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Chiclete mascado embaixo do banco


Já tinha acontecido. A passagem já era fato e não havia como retornar. A Política já fizera suas primeiras transformações. Pensando no processo eleitoral municipal a ocorrer, muitos se alojam nos modelos que não se fazem eficientes para se comunicar com todos os arranjos possíveis e necessários. Depois da instauração da Pós-Modernidade como conceito de fluidez e dissolução dos indivíduos, as relações entre pessoas e o encanto sobre a esperança no mundo serviram de desregulamentação das interações. As instituições antes imponentes do comportamento social e político perderam em penetração sobre os desejos dos indivíduos.

Os perfis políticos também foram alterados. Nada mais é como o todo poderoso líder capaz de soltar suas vontades como material celestial ou bélico. Nenhuma guerra, atualmente, sustenta a liderança e o líder. Ao contrário, coloca o preposto em questionamento. Ainda que possa gerar alguma satisfação por algum tempo para uns ou outros, e até deslocar a imagem de que há um conjunto integrado de soldados, a imagem de solidez se dissolve no ar como um trovão na tempestade. Muito barulho, um tanto de medo instantâneo e a passagem para a próxima cena.

Há novos modelos de relacionamentos sob as pessoas, entre cavernas de isolacionismo individual e sistemas de vigilância que colocam mercadorias e serviços tal qual se pensou em querer diante da tela. Religião, escola, família, sistema de segurança e poder público se tornaram apenas meios pouco volumosos aos passos das pessoas que circulam pelas vias sem rumo das redes sociais.

A Política está a experimentar refeições fora de seus cardápios tradicionais. O alimento se verte de outsiders, experimentos químicos incertos e combinações físicas carregadas de surpresas ...

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Os perfis políticos também foram alterados. Nada mais é como o todo poderoso líder capaz de soltar suas vontades como material celestial ou bélico. Nenhuma guerra, atualmente, sustenta a liderança e o líder. Ao contrário, coloca o preposto em questionamento. Ainda que possa gerar alguma satisfação por algum tempo para uns ou outros, e até deslocar a imagem de que há um conjunto integrado de soldados, a imagem de solidez se dissolve no ar como um trovão na tempestade. Muito barulho, um tanto de medo instantâneo e a passagem para a próxima cena.

Há novos modelos de relacionamentos sob as pessoas, entre cavernas de isolacionismo individual e sistemas de vigilância que colocam mercadorias e serviços tal qual se pensou em querer diante da tela. Religião, escola, família, sistema de segurança e poder público se tornaram apenas meios pouco volumosos aos passos das pessoas que circulam pelas vias sem rumo das redes sociais.

A Política está a experimentar refeições fora de seus cardápios tradicionais. O alimento se verte de outsiders, experimentos químicos incertos e combinações físicas carregadas de surpresas. Como ninguém abre mão de sua segurança ontológica, todo o cenário requer terreno com um tanto de solidez e passos em chão firme. É preciso mais do que boa intenção: interpretação e gestão são fundamentais.

É provável que aqueles que estão envolvidos e se consideram representantes da política do cotidiano, nos invólucros das câmaras de vereadores, nos caminhos trilhados por padrinhos, serão quase desconsiderados pela população eleitoral. O cenário indica que, para ser o desejo de candidato eleitoral, não se pode estar grudado, como chiclete mascado embaixo do banco de praça, na política dos desfechos já feitos.

Oposição ao governo representa muito pouco. Talvez um sussurro dito em estado de embriaguez depois do fim da festa. Situação, os beneficiários secundários do poder executivo, são desconsiderados em identidade e autonomia e sucumbem à servilidade da imposição do mandatário. Independência entre os poderes é outro lugar! Autonomia e independência são condições de quem está longe dos privilégios e guerras políticas.

Para a população eleitoral, os contaminados pela política de todos os dias não podem representar esperanças, tampouco mudança, nem mesmo um respiro de renovação. A troca de nomes não é o encontro com o novo, apenas alternância de pessoas no mesmo ciclo.

Virá de fora dos albergues do cotidiano a necessária transformação do espírito da República, como encarnação estranha ao corpo político. Virá de fora dos sonhos do poder a condição de traçar a linha do tempo de um novo tempo. Não será dentro das células políticas tradicionais que nascerá o rebento de inspiração de esperança. A mitose da nova política não virá da reprodução dos mesmos corpos!


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