BALNEÁRIO
Cerca elétrica de creche cai e mata dogue alemão de vizinha
Tutora tentou salvar o cão, mas animal morreu
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
A médica Raquel Lopes, de 41 anos, registrou boletim de ocorrência na Central de Plantão Policial após a cerca elétrica da creche Centro Educacional Vila do Saber cair dentro de seu terreno. O cão da família, um dogue alemão chamado Lorenzo, morreu eletrocutado ao encostar nos fios. O caso foi por volta das 7h30 de segunda-feira, na rua Dom Luiz, no bairro Vila Real, em Balneário Camboriú.
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“Ouvimos o cachorro gritar e fomos ver o que estava acontecendo. Achamos que ele estava convulsionando, mas quando meu noivo foi puxá-lo, tomou um choque muito forte. Vimos que ele estava com um fio de cerca elétrica na boca. Enquanto meu noivo tentava tirar o fio e levava vários choques, fui cortar a cerca com um alicate”, relatou Raquel.
A médica pediu ajuda para funcionários da creche, que é particular, mas ninguém a atendeu. “Corri para desligar o disjuntor da escola. Antes disso, pedimos várias vezes ajuda para as pessoas que estavam no pátio da creche e ninguém fez nada. Tinha três funcionárias ali. Tentei reanimar o Lorenzo, mas não consegui”, lamentou.
O noivo de Raquel sofreu um ferimento no braço ao ser mordido pelo cão durante o desespero. “Imagina a dor que ele estava sentindo. Fomos falar com os responsáveis pela escola, mas ninguém quis informar quem era o dono ou fornecer um telefone de contato”.
Mais tarde, o casal descobriu que falava justamente com os proprietários da creche. “Ele disse que era impossível, que a cerca estava desligada há um ano”, contou Raquel.
O secretário de Educação de BC, Leandro da Silva, o Índio, informou que embora a unidade seja particular, ela está ofertando vaga de polo de férias para a rede municipal.
Vistorias nas creches
Com a morte do dog, a secretaria de Educação fará uma inspeção nos 13 imóveis autorizados a receber crianças durante o polo de férias, que começou na segunda e segue até 6 de fevereiro. “Como não conhecemos as estruturas, por serem creches particulares, será uma forma de prevenção e planejamento”, explicou Índio. No total, o município disponibilizou 1,5 mil vagas para crianças de 4 a 5 anos.
Sobre o incidente com a morte do animal, Índio afirmou que a Defesa Civil não interditou o espaço. Houve apenas o isolamento da área onde aconteceu a queda da cerca para perícia. Um laudo técnico foi elaborado após a visita à creche. De acordo com o laudo assinado pelo engenheiro eletricista Alexandre Denardin Cardoso, a vistoria foi feita no dia 5 de janeiro, por volta das 18h, pra verificar se a cerca elétrica estava energizada e se representava risco às pessoas. A inspeção se concentrou no terreno da creche, especialmente nos fundos e no muro lateral que faz divisa com o terreno vizinho.
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Durante a inspeção visual, o engenheiro encontrou um único ponto de energização nos fundos, mas o condutor da cerca elétrica estava desconectado, sem contato com qualquer fonte de energia. A fiação estava cortada, sem conexão com rede elétrica ou equipamento. Também foi verificado que a cerca apresentava diversas avarias e trechos cortados, especialmente no muro lateral. O engenheiro diz que testes de contato físico e medições nos cabos confirmaram a ausência de energia. O laudo concluiu que o equipamento estava naquele momento desenergizado. O documento recomendou que a cerca seja refeita ou completamente removida.
Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
