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Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria


A Ironia da Dor: Dançando nas mesmas curvas que um dia nos fizeram chorar


Publicado 05/12/2025 10:09

Há uma complexidade fascinante na natureza humana: nossa relação cíclica com o sofrimento. Costumamos acreditar que o tempo cura tudo e que, uma vez aprendida a lição, jamais voltaremos ao lugar que nos feriu.

Mas será mesmo?

Quantas vezes não nos pegamos, anos depois, com as cicatrizes já fechadas, buscando a adrenalina exatamente nos mesmos cenários que antes nos causavam agonia? O poema de hoje é uma observação sobre esse paradoxo. É sobre como a maturidade, às vezes, não nos afasta do abismo, mas nos ensina a voar sobre ele — até que a gravidade nos lembre de quem somos.

Com vocês, a ironia de nossos passos repetidos.

A Ironia da Dor

Por Alfa Bile

 

Incrível.

Te vi chorando,

sofrido,

agonizando.

 

Em ruas sinuosas,

vi teu padecer.

 

O tempo passou,

levou tua dor,

amadureceu

teu pobre viver.

Aprendeste a ser só.

 

Ironia:

que te excitas

ousando,

voando

nas mesmas curvas

onde te vi chorar.

 

Segues,

traçando passos incertos,

repetidos,

validando a ironia

da tua própria dor.


Este poema nasce da observação do outro, mas ecoa em todos nós. As "ruas sinuosas" são metáforas para aqueles relacionamentos, vícios ou situações de vida que nos dobram até quebrar.

A grande ironia que destaco não é o fracasso da cura, mas a transformação do cenário da dor em um parque de diversões perigoso. "Aprender a ser só" deveria ser um escudo, mas, por vezes, torna-se a licença para "ousar e voar" nos mesmos territórios perigosos. É a validação da ironia: somos tão resilientes que nos tornamos capazes de sentir prazer na beira do precipício que antes nos aterrorizava.

São passos incertos, sim. Mas são, inevitavelmente, humanos.

Você já se percebeu voltando a situações que antes te faziam sofrer, não por tristeza, mas por uma estranha busca por emoção? Você acredita que isso é superação ou apenas a repetição de um ciclo?

Deixe sua opinião nos comentários. O debate é o que mantém a poesia viva.

Alfa Bile Artista visual, poeta e colunista do VersoLuz




 


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