SANTA CATARINA
Ambientalistas criticam o aumento de praias poluídas
SC passa de 26% para 34% pontos poluídos em 90 praias
Juvan Neto [editores@diarinho.com.br]
O aumento de cerca de 10% no número de praias impróprias para banho em Santa Catarina, exposto pelos dois mais recentes relatórios de balneabilidade do estado, publicados, respectivamente, em 30 de janeiro e nesta sexta-feira pelo Instituto do Meio Ambiente (Ima), reforça o alerta e a preocupação entre ambientalistas catarinenses. Eles criticam o que classificam como resultado de anos de crescimento urbano sem planejamento, avanço sobre áreas sensíveis e falta de investimento em políticas públicas de saneamento.
Um dos críticos ao aumento no número de pontos impróprios para banho é o ambientalista e deputado estadual Marcos Abreu, o Marquito (PSOL). Ao parlamentar, engenheiro agrônomo de profissão, somam-se ativistas como o oceanógrafo Gilberto Manzoni, de Penha, o morador João Conde, de Balneário Piçarras, e outros moradores preocupados com o cenário.
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Conforme o novo relatório, o estado tem 90 pontos poluídos, o equivalente a 34,6% do total monitorado. Para se ter ideia da escalada da contaminação, os relatórios anteriores, de novembro e dezembro de 2025, mostram alta contínua: eram 26% de pontos impróprios em novembro, subindo para 32% em dezembro, até atingir 35% no relatório de 30 de janeiro e recuar levemente na medição apresentada nesta sexta – a qual totalizou 34,6%.
No litoral norte, seguem problemas de balneabilidade em praias de Balneário Camboriú — atingindo inclusive trechos de praias agrestes —, Barra Velha, Penha, Itapema, Balneário Barra do Sul e Navegantes. “Isso é resultado de anos de crescimento urbano sem planejamento, avanço sobre áreas sensíveis e da falta de investimento em políticas públicas estruturantes de saneamento”, acusa Marquito.
“Hoje, Santa Catarina tem cerca de 33% de cobertura de esgoto, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. O litoral cresce, recebe mais moradores e turistas, mas a infraestrutura não acompanha. O esgoto continua indo parar nos rios, lagoas e no mar”, completa o parlamentar.
Além do problema no litoral norte, Marquito cita situações em Florianópolis, onde a Joaquina voltou a aparecer como imprópria, e em Governador Celso Ramos, onde cerca de 80% dos pontos monitorados estão impróprios. “Também acompanhamos episódios graves em Itapema e Bombinhas”, relaciona.
“Infelizmente, a situação é cada vez pior: expansão imobiliária sem infraestrutura básica. Muito triste”, considera o oceanógrafo, maricultor e doutor em aquicultura Gilberto Manzoni. “A questão do saneamento não é só turismo: é saúde pública e afeta os dois setores. Temos poucos avanços”, lamenta.
Balneário Piçarras e Bombinhas na mira
Manzoni pontua que cidades como Bombinhas, que cobra a famosa taxa ambiental para acesso ao município, ainda não conseguem solucionar o problema. “As concessionárias não conseguem dar jeito, se arrastam na questão do saneamento e a gente vê isso com bastante tristeza”, completa.
E nem mesmo praias com melhor padrão, como Balneário Piçarras, onde a orla é 100% certificada pelo programa Bandeira Azul, estão livres. “Aqui em Balneário Piçarras o rio está totalmente poluído, chegando ao mar”, observa o morador João Conde. “Estamos vivendo uma triste e crescente situação, cuja tendência é se perpetua…
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Juvan Neto
Juvan Neto; formado em Jornalismo pela Univali e graduando em Direito. Escreve sobre as cidades de Barra Velha, Penha e Balneário Piçarras.
