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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

Carijós, Peabiru e a foz do Itajaí


A imprensa noticiou na semana passada que vereador da cidade de Joinville abriu processo contra a jornalista e historiadora Rosana Bond, maior especialista brasileira nos estudos sobre o Peabiru.

Acontece que o vereador pretende oficializar através da Câmara Municipal que o famoso caminho indígena passava também pelo território do hoje município de Joinville. Claro que a historiadora catarinense deveria mesmo se contrapor à inciativa, porque a proposta não tem nenhuma base histórica.

Era o Peabiru uma trilha indígena que partindo do litoral chegava até a famosa Serra da Prata, no interior da América do Sul, entre o que agora é  Bolívia e  Peru. Esse caminho, medindo cerca de um metro e meio de largura, afundado no solo por quase 30 centímetros,  tinha dois ramais: um partindo de São Vicente e Cananeia, em São Paulo, e outro começando à margem continental da baía Sul da Ilha de Santa Catarina.

Foram os guaranis que abriram esse caminho ao se deslocarem do interior sul-americano para o litoral do sul do Brasil e nele transitaram por séculos de idas e vindas, o que acabou por perenizar esse itinerário. Os tupi-guaranis, ao se instalarem no litoral, daqui expulsaram os tapuias, que quer dizer “os outros”.

Os carijós, descendentes daqueles primeiros tupi-guaranis, guardavam memória de seu lugar originário e do caminho para lá se chegar. Foram eles que passaram tal informação a náufragos e  viajantes do século XVI. O ramal catarinense seguia pelo litoral e na altura de Camboriú derivava em direção ao Rio do Meio até encontrar o rio Itajaí-mirim em Itaipava. Dali para frente, seguia margeando esse rio até sua foz na Barra do Rio, onde atravessava o Itajaí-açu para a margem direita.

Dali em diante percorria novamente o litoral até a foz do rio Itapocu, em Barra Velha. Margeando o Itapocu atingia o planalto paranaense e encontrava o ramal do Peabiru que vinha do litoral paulista e o rio Iguaçu, que desemboca no rio Paraná, pelo qual atingia o interior sul-americano.

Foi esse caminho que em 1524 o náufrago português Aleixo Garcia, à frente de outros companheiros e de centenas de carijós, percorreu até chegar às minas de ouro e prata do alto Peru, atual Bolívia. Sua expedição somente não se coroou de pleno êxito porque Garcia acabou morto ao voltar para Santa Catarina. Mas alguns companheiros, carijós e parte das riquezas recolhidas conseguiram chegar até o litoral catarinense.

Vê-se que o Peabiru não cortava mesmo o território joinvilense, pois que fletia para o interior, a partir da foz do rio Itapocu, portanto, bem antes das terras da Cidade dos Príncipes. Tem razão, pois, Rosana Bond em contraditar o desinformado edil e nenhuma razão tem ele para a querer processar.   


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