Matérias | Entrevistão


Ana Tereza Canziani Pereira Boschi

"O Implanon é tecnologia de ponta, e a gente vai oferecê-lo para as mulheres de Itajaí”

Supervisora da Saúde da Mulher de Itajaí

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]




Outubro Rosa ficou, internacionalmente, conhecido como o mês de conscientização e alerta das mulheres e da sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e, mais recentemente, do câncer de colo do útero.  Os preparativos, para as atividades do próximo mês, já começaram em Itajaí. Ana Tereza Canziani Boschi, supervisora da Saúde da Mulher de Itajaí, é a responsável por criar estratégias para que as mulheres cuidem de sua saúde, não somente durante o próximo mês, mas ao longo de todo ano. À jornalista Franciele Marcon, Ana Tereza falou sobre as políticas públicas voltadas às mulheres, no município, compartilhou a mais recente conquista - Itajaí usará o implante hormonal subdérmico Implanon como método anticonceptivo na rede municipal de saúde, salientou a necessidade de ouvir as demandas das itajaienses, durante a Conferência da Mulher, que vai acontecer mês que vem, na câmara de Vereadores, e a importância de manter o preventivo e outros exames sempre em dia. Com muita paixão, Ana Tereza conversa de mulher para mulher. Atenta para as multifunções exercidas por nós, na sociedade, sendo mãe, profissional, do lar, esposa, lutando por direitos iguais e precisando estar com a saúde em dia para dar conta das várias demandas. As fotos são de Fabrício Pitella. A entrevista completa você acompanha em vídeo e em áudio no portal diarinho.net e nas nossas redes sociais.


 

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DIARINHO - Há quanto tempo, a senhora trabalha com políticas públicas voltadas à saúde da mulher, em Itajaí, e como teve início esse trabalho?

Ana: Sou servidora pública municipal há oito anos. Sou enfermeira da estratégia de saúde da família, e eu acho que, pela minha afinidade sempre pela área da saúde da mulher, fui convidada para assumir esta pasta da supervisão da saúde da mulher, desde fevereiro. Alguns meses. [E como funciona esse trabalho?] A supervisão da saúde da mulher acontece dentro da secretaria da Saúde, na diretoria de Atenção à Saúde. E eu fico responsável por supervisionar toda a questão de profissionais, serviços ofertados, processos de trabalho, ações que são destinadas para as mulheres. Vai de pré-natal, planejamento familiar, mastologia, ginecologia, toda esta questão, e tem as pastas transversais, que também dizem respeito à saúde da mulher, como a da saúde do idoso, da população LGBTQIA+, da rede de violências. Então, toda uma integralidade.  Além da pasta da saúde, tem essas outras pastas que são transversais, e nós trabalhamos juntos.

DIARINHO - Como será a segunda conferência pública sobre a saúde da mulher? Quais as ações previstas e quem poderá participar?

Ana: Isso é muito importante divulgar. Ela [a conferência] vai acontecer nos dias 27 e 29 de outubro, na câmara de Vereadores, que é a casa do povo. É muito importante a gente proporcionar esse tipo de conferência porque nós precisamos da participação popular, da participação da sociedade na construção da saúde pública, no que diz respeito às mulheres. Pensa: eu estou, lá, na gestão, mas o que interessa às mulheres não deve partir só de mim, deve vir da população. E nós, com este tipo de conferência, a gente espera estimular a participação dessas mulheres pra construir a política pública de seu interesse. A gente vai fazer esses dois momentos pra escutar as mulheres da sociedade civil em geral e das instituições, pois temos várias em nosso município. O que vocês esperam da saúde da mulher? E tudo o que a gente acordar é votado. A gente escuta sugestões e define quais dessas sugestões vão ser desenvolvidas no decorrer dos próximos anos. É a participação popular na elaboração das políticas públicas. E eu acho que as pessoas desconhecem esse direito que elas têm, isso é subvalorizado. Nós gostaríamos do máximo de divulgação para o máximo de mulheres possível participarem. Vamos fazer a divulgação quando chegar mais próximo [da data do evento]. Vamos trabalhar eixos temáticos que vão muito além de útero e mamas. Na saúde da mulher, obviamente, útero e mamas são uma parte muito importante, mas ela é muito mais complexa e integral. A gente vai trabalhar num eixo LGBTQIA+; num outro, raça e etnia. Estaremos trabalhando saúde mental, violência de gênero, direitos sexuais e reprodutivos, trabalho, renda, moradia, participação política. Essas determinações sociais da saúde da mulher.

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DIARINHO - Durante a pandemia, as mulheres deixaram de lado exames e consultas preventivas? Isso está sendo monitorado pela secretaria de Saúde? E o afastamento se deu porque o foco do município ficou exclusivo no combate à pandemia?

Ana: No início, naqueles quatro, cinco meses, em que era tudo novidade, gerou muito receio e medo, inclusive, o de frequentar a unidade de saúde por ser local onde existe a circulação dos possíveis contaminados com covid. Nesse primeiro momento, a gente reduziu as agendas de consultas, por exemplo, de preventivos da saúde da mulher agendados, justamente para evitar a circulação dessas mulheres dentro da unidade de saúde. Mas, nunca, se deixou de lado as queixas. A gente atendia no modo de demanda livre. Você chegava lá, com alguma queixa; era observado, encaminhado, orientado conforme a necessidade. E, depois, a gente foi percebendo mais a dinâmica da pandemia, do contágio, de como o vírus funcionava. Aí, a gente conseguiu resgatar, mais pro fim do ano, essas consultas. Embora as mulheres ainda tivessem um pouco de receio. Agora, o pré-natal, a gente nunca deixou de realizar. Sempre houve um fluxo diferente, uma entrada diferenciada pra gestantes a fim de garantir esse atendimento, que é extremamente necessário, sem também as expor a algum risco. 

DIARINHO - Qual o plano do município para que as mulheres voltem a fazer exames e consultas que podem prevenir e tratar doenças graves, como o câncer?

Ana: Nosso serviço de saúde é dividido por áreas. A gente tem as equipes de saúde que são responsáveis por determinadas áreas. Se você mora em determinado endereço, naquele local vai uma equipe de saúde, que é responsável por cuidar de você, ofertar os seus serviços e também monitorar. Nós temos profissionais, extremamente, capacitados e comprometidos, e a gente realiza uma busca dos nossos cadastros. Pra tu teres uma ideia, nós temos, hoje, 56.900 mulheres cadastradas nas unidades de saúde que estão em faixa de coleta de preventivo. A gente tem acesso a esses dados... A gente olha, entre essas mulheres, quem não fez, nesse último período, e quem necessita realizar [o preventivo]. Isso se chama busca ativa. Nós vamos atrás dessa mulher, pra garantir que ela faça seus exames, conforme a periodicidade indicada. Isso no quesito de câncer. A mamografia também funciona assim. A gente tem uma faixa etária destinada e toda vez que essa mulher procura qualquer serviço de saúde. E, embora a queixa dela seja específica, a gente acaba abordando dentro desse rastreio. Além dessa busca ativa, a gente vai se valer do Outubro Rosa, que é o mês em que se intensifica essas atividades e as ações voltadas para a mulher.

DIARINHO - Dados do Instituto Nacional de Câncer mostram que o câncer de mama é o que mais mata mulheres no Brasil, com 18 mil óbitos no ano de 2019. Por que, ainda, se morre tanto de uma doença que pode ter cura quando tratada no início?

Ana: A gente faz esse rastreio com essa periodicidade, justamente, pra conseguir identificar qualquer alteração que esteja surgindo no início. Porque nós sabemos que a detecção precoce vai fazer a diferença. Existe uma resistência muito grande das mulheres em realizarem esses exames, infelizmente. Porque, de fato, não é um exame agradável de se fazer, e acaba se criando a ideia de que ele é muito pior do que parece. Eu, quando trabalhava como enfermeira e realizava as coletas de preventivo, gostava de mostrar, antes da coleta, quais os materiais que a gente utiliza, como que vai ser feito esse exame, porque, assim, já desmistifica, ali, na hora. A gente mostra que não é nenhum bicho de sete cabeças. Eu acho que a demora na realização desses exames e a dificuldade em diagnosticar, a tempo, acabam, infelizmente, nesses números indesejáveis. Nós temos um grupo técnico de vigilância do câncer, no município, que se reúne mensalmente. A gente analisa, caso a caso, os óbitos de câncer das mulheres do município. A gente está até abrindo pra outros tipos de câncer, mas, em princípio, avalia - com uma equipe formada multiprofissional, não só da gestão, de convidados de laboratórios, de instituição hospitalar, da universidade - o que poderia ter sido diferente, naquele caso, se o desfecho fosse outro. O objetivo não é apontar falhas, mas identificar o que poderia ter sido diferente pra estar sempre melhorando esse processo de trabalho e evitando esse tipo de desfecho.

DIARINHO - Como funciona o acesso aos exames preventivos de câncer de mama e do colo do útero no município?

Ana: Super fácil. É um acesso bem facilitado. Basta você se dirigir até sua unidade de saúde de referência, geralmente, aquela próxima de sua casa, e, ali, eles vão te dar as orientações, tanto pra realização de preventivo quanto pra realização de mamografia. Não há problemas.

 

 

Ele [Implanon]é 10 vezes mais eficaz que a laqueadura”

 

DIARINHO - No que consiste o Outubro Rosa? Como a comunidade poderá participar?

Ana: O Outubro Rosa ganhou força, lá, pelos anos 90, e é, mundialmente, difundido como o mês da conscientização da saúde da mulher. Era, em princípio, mais voltado pro câncer de mama. Com o passar do tempo, acabou também entrando a parte do câncer de colo de útero, que é o quarto que mais acomete mulheres. É o momento do ano em que as ações, as instituições, todos se envolvem com esse olhar voltado pra saúde da mulher. Isso não significa que, durante o ano inteiro, a gente não tenha que ter esse olhar voltado pra saúde da mulher. Mas aproveitamos que, em outubro tudo se intensifica, as ações ficam mais voltadas e a gente tem um maior apoio da mídia pra reforçar nossas ações. Neste ano, vamos trabalhar com o dia D, que é um dia em que as unidades de saúde abrem também aos sábados, pra poder facilitar pra aquela mulher que corre a semana inteira, trabalha e fica se deixando pra depois, e, daí, vai passando... Vamos ter uma campanha tipo “seja o seu maior compromisso, não se deixe pra depois, amanhã pode ser tarde demais”. Faz a diferença você ficar postergando e você, logo, realizar o exame e ter a detecção precoce de algo que você pode estar, então, interferindo. [E o posto de saúde é aberto pra qualquer mulher, independente da sua faixa etária, do seu poder aquisitivo? Ele está disponível pra todas?] É bem importante tu falares disso. Pelo Ministério da Saúde, a faixa etária de coleta de preventivo é de 25 a 64 anos. Mas, obviamente, que, de acordo com o que seja necessário, a queixa, a gente coleta fora dessa faixa. Muitas mulheres não conhecem os serviços das unidades de saúde do município e acabam achando que possam ser de uma qualidade inferior. Ou acabam pensando “ah, eu vou fazer em outro lugar, já que eu posso, pra não tirar a vaga de outra pessoa”. Ledo engano, porque é importante termos controle, um acompanhamento dessas mulheres. E as nossas unidades de saúde, como já falei, têm profissionais, extremamente, capacitados. As capacitações são frequentes, os laboratórios, que realizam as leituras, são também conveniados, de ótima qualidade. Fica o convite pra quem nunca utilizou a sua unidade de saúde ir na sua, de referência, pra realizar o seu preventivo.

DIARINHO - Quais as políticas públicas de planejamento familiar? Há denúncias de que o hospital Marieta, o maior da região, dificulta e impede mulheres de fazerem laqueadura. Os motivos seriam religiosos. A laqueadura e outros métodos contraceptivos são direitos da mulher. Por que a questão religiosa se sobrepõe à de saúde pública?

Ana - Nós estamos reforçando o planejamento familiar do município, e, com muito orgulho, eu te trago que estamos capacitando todos os nossos ginecologistas e os médicos da estratégia da saúde da família da rede pra colocação do implante subdérmico, o Implanon. O Implanon é tecnologia de ponta, e a gente vai oferecê-lo para as mulheres de Itajaí. Claro que, com alguns critérios, mas eu tive o aval do prefeito pra que a gente pudesse ampliar, ao máximo, a oferta desse método. [Como ele age?] Ele é um método de longa duração, colocado embaixo da pele da paciente e dura por três anos. Não depende de a mulher ficar tomando a pílula que, muitas vezes, esquece. Ou a injeção, que pode ficar esquecendo. É injeção hormonal. São todos métodos que temos em nosso município. E, às vezes, não se adapta àquele tipo de método. Vai durar por três anos, e o impacto, que isso vai ter nas gestações não desejadas, que são mais da metade das gestações do Brasil, é impressionante. Além de falar no impacto social e todas as outras questões que envolvem um planejamento familiar bem feito. Estamos finalizando a capacitação teórica e a apresentação do protocolo, agora, em setembro, e, até o fim do ano, todas as unidades de saúde vão ofertar pra essas mulheres e inserir esse implante. Além do implante, a gente oferta o DIU de cobre, de cinco e 10 anos; o DIU Mirena, nos casos em que há indicação, especialmente, nos casos pra tratar algumas patologias. Nós temos as pílulas contraceptivas, as injeções contraceptivas, os métodos de barreira. Também temos a laqueadura e a vasectomia, que são as esterilizações. No caso das laqueaduras, como nós, ainda, não temos a realização das laqueaduras no município - porque tem a questão do nosso hospital, a gente providencia que sejam feitas em municípios vizinhos. Tudo por conta do município. Transporte a gente providencia pra essas mulheres em outros locais. [Temos  o número de laqueaduras feitas, anualmente, no município?] Neste ano, por incrível que pareça, o ano da pandemia, este tipo de cirurgia é considerado cirurgia eletiva. A gente deu uma segurada nelas e o método Implanon chega também como uma opção à laqueadura. Ele é 10 vezes mais eficaz que a laqueadura. Foi uma forma, também, já que não temos gerência sobre essa questão da laqueadura no município e, pela questão da pandemia, ele [o Implanon] chega como uma opção muito valorosa e importante pra essas mulheres que estavam na fila da laqueadura. 

DIARINHO - O pré-natal está normalizado nos postos de saúde de Itajaí. Qual a importância desses exames para a saúde da mãe e do bebê? Muitas pessoas ainda têm resistência a fazer o pré-natal.

Ana - Isso porque pensam que está indo tudo bem e que não precisa realizar o seu pré-natal. Assim, a grosso modo, falando de uma forma bem simplificada, o pré-natal é pra garantir que mãe e bebê passem, pelo período gestacional, com saúde, que o bebê nasça bem, que a mamãe fique bem, e que todos tenham uma vida plena e com saúde. O pré-natal é muito importante pra detecção precoce de infecções e seu tratamento. Tu acreditas que uma das maiores causas de morte materna e infantil, no nosso município, é a infecção urinária? Não dá pra acreditar, né? É algo, facilmente, tratável com antibiótico e tem todas as orientações, os exames disponíveis, todos. Existe uma preocupação das equipes. Eu brinco que as gestantes são tapete vermelho nas unidades de saúde, são nossas prioridades. Ainda assim, a gente tem esses casos elevados. Em mais uma ação da saúde da mulher, neste ano, conseguiu aprovação de incluir, na lista de medicação fornecida pelo SUS no nosso município, um antibiótico de dose única. Porque isso acaba facilitando o tratamento de umas infecções urinárias específicas. Muitas mulheres, com os antibióticos que nós temos, acabam não seguindo o tratamento, corretamente, todos os dias. Ou é pra tomar de seis em seis horas e toma agora; depois, tomam outro em outro momento. Com a chegada desse novo antibiótico, está prestes a iniciar a sua distribuição, com uma dose única, você se trata. As chances de que essa seja uma infecção, eficazmente, tratada vão aumentar também. Nessas questões do pré-natal, é preciso que a mulher vá, sempre, à unidade de saúde pra gente identificar esse tipo de queixa. Às vezes, elas não sabem, estão com uma ardência na hora de urinar e pensam que está tudo bem. É importante estar indo pra ver a vitalidade do feto, se o bebezinho está se desenvolvendo bem, o tamanho. Se não está, o que se precisa fazer pra garantir que isso ocorra bem, fora as questões relacionadas à mulher, a educação, as orientações até pós-parto, em relação aos cuidados com ela, modificações corporais...

DIARINHO – Itajaí, sempre, foi referência no tratamento de soropositivos. Como está essa política pública nos últimos anos?

Ana: Nos mantemos assim. Nós temos o nosso centro de referência de tratamento das doenças infectocontagiosas, infecciosas, que é o Cered, e ele tem equipe própria, que está fazendo o acompanhamento dos soropositivos, e, inclusive, no que tange à saúde da mulher – pré-natal, coleta de preventivo, tudo específico e destinado pra esta população.

DIARINHO - Como a secretaria de Saúde pode auxiliar na prevenção e no combate à violência de gênero, cujos maiores casos envolvem mulheres e homossexuais? Qual política pública está disponível na cidade?

Ana: Nós temos uma rede de atenção à violência, que mobiliza diversas esferas da sociedade governamental. Existem reuniões mensais, as ações em conjunto, juntamente na assistência social, na área da saúde, com as instituições voluntárias – a gente teve, agora, uma parceria, no Agosto Lilás, da violência com a CVIDOM, que é o grupo voluntário das advogadas da OAB. Então, isso é algo que toma força, se fortalece, a cada momento, e é um trabalho em rede pra gente orientar, identificar, resolver e encaminhar esses casos.

DIARINHO - Nossas crianças e adolescentes estão com a vacinação em dia? Houve redução da vacinação durante a pandemia? Como o município monitora o quadro vacinal?

Ana: A gente, que trabalha com saúde, tem diversas prioridades que não podem parar. A redução da vacinação, quando aconteceu, foi por questão de receio de estarem indo nas unidades de saúde. Mas o serviço, sempre, esteve disponível e, assim que tudo foi ganhando um certo ar de que já estávamos habituados, já conhecíamos a dinâmica dessa pandemia, as pessoas foram buscando, voltando e regularizando essas questões.

DIARINHO - Educação sexual previne doenças transmissíveis, evita a gravidez precoce e alerta as crianças sobre situações de abuso que podem ocorrer, inclusive, com pessoas próximas. As crianças de Itajaí têm tido esse direito à educação garantido na rede municipal?

Ana: Nós contamos com o Programa de Saúde na Escola, o PSE, desenvolvido pelas nossas equipes de estratégia de saúde, que estão nos territórios, que têm as suas escolas nos territórios. Essas ações fazem parte desse programa e são, sim, asseguradas às nossas crianças e adolescentes. Um dos critérios, pra gente colocar em ação o planejamento familiar do Implanon, são as adolescentes. Então, assim: orientação mais oferta de método, a gente, realmente, espera que tenhamos um grande impacto positivo social neste quesito.

DIARINHO - Quais as sequelas mais comuns que a covid tem deixado nas mulheres? Tem algum estudo?

Ana: Específico das mulheres, não. Tenho percebido várias questões de saúde mental. Porque a questão pulmonar, que necessita de reabilitação, acaba sendo, num primeiro momento, porque é tudo muito recente, comum, independente de gênero. Mas as questões emocionais... Às vezes, a perda de um arrimo de família, essa questão de lidar com o medo, os filhos indo pra escola, as questões de trabalho, até as questões da gestação, que a mulher é dum grupo de risco, seria mais nesse sentido. [Aumentou a procura por tratamento, por qualidade de vida, saúde mental?] Nós estamos percebendo uma procura maior nas nossas unidades de saúde e, às vezes, as pessoas não vão até lá certas, ou conscientes, de que precisam desse tipo de apoio. Mas, aí, nós fazemos o acolhimento, identificamos quais são as necessidades e encaminhamos para as suas referências específicas.

DIARINHO – Você é apaixonada pela saúde da mulher, fala com propriedade sobre o tema, de onde veio essa vontade de ser enfermeira e trabalhar com a saúde?

Ana: Eu era nutricionista antes de ser enfermeira. Tenho uma empatia muito grande pelo próximo. E penso que posso me utilizar disso, mais o meu conhecimento, para poder fazer alguma diferença. Eu acho que, o fato de ser mãe de três filhos, acaba me levando a essa empatia. O fato de conseguir entender a pessoa, que está na minha frente, como um ser integral, todas as suas necessidades tão complexas e a minha vontade de fazer acontecer – diria até que é uma resiliência ou algo que vou até conseguir. Acho que isso me trouxe até aqui.

 

Raio X

NOME: Ana Tereza Canziani Pereira Boschi

NATURAL: Itajaí

IDADE: 45 anos 

ESTADO CIVIL: casada

FILHOS: três filhos

FORMAÇÃO: graduada em Nutrição, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); graduada em Enfermagem, pela Univali; pós-Graduada em Administração de Clínicas, Hospitais e Serviços de Saúde.

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: atuou, por seis anos, como nutricionista, com ênfase no pré-Natal, na fundação Municipal de Esportes; trabalhou em academias e no desenvolvimento de linha de alimentação congelada; atuou no centro de Pesquisa de Novas Medicações Oncológicas; há oito anos, ingressou na rede municipal de Saúde, onde atuou como enfermeira da Estratégia de Saúde da Família, nas unidades de saúde da Itaipava e Nossa Senhora das Graças; atuou no projeto Nascer Itajaiense; e, atualmente, ocupa o cargo de supervisora da Saúde da Mulher.

 

 



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