionados para verificar uma ocorrência de disparo de arma de fogo no bairro Santa Regina. No local, os moradores do prédio confirmaram que os tiros aconteceram em um dos apartamentos. Os policiais também foram informados que o atirador estava em possível surto psicótico. Por conta da gravidade da situação, outras pessoas foram acionadas para prestar apoio.
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Na entrada do apartamento, os policiais notaram a porta arrombada e encontraram marcas de disparos na parede da sala. O homem se trancou no banheiro do quarto com os quatro reféns. Duas cápsulas de nove mm foram achadas no quarto.
Momentos de tensão
Como o homem estava mantendo quatro pessoas em cárcere privado, o Oficial de Dia e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram acionados. Para assegurar a integridade física dos reféns, os agentes começaram o contato verbal com o agressor.
A conversa durou 10 minutos e foi seguida por um silêncio absoluto. O homem deixou de responder aos chamados dos policiais. Logo depois, a porta do banheiro foi aberta, com as vítimas saindo uma a uma. Um dos reféns saiu com a arma de fogo e a arremessou na cama.
O agressor foi o último a sair e com sinais de agitação extrema. Segundo a PM, ele aparentava estar sob efeito de cocaína, já que estava completamente alterado e resistia a abordagem. Os policiais precisaram usar força para conter e algemar o homem.
Relato das vítimas
Uma das reféns, identificada como R. D., contou que estava no apartamento com a mãe, a irmã e o filho quando escutou baterem na porta. O filho se recusou a abrir a porta. Ela mesma abriu e se deparou com o homem armado. Rapidamente, ela trancou a fechadura, mas a porta acabou arrombada.
O homem entrou com a pistola apontada pra todos e mandou que eles fossem pro quarto. Ele dizia frases desconexas como: “apaga as luzes que estão entrando”. A mulher relatou que, quando todos da família estavam no quarto, ouviram dois tiros na parede.
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O atirador obrigou a família a entrar no banheiro e, em seguida, entrou também, trancando a porta. Mesmo no cômodo pequeno, o homem repetia frases sem sentido e apontava a arma em direção aos reféns.
Com a situação controlada, os policiais descobriram que o homem, identificado como L. S., estava hospedado no apartamento de uma amiga, no mesmo prédio. A mulher, A. A., contou que conhece L. há muito tempo e que o amigo chegou em sua casa para irem a uma festa.
Segundo A., o amigo começou uma história estranha por volta das 17h, perguntando o nome de todos os moradores do prédio. Ele ainda disse que teria visto drones sobrevoando e pessoas espionando a amiga pela janela. Quando a amiga começou a se arrumar pra festa, L. a trancou no apartamento e desceu. Ela logo ouviu uma porta sendo arrombada, seguida por gritos e tiros.
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A mulher contou aos policiais que L. nunca teve esse tipo de comportamento antes. Ele estaria passando por problemas psicológicos e afastado do trabalho por conta da depressão. Nos pertences do homem, os policiais encontraram uma Carteira de Identidade Funcional da Polícia Penal do Rio Grande do Sul, confirmando que era um agente público.
A PM ainda encontrou nove embalagens com resquícios de cocaína e uma bucha da droga. A pistola Taurus G2C 9 mm com 10 munições intactas e um iPhone 15 foram apreendidos. As polícias Civil e Científica também estiveram no local.
O homem foi preso e encaminhado à delegacia. As vítimas também foram levadas para prestar depoimento. O policial penal afastado vai responder por cárcere privado, disparo de arma de fogo, violação de domicílio e posse de drogas para uso pessoal.
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