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Governos de transição


Há governos que são, necessariamente, de transição. Não porque seja desejoso do governante, mas porque há exigências sociais e políticas de finalizar algo que persiste em marcar a vida e o tempo em que se vive a cada amanhecer. Não é vontade do governante porque, como numa família de muitos filhos, cada irmão se dispõe a ser único e não uma passagem entre filiados. Olhando somente para si, o nascido não percebe que existe num emaranhado de existências, com relógios que marcam o antes e antecipam o depois. Os relógios que marcam as passagens têm ponteiros que vão da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, sem se preocupar com qualquer conteúdo ideológico. A diferença entre direita e esquerda é justificada pelo horário em que vão ao templo, mas vão ao templo!

O tempo é causa ocasional das transferências. Os governos de transição precisam entender as últimas ocorrências e suas repetições. É necessário compreender que os ponteiros regressivos giram no contratempo, no contraverso e tiram das pessoas a sensação primitiva de mudança. Instalam a teimosia do mesmo amanhecer, da ausência de progressão, do correr sem corrida. Depois de amanhecer nas mesmas manhãs, de almoçar as mesmas comidas, de olhar as mesmas gentes, de respirar o mesmo ar, há inconformismos com o tempo.

A mudança no desejo das pessoas acelera o ocasional das transferências do tempo. Nestes casos, é necessário interpretar os desejos das gentes, das genéticas políticas que deixam a adolescência, da necessidade de novas manhãs, outro ar tragado pelas narinas no mesmo sol.

Por vezes, tempo e desejos e necessidades se combinam, atualizam os ponteiros e giram na mesma direção em velocidades diferentes.

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O tempo é causa ocasional das transferências. Os governos de transição precisam entender as últimas ocorrências e suas repetições. É necessário compreender que os ponteiros regressivos giram no contratempo, no contraverso e tiram das pessoas a sensação primitiva de mudança. Instalam a teimosia do mesmo amanhecer, da ausência de progressão, do correr sem corrida. Depois de amanhecer nas mesmas manhãs, de almoçar as mesmas comidas, de olhar as mesmas gentes, de respirar o mesmo ar, há inconformismos com o tempo.

A mudança no desejo das pessoas acelera o ocasional das transferências do tempo. Nestes casos, é necessário interpretar os desejos das gentes, das genéticas políticas que deixam a adolescência, da necessidade de novas manhãs, outro ar tragado pelas narinas no mesmo sol.

Por vezes, tempo e desejos e necessidades se combinam, atualizam os ponteiros e giram na mesma direção em velocidades diferentes.

O governo de transição e os governantes das passagens precisam carecer de si mesmos, deixar-se como irmão-prodígio, para ser cuidador do grupo, submeter-se à família e controlar o tempo e as coisas que são e o tempo e as coisas que virão. Não será um líder revolucionário porque lhe falta a causa revolucionária; não será o astro luminoso, senão a chuva que alimenta o verde, o amarelo, o vermelho, o azul e todas as cores que se veem.

Para ser um grande político, obter o reconhecimento que sempre se fará pelos outros olhos, ou para ser um líder deferido em méritos, é fundamental que apresente, antes do poder institucional, o planejamento como valor, organização como segurança. Planejamento e organização são valores de identidade política, de perfis sociais, de demonstração de caráter político. Planejamento e organização, como ouro que se inala, em tempos de transição valem mais do que o mando, a execução, a imposição.

A força do braço, o grito da garganta, a mão que soca a mesa não farão o tempo se alterar. É a conduta de revisão, o comportamento de ajustes, o equilíbrio das decisões que farão com que os ponteiros do tempo e os desejos das gentes se ajustem às manhãs inspiradoras e expiradoras de esperanças. Talvez o governante de transição não tenha a paciência de ser depois, porque deseja transformar a realidade ontem. O tempo não deixa!

 

JANUÁRIO, Sérgio S.

Mestre em Sociologia Política


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