VENEZUELA
Prisão de Maduro e crise interna: reflexos em Santa Catarina
Escalada militar dos EUA e instabilidade global reacendem debate sobre economia, imigração e política
Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]
As buscas na internet por “Maduro” e “Venezuela” dispararam após o anúncio do governo dos Estados Unidos sobre uma ofensiva militar no país vizinho, que resultou na prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. A ação, a primeira intervenção direta dos EUA na América Latina em quase 40 anos, reposiciona o debate internacional e levanta uma questão central: o que muda para o Brasil e, especialmente, para Santa Catarina?
A crise impactou diretamente o mercado do petróleo. Mesmo com leve alta do barril, ações de petroleiras brasileiras operaram em baixa na B3, refletindo a cautela dos investidores diante da incerteza global. Especialistas apontam que a expectativa de maior oferta, caso empresas norte-americanas assumam a produção venezuelana, pressionou momentaneamente os preços.
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A Venezuela detém a maior reserva de petróleo do mundo, estimada em cerca de 300 bilhões de barris. Para Santa Catarina, a Federação das Indústrias do Estado (Fiesc) avalia que ainda é cedo para medir impactos diretos, já que o comércio com o país é pouco representativo. A entidade, no entanto, acompanha possíveis reflexos indiretos no cenário econômico e nas relações comerciais internacionais.
Imigração e atenção ao mercado de trabalho
Outro ponto sensível é a imigração. Santa Catarina já recebeu mais de 40 mil venezuelanos nos últimos anos, segundo a Polícia Federal. Muitos estão inseridos no mercado de trabalho industrial.
“A indústria catarinense conta hoje com a força de trabalho de venezuelanos para suprir a demanda por mão de obra”, afirma Ulisses Seleme, da Fiesc. Dependendo do desfecho político, parte desses imigrantes pode retornar ao país de origem, alterando a dinâmica local.
Em Blumenau, venezuelanos foram às ruas neste sábado para comemorar a prisão de Maduro, enquanto outros buscaram contato com familiares em meio à incerteza.
Polarização política e riscos diplomáticos
A crise também gerou repercussão política. O governador Jorginho Mello (PL) comemorou a prisão de Maduro, afirmando que ele “teve o fim que merecia”. Já o presidente Lula criticou a ofensiva dos EUA, classificando a ação como uma afronta à soberania venezuelana.
Analistas alertam que um posicionamento mais favorável ao governo venezuelano pode tensionar relações com os Estados Unidos, especialmente em um momento sensível para negociações comerciais. O cenário envolve ainda disputas geopolíticas mais amplas, com interesses de EUA e Rússia na região.
Embora os impactos diretos sobre Santa Catarina sejam limitados, por enquanto, os efeitos indiretos exigem atenção constante, seja no mercado de petróleo, na dinâmica migratória ou nas relações diplomáticas do Brasil. Em um contexto de instabilidade geopolítica e polarização política, decisões tomadas no plano internacional tendem a ser sentidas além das fronteiras, com possíveis reflexos econômicos e sociais no estado, no país e no mundo.
Redação DIARINHO
Reportagens produzidas de forma colaborativa pela equipe de jornalistas do DIARINHO, com apuração interna e acompanhamento editorial da redação do jornal.
