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Tradição

DIARINHO: 43 anos na liderança do jornalismo regional

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

Para Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, ministro do STJ, o DIARINHO está integrado ao DNA da comunidade

Joca Baggio

Especial para o DIARINHO

 



O DIARINHO completa 43 anos de circulação nesta quarta-feira (12 de janeiro) e tem motivos para comemorar: é hoje um dos poucos jornais impressos em Santa Catarina que mantém a circulação de sua edição diária e está adequado às acentuadas mudanças do mercado editorial. Além do tradicional tabloide distribuído diariamente, o DIARINHO traz na sua plataforma digital o noticiário diário atualizado em tempo real, com importantes pautas no formato de podcasts, TV online e uma série de outros produtos possibilitados pela tecnologia. No entanto, o jornal não perdeu a essência impressa dada pelo seu fundador, o advogado Dalmo Vieira, na década de 70.

“O DIARINHO representa um importante meio de comunicação. O veículo está integrado à comunidade, faz parte do nosso dia a dia e se adaptou muitíssimo às características da região. Tanto é que resiste forte a 43 anos de circulação”, diz o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Aurélio Gastaldi Buzzi. O magistrado pontua que o jornal é um veículo de comunicação democrático e plural, “pois seu discurso não é feito apenas em uma voz e para um público específico, mas alcança a todos.”

Antes de ser aprovado em concurso para a magistratura, Buzzi passou pelo jornalismo aos 23 anos de idade. Ele trabalhou no Diários Associados (do jornalista Assis Chateaubriand), quando ainda era estudante do curso de Direito da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), e montou um jornal na sua cidade, Timbó. Para isso, contou com o apoio do “véio” Dalmo, como o precursor do DIARINHO é carinhosamente lembrado na redação.


“Eu me relacionava muitíssimo bem com o dr. Dalmo. Apesar da nossa grande diferença de idade, ele me auxiliou muito”, destaca o ministro. E a admiração era recíproca: Dalmo noticiou com grande entusiasmo e comemorou cada vitória do promissor advogado, um itajaiense por opção, em sua brilhante carreira jurídica.

O pesquisador e bancário aposentado Carlos Guerios acompanha o DIARINHO desde 1985, quando chegou na cidade como gerente do extinto BESC, e tem um vasto arquivo com as principais reportagens do jornal. Guerios acompanha as mudanças pelas quais o DIARINHO vem passando e não se envergonha de dizer que, tão gratificante quanto ler a completa cobertura jornalística da região, é sentir entre os dedos a aspereza do papel jornal e o cheiro da tinta.

“Quando cheguei a Itajaí eu tive a satisfação de conhecer o Dalmo e todo o trabalho feito por uma equipe de jornalistas comprometidos com a notícia, o que continua nos dias atuais”, pontua. Ele destaca o fato do DIARINHO ser um dos poucos jornais regionais diários que mantém sua edição diária impressa, o que vê como um grande diferencial. “Leio diariamente o jornal logo cedo, que é o ‘melhor jornal do sul do mundo’, e a primeira coluna que devoro é a do JC”, acrescenta.

Contexto histórico

“A história é feita de vida. E a vida, em suas interrelações, inclusive com a morte, move as ações que geram os fatos. O que hoje nos parece factual, amanhã se torna uma fonte de pesquisa. Dentro destes contextos, temos recortes de períodos históricos em que procuramos entender essa linha de tempo, seja social, cultural, política, entre outros”, explica o historiador e poeta da Fundação Genésio Miranda Lins, Rogério Lenzi.


Nesse contexto, Lenzi destaca a valiosa contribuição do DIARINHO para Itajaí e região na vasta gama de informações, nos mais diferentes setores. “O jornal registra o movimento da vida não só em seu cotidiano, mas também do desenrolar de atitudes cujo impacto, no hoje, se torna uma nova leitura no amanhã.”

O escritor e historiador Edison d’Ávila diz que os 43 anos do DIARINHO são motivo de alegria para leitores e toda gente de Itajaí e região, porque o jornal sempre foi fiel porta-voz das reivindicações e queixas do povo. “É instrumento útil das lutas por uma cidade melhor, mais justa e democrática e como registro diário da vida comunitária por quase meio século. O jornal se tornou fonte indispensável de consulta para estudiosos da história de Itajaí e região”, conclui d’Ávila.

Carlos Guerios, bancário aposentado, inicia o dia lendo o jornal impresso

 


Um jornal a serviço da inclusão e justiça social

Advogado Dalmo Vieira e a neta, jornalista Samara Toth Vieira, começaram a trabalhar juntos em 1994; em 2004 ele partiu para uma viagem a Europa sem volta, mas seu legado ficou

Mais do que um veículo de comunicação, o DIARINHO busca, como agente formador de opinião, atuar em prol de causas sociais. O jornalista e escritor Sandro Silva lembra que produziu importantes e comoventes reportagens que, além de informar, contribuíram para uma sociedade melhor, mais justa, durante sua trajetória como repórter e editor do jornal.

Ele ainda se emociona ao lembrar o relato da descoberta do artista plástico Walter Smykalla vivendo como desvalido num cortiço de São Paulo. O trabalho comoveu muita gente que conhecia o artista e o trouxe de volta a Itajaí a partir da solidariedade de leitores. “Aliás, o fotógrafo Lúcio Rilla e eu choramos várias vezes, feito duas crianças, enquanto produzíamos a matéria,” recorda Sandro.

Sandro lembra também de um episódio de racismo no clube Guarani, que na época era o reduto da elite econômica de Itajaí, denunciado pelo DIARINHO. “Um diretor do clube, que era desembargador, não deixou um professor do Colégio Salesiano entrar em um baile de formatura pelo fato dele ser negro. Para os ricos daquela época, um preto do bairro São João circular entre as mesas e o salão de baile como convidado? Fosse esse negro um garçom, certamente não haveria problema,” narra Sandro.

Outro fato marcante foi o segundo grande escândalo do tráfico de bebês em Itajaí. Esse foi um furo de reportagem. Houve ainda a grande reportagem em que o DIARINHO desmascarou um esquema de venda de carteiras de motorista feito por policiais da delegacia regional. Uma matéria feita em parceria com o Jornal A Notícia. Mais recentemente, houve a cobertura da queda do avião da Chapecoence. Uma equipe do jornal viajou a Chapecó e trouxe para as páginas do DIARINHO toda a emoção da tragédia que iniciou no sonho de um título inédito da Copa Sul Americana. A jornalista Maikele Alves e o fotógrafo Marcos Porto fizeram a cobertura da tragédia que marcou para sempre a história de Santa Catarina.

Um prestador de serviços 


No entanto, não são apenas as grandes reportagens publicadas pelo DIARINHO que têm papel social relevante. Diariamente o veículo traz em suas páginas e publica em seu site denúncias e matérias relacionadas a injustiças sociais, homofobia, maus tratos, abuso infantil, corrupção, crimes ambientais, entre outros assuntos que precisam vir à tona para serem resolvidos. Mais do que isso, o veículo cobra a apuração dos fatos e a punição dos responsáveis.

O DIARINHO também abraça campanhas sociais, beneficentes, da causa animal, ambiental e auxilia pessoas carentes que precisam de alimentos, medicamentos, entre outras necessidades básicas. Afinal, a imprensa também tem seu papel social. 

 

Política sempre esteve no radar

JC consegue reunir rivais políticos, como Paulinho Bornhausen, Dado Cherem e Cesar Souza Junior, em sua Gororoba

Não é de hoje que o DIARINHO é referência no noticiário político regional. Dalmo Vieira conhecia como ninguém o cenário político de Itajaí e região e, com sua visão cirúrgica e habitual irreverência, popularizou um tema que era encarado por muitos como pesado e sisudo. Isso fez com que a comunidade se interessasse mais pelos bastidores e meandros da política e o veículo ganhasse credibilidade e leitores.

Dalmo partiu, mas fez seus discípulos. A coluna política continua sendo a editoria mais lida e desde 2005 está sintetizada na Coluna do JC, escrita por Júlio César Douetts Gouveia. “Graças ao DIARINHO tenho voz e a possibilidade de chegar às pessoas de um público muito diversificado. A pluralidade do jornal me permite escrever para o político ou executivo que está no gabinete e também para aquele que está no ponto do ônibus”, destaca o colunista.

Mas toda essa projeção de JC não veio ao acaso. O colunista não mede esforços para garantir a posição de destaque do DIARINHO na política catarinense e para isso trabalha de domingo a domingo. “Preciso garantir que os leitores da coluna diária impressa e do Blog do JC, disponível na plataforma digital do veículo, se mantenham atualizados nos contextos político local e regional. Meu compromisso com os leitores precisa estar acima de tudo”, pontua o socadinho escriba, que é como JC se autodenomina.

JC é colunista político desde 2004, embora já tenha escrito para o veículo na década de 80. No entanto, sua primeira função no jornal era recortar as letras das chamadas do extinto Notícias Populares para fazer a capa do jornal.

“Trabalhei também na gráfica, entreguei jornais, fiz cobranças, e acredito que fui o único a assinar duas colunas simultaneamente no jornal: uma chamada Variando, que falava de TV, cinema, entre outras coisas, e a Toques & Retoques, atual Coluna do JC.” Ele também criou a “Gororoba do JC”, uma tradicional feijoada realizada anualmente que reúne lideranças políticas e empresariais e leitores de todo o estado.

 

Diário evoluiu, mas manteve sua essência

Jornalista Sandro Silva (à direita) teve duas passagens pelo DIARINHO

Sandro Silva trabalhou no DIARINHO por quase duas décadas e acompanhou de perto toda a evolução do veículo. “Imagine você ficar quase 20 anos numa empresa sendo um dia sempre diferente do outro. Integrar a equipe do jornal de 1986 a 1993 e posteriormente de 2008 a 2019 me proporcionou experiências muito diferentes”, lembra o jornalista.

Segundo Sandro, só quem conheceu o Dalmo sabe da sua genialidade. “Ele tinha cada sacada, cada tirada, que era coisa para poucos. E, como jornalista inquieto, potencializava aquela coragem típica que boa parte dos jovens têm. Na segunda fase, cheguei num jornal muito mais profissionalizado, com dirigentes e a chefia que dominam a boa prática do jornalismo, inclusive eticamente”, destaca o experiente profissional.

No entanto, ele faz questão de frisar que o DIARINHO sempre foi um jornal democrático, aberto a ideias e opiniões, além de ser um veículo de imprensa com direção extremamente corajosa. Fatores que fazem do DIARINHO o jornal mais lido da região. “E isso dificilmente mudará enquanto o jornal seguir com essa essência de tratar de forma independente dos assuntos da região, inclusive os mais nevrálgicos”, diz.

Inclusive, segundo Sandro, mesmo nessa época de fascismo crescente, em que um pequeno grupo faz muito alarde sempre com ataques, ofensas e ameaças de violência, “o jornal não se quedou e continua fazendo o que sabe fazer muito bem: o jornalismo de dedo na ferida. “Mais do que um jornal, o DIARINHO, para mim, foi uma frente de atuação como cidadão que quer um mundo melhor”, acrescenta.

Para o colunista JC, a cidade cresceu e o DIARINHO também evoluiu. “O jornal acompanhou todo esse processo e hoje comemora seus 43 anos”, diz. Ele destaca a atuação de Dalmo e, assim como Sandro, o profissionalismo impresso no veículo pela sua sucessora na direção do jornal. A jornalista Samara Toth Vieira está à frente do DIARINHO desde a partida do avô. “Dalmo foi o mentor, o grande criador, e a Samara deu continuidade e modernizou o trabalho. E hoje o jornal se inseriu nesse contexto de mudança e está aí, firme! O legado do ‘véio” Dalmo sobreviveu e permanecerá por muitos anos.”

  O advogado Dalmo Vieira faleceu em março de 2004 durante um cruzeiro à Europa na companhia da esposa Aderci. Ele foi vítima de uma pancreatite hemorrágica fatal. Na ocasião, Samara já dirigia a redação do diário e acabou assumindo, também, a parte administrativa da empresa.




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