Matérias | Especial


Terra indígena

Articuladores dão prazo para garimpeiros irem embora

Data limite é até 6 de abril e foi informada pelos próproios porta-vozes do grupo

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

A ´partir do dia 6 de abril, espaço aéreo, rios e estradas devem ser todos fechados  (foto: Agência Pública)
A ´partir do dia 6 de abril, espaço aéreo, rios e estradas devem ser todos fechados (foto: Agência Pública)


Áudios que circulam em grupos de garimpeiros de Roraima indicam que os invasores estão sendo orientados, pelos seus próprios porta-vozes e articuladores políticos, a saírem da Terra Indígena Yanomami. Eles querem apoio do governo de Roraima para montar uma “operação” a fim de retirar os garimpeiros. A Agência Pública conversou com um desses operadores políticos, Jailson Reis de Mesquita, que confirmou a orientação: “O nosso pedido é que todos saiam [do território indígena]. Até para evitar qualquer tipo de conflito, de confronto. Até porque o próprio governo federal – é uma grata surpresa para nós – está se dispondo a buscar diálogo […]. Já se fala em buscar novas áreas para realocamento das pessoas. Então não tem por que ninguém ficar lá numa área que não é legalizada se a gente pode buscar o caminho correto”.


Nos áudios, Mesquita afirma que a saída “voluntária” é necessária porque o governo federal vai adotar, depois do dia 6 de abril, prisões e persecução penal para todos os garimpeiros que ...

 

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Nos áudios, Mesquita afirma que a saída “voluntária” é necessária porque o governo federal vai adotar, depois do dia 6 de abril, prisões e persecução penal para todos os garimpeiros que insistirem em ficar ou que estejam saindo do território indígena. Mesquita é assessor da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Roraima e se identifica como “coordenador político” do Movimento Garimpo É Legal (MGL), grupo que afirma estar mantendo reuniões com representantes dos governos estadual e federal sobre os efeitos da operação de desintrusão dos garimpeiros determinada no final de janeiro, por decreto, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a constatação de centenas de mortes de Yanomami por causas evitáveis, como desnutrição e malária.



Jailson Mesquita também já participou de eventos na Assembleia e deu diversas entrevistas à imprensa local e nacional na condição de “coordenador político” do MGL. Em 2008, ele foi candidato a vereador pelo DEM em Boa Vista (RR). Em um evento pró-garimpeiros em 9 de fevereiro passado numa praça de Boa Vista, Mesquita discursou ao microfone para os garimpeiros e familiares e foi bastante aplaudido.

Mesquita disse à Pública que o MGL hoje representa “uma totalidade de todos os garimpeiros, nós nos tornamos a voz de todos os garimpeiros de Roraima. Inclusive a nossa missão nesse ‘pós garimpo’ é organizar as associações como manda o artigo 174 da constituição, vamos reorganizar as cooperativas que estão totalmente irregulares, vamos tentar ajustar todas as instituições necessárias”.


Em seu perfil no Facebook, o empresário Rodrigo Martins de Mello, o Cataratas, aparece como “coordenador-geral” do MGL. Cataratas é alvo de diversas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal em Roraima por conexões com o garimpo. Em 2021, ele foi multado em R$ 1,9 milhão pelo Ibama por problemas relacionados à sua empresa de táxi aéreo, incluindo “armazenamento de combustível e funcionamento de heliponto e ponto de abastecimento de maneira irregular”, conforme a Pública divulgou no ano passado.

Em 2022, Cataratas foi candidato derrotado a deputado federal pelo partido de Bolsonaro, o PL. No último dia 15, a Justiça Federal de Roraima rejeitou, pela sexta vez, um pedido de prisão do empresário, que nega qualquer relação com o garimpo ilegal na terra Yanomami.


A retirada dos garimpeiros agora orientada pelos articuladores políticos é um sinal de que a operação de desintrusão da terra indígena Yanomami está surtindo efeito. O governo age em duas frentes distintas: bloqueio de rios e ações de localização e destruição de equipamentos de garimpeiros, feitos principalmente por Ibama, Funai e Força Nacional, e controle do espaço aéreo, com a proibição de vôos não autorizados pela FAB (Força Aérea Brasileira). Foram abertos “corredores aéreos”, que os militares chamaram em nota de “humanitários”, até o dia 6 de abril, para a saída “voluntária” dos garimpeiros. A Polícia Federal também fez algumas e pontuais incursões no território a fim de destruir equipamentos.

O bloqueio do abastecimento de alimentos e de óleo diesel, usado nos motores das dragas, levou à saída “voluntária” de muitos garimpeiros desde o final de janeiro. Ainda é incerto o número de quantos saíram e de quantos ficaram no território. O ministro Flávio Dino (Justiça) chegou a dizer há duas semanas que restariam apenas 1 mil garimpeiros, número recebido com grande ceticismo pelos servidores públicos diretamente envolvidos na operação de desintrusão. Mesquita estimou à Pública que 2 mil garimpeiros permaneçam no território, mas logo depois reconheceu que “ninguém é capaz de te dizer um número preciso, nem nós, nem o governo”.

 

Jailson Mesquita é coordenador político do

Jailson Mesquita é coordenador político do "Movimento Garimpo é Legal"

 


"Todos já sabem do prazo para sair"

O “coordenador político” do MGL argumentou que os garimpeiros que continuam na terra indígena estão sem condições de pagar pelos voos nos “corredores aéreos”, pois as viagens ficaram muito caras. Por isso, ele apresentaria ao governo de Roraima – o governador, Antonio Denarium (PP), é um aliado de Jair Bolsonaro – “um plano” para a retirada dos garimpeiros com a participação do Corpo de Bombeiros e de barcos emprestados. A ideia é organizar comboios fluviais que partiriam de Boa Vista para chegar aos garimpos e “resgatar” os garimpeiros. Esses barcos seriam “capitaneados” por equipes de Bombeiros e só passariam pelos bloqueios feitos pelo Ibama nos rios Uraricoera e Mucajaí após um cadastro prévio em Boa Vista. Segundo Mesquita, o governo de Roraima também poderia apoiar “com combustível, alimentação”.

Nos áudios que circulam em grupos de garimpeiros no aplicativo Whatsapp, Mesquita afirma que tem mantido diálogos com “Ibama, com governo do Estado, com Polícia Federal, com o governo federal”, um movimento político que ele chama de “cobranças, acompanhamento, essas coisas todas aqui”. Mas a partir do dia 6 de abril, disse Mesquita, sua “atuação” e “as intervenções” políticas do MGL não seriam mais possíveis. Ele disse que o prazo do dia 6 é para “a saída voluntária”.

Segundo Mesquita, a partir de 6 de abril “vai ser fechado o espaço aéreo, vão ser fechados os rios, a Polícia Rodoviária vai fechar as estradas e todas as pessoas que forem encontradas na terra indígena ou que venham de garimpos serão presas, presos em flagrante e naturalmente vão responder processo. Então estou deixando bem claro, essa é a fase mais dura da operação”.




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