#salvemasfigueiras

Vizinhos querem transplante de duas árvores em Itajaí

Reunião nesta segunda-feira vai discutir possibilidade de remoção e o replantio das figueiras

Apelo de moradores é pra salvar espécie exótica do corte (Foto: João Batista)
Apelo de moradores é pra salvar espécie exótica do corte (Foto: João Batista)
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Moradores da rua XV de Novembro, no centro de Itajaí, estão mobilizados pra salvar duas grandes figueiras que ficam em uma antiga área de estacionamento onde é prevista a construção de um empreendimento. As árvores não são nativas e não têm restrição de corte, mas os moradores defendem que elas sejam transplantadas pra outro local e não cortadas. 

Conforme uma vizinha, o terreno onde funcionava o estacionamento foi limpo na semana passada, sendo retirados resto de construções e entulhos. A maior parte da área servia como estacionamento há uns 10 anos. Imagens de 2011 mostram as árvores ainda em crescimento, mas já ultrapassando a altura da garagem do prédio ao lado.

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De acordo com a moradora, a prefeitura precisa analisar as possiblidades. “Seria uma pena cortar, mas acho que construir um prédio seria inviável com as árvores ali. O ideal seria relocar com segurança”, opina. Ela sugere que o terreno da praça do antigo Correios possa ser o destino para as figueiras.

Antes de virar estacionamento, a área onde estão as figueiras tinha uma casa construída em 1904 pela família de Olímpio Miranda Junior. A moradia foi adquirida e reformada nos anos 1980 pelo empresário Reynaldo José Wanderhec, fundador da histórica agência Mundial de Turismo, desde 2017 unida à agência Trip Service.

Reynaldo conta que as figueiras devem ser de período após ele ter deixado o imóvel. Ele morou no endereço até 2000, após 15 anos no local, e recorda que havia muitas árvores frutíferas no terreno. “Lembro que tinha um pé bonito de jabuticaba. Também tinha pés de pêssego, carambola e goiaba”, disse.

De acordo com a engenheira florestal Meri Marenzi, doutora em conservação da natureza, as figueiras emitem raízes aéreas que as ajudam na sustentação por serem árvores de grande porte. Esse tipo de enraizamento dificulta a remoção.

“Contudo, penso que com técnica adequada é possível o transplante, sendo necessário que o local para recebê-las seja compatível com o seu porte e sistema de raiz, como em praças públicas”, avalia.

Meri destaca que as figueiras produzem frutos atrativos às aves e mesmo que exóticas podem ser utilizadas na arborização urbana. “No caso específico, a afetividade dos moradores também justifica os esforços no transplante”, defendeu.

Reunião marcada com a construtora

Uma reunião nesta segunda-feira entre técnicos do instituto Itajaí Sustentável (INIS) e representantes da construtora Clarus vão analisar a possibilidade de transplantio das figueiras.

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“A ideia inicial não era fazer o transplante, por não ser o mais indicado para aquela espécie. Mas soubemos deste pedido da comunidade e estamos providenciando a melhor maneira de tentar o  transplantio”, destacou o dono da construtora, Bruno de Andrade Pereira.

Segundo o construtor, a empresa já fez transplante de árvores antes. “Caso tenhamos 1% de chance iremos empregar os recursos necessários para essa operação”, afirmou.

Ele disse que o empreendimento ainda está em fase de licenciamento e que não existe parecer definitivo do órgão ambiental sobre as árvores. “Mas temos certeza que o INIS contribuirá tecnicamente para realizar o serviço e ajudar a escolher o melhor local para replantarmos estas duas árvores”, comentou Bruno.

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Corte não precisa de autorização, diz o chefão do INIS

O presidente do INIS, Vilson Sandrini Filho, informou que soube da intenção do transplante mas ressaltou que nenhum pedido da comunidade foi formalizado junto ao órgão. “Portanto, ainda sem possibilidade de apreciação técnica dessa questão”, frisou.

Sandrini considerou que as espécies exóticas têm tratamento legal bastante diferenciado da vegetação nativa e não precisam de autorização de corte. “Por si só, e como regra geral, as espécies exóticas têm proteção legal significativamente mais flexível do que a vegetação nativa (brasileira)”, disse.

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Ele adiantou que será preciso avaliar o requerimento para verificar se pode ser solicitado o transplante como  parte da obrigação de um licenciamento. “A obrigação de transplantar uma árvore exótica (não nativa, não brasileira) não é ‘automática’ em um licenciamento, de acordo com a legislação nacional”, observa.



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