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Coluna Fato&Comentário

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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

“Verde que te quero verde”


Este verso inicial do famosíssimo “Romance Sonâmbulo”, poema-síntese da obra “Romancero Gitano”, do célebre poeta andaluz Frederico Garcia Lorca, um dos grandes nomes da literatura espanhola, fuzilado aos 38 anos, uma das primeiras vítimas da Guerra Civil da Espanha, que começara naquele ano de 1936, vem à mente a propósito do destino das árvores da avenida Coronel Marcos Konder.

É sabido ser Itajaí uma das cidades de ruas menos arborizadas. Por aqui,  a primeira rua com árvores plantadas, no cuidado da estética e do meio ambiente,  fora a avenida Andrade Müller, hoje, José Eugênio Müller,  no bairro Vila Operária, o bairro urbanisticamente planejado  em 1924. Com mudas de figueiras assentadas no canteiro central, ela ficou conhecida como “rua das figueirinhas”. Mas quando as figueiras frondosas embelezavam a avenida,  se quis dar prioridade ao moderno trânsito. Então, desfez-se o canteiro central e se  cortaram as árvores!

Vem daí essa triste sina que se vive na cidade. A cada mudança urbanística, árvores precisam ser suprimidas. Isso aconteceu na avenida Reinaldo Schmithausen e agora, recentemente, na avenida do Contorno Sul, quando,  para se criar uma terceira pista,   árvores também  foram cortadas.

Aliás, a avenida Reinaldo Schmithausen  é um testemunho desolador e deprimente da imensa via pública, ampla, sem nenhum programa de arborização. Ali falhou rotundamente o tímido plantio de pequenas mudas de manacá no canteiro central. Igual fiasco se teve na avenida Osvaldo Reis. Tudo bem se planejou para o trânsito de veículos. Todavia, não se conseguiu acertar um bom projeto de arborização. O que tem faltado?    

Aqui e ali, veem-se  iniciativas de plantios semelhantes em outras vias com esquálidas mudas, pequenas, pouco resistentes, quase varetas, à beira das calçadas, largadas à própria sorte. Há que se pensar em ações mais afirmativas, com material de melhor qualidade, mudas adultas, robustas,  que chamem a atenção da população para o real interesse público na arborização; à semelhança da Praça da Matriz.

O DIARINHO agora noticia que, a se reurbanizar a avenida Coronel Marcos Konder, não se poderá fazer a derrubada das árvores ali existentes por força de um ajustamento de conduta firmado entre  o órgão curador do meio ambiente e a municipalidade.   

Isso é uma boa notícia, porque se fica sabendo que aquilo que se vier a fazer com as árvores da avenida estará sob os cuidados e a tutela do Ministério Público, curador do meio ambiente. Nem se imagina que o curador não vá ter todo o seu zelo protetor  e cuidado com as suas curateladas, as simpáticas, embelezadoras e indefesas  verdes árvores da avenida Coronel Marcos Konder.

Enfim, como o poeta andaluz, é preciso insistir: “Verde que te quero verde” – Itajaí!


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