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Coluna Fato&Comentário

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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

Menino Jesus, São Nicolau, velho pom-pom e Papai Noel


Menino Jesus, São Nicolau, velho pom-pom e Papai Noel

Na festa do Natal o principal protagonista, sem sombra de dúvida, é Jesus Menino, causa da grande festa cristã. A fé cristã ensina que o nascimento de Jesus trouxe alegrias e paz a homens e mulheres, porque com ele se cumpriu a promessa de redenção de toda a humanidade.

De fato, além de oportunizar redenção a cada pessoa, que é seu escopo maior,  os ensinamentos cristãos propiciaram o nascimento e desenvolvimento de uma civilização apoiada em valores universalmente aceitos. Que tais são:  a igualdade entre todos os homens e mulheres -  a sacralidade da pessoa humana, garantia de liberdade e de justiça; defesa de pobres  e oprimidos; criação dos primeiros hospitais, albergues e asilos; desenvolvimento das noções básicas da moderna economia; a beleza incomparável criada na arquitetura e artes plásticas religiosas;   a criação da Universidade, cuja instituição mudou o mundo; e, apesar de críticas sem pleno conhecimento de causa, apoio e patrocínio ao crescimento da moderna ciência e da filosofia que levou a razão à sua plenitude.

Todavia, a cultura popular e o mercado acabaram por ocasionar no Ocidente o surgimento de outras personagens ligadas às festas natalinas, nem todas referenciando o significado e valores desse acontecimento essencialmente cristão. Vai se tratar das figuras de São Nicolau, do Velho Pom-pom  e do Papai Noel.

São Nicolau, bispo de Mira, do século IV,  na velha região da Lícia grega, hoje Turquia, de quem se faz memória no dia 6 de dezembro, por sua fama de bondoso com as crianças e de presenteiro, acabou sendo festejado com a entrega de presentes aos pequenos, notadamente doces e balas. Também por aqui era costume as crianças fazerem seus “ninhos de São Nicolau”, pratos decorados com folhas verdes e flores, em que ganhavam  as guloseimas. Dizem alguns que o mercadológico Papai Noel foi inspirado no santo bispo de Mira; tanto que em inglês ele é chamado de Santa Claus, corruptela de Saint Nicholas.

Já o nosso Velho Pom-pom é também de certa maneira derivado de São Nicolau, pois que essa personagem também é um velho de longas barbas e traz às costas um saco de presentes que distribui às crianças. O Velho Pom-pom costumava circular entre as casas da vizinhança, nessa época de antes do Natal. Era alguém que alegrava a criançada com seus modestos presentes, mas que lhe inspirava certo medo, porque aquele ou aquela que se vestia como tal lhe dava a aparência nada agradável de um velho andarilho.

Entretanto, nenhuma das duas personagens anteriores buscou elidir Jesus recém-nascido tal qual o fez o performático Papai Noel.  Este, sabe-se, foi criação, nas décadas de 1920 e 1930, de uma indústria norte-americana de refrigerante famoso. Ele surgiu como propagandista do conhecido refresco preto, de modo a alavancar sua venda, associando a bebida às refeições da época do Natal. Tanto que as cores da roupa de Papai Noel são as  da propaganda desse refrigerante e o seu trenó de renas do polo Ártico carregado de presentes, entre os quais com certeza a bebida, sugere que ela deva estar gelada para o consumo.

Agora, em 2022, pois,  os votos são:  que neste Natal se tenha menos atenção a personagens mercadológicas e performáticas e que muito mais  mentes e  corações estejam voltados ao Menino Jesus, que veio ao mundo com a inspiradora mensagem de: “Paz na terra aos homens de boa vontade”.


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