Matérias | Entrevistão


Itajaí

ENTREVISTÃO com os candidatos a prefeito de Camboriú

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]



Camboriú tem a população estimada de 85 mil moradores, sendo que 51.322 eleitores estão aptos a votar na eleição de 15 de novembro. O prefeito Élcio Kuhnen (MDB) tenta a reeleição enfrentando duas mulheres e um padre como opositores. A vereadora Jane Stefenn (PSL), a ex-prefeita Luzia Coppi Matias (PSDB) e o padre Antônio Wilbert (PT). Para ajudar o eleitor a escolher quem vai governar Camboriú nos próximos quatro anos, o DIARINHO abriu espaço em suas páginas e entrevistou os candidatos à prefeitura de Camboriú. O padre Antônio, por motivos de incompatibilidade de agenda, preferiu não participar do Entrevistão. Já Élcio, Jane e Luzia foram sabatinados sobre saneamento básico, mobilidade urbana, problemas sociais, crescimento econômico, saúde e educação. As fotos são de Fabrício Pitella e a entrevista foi conduzida pela jornalista Franciele Marcon.

RAIO X



NOME: Élcio Rogério Kuhnen

NATURAL: Rio do Sul

IDADE: 50 anos


ESTADO CIVIL: Casado

FILHOS: três

FORMAÇÃO: Médico, especialista em Cirurgia Geral; mestrando de Gestão de Políticas Públicas

TRAJETÓRIA: foi secretário de Saúde nas cidades de Barra Velha e Balneário Camboriú, presidiu o Conselho Municipal de Saúde de Balneário. Em 2014 foi eleito como suplente de deputado Estadual. Em 2016 eleito prefeito de Camboriú. Em 2018 presidiu a Amfri.

https://vimeo.com/465796069

Conseguimos trazer Camboriú da letra C do Tesouro Nacional para a letra A” - Élcio Kuhnen (MDB)


 

RAIO X

NOME: Jane Stefenn


NATURAL: Tijucas

IDADE: 46 anos

ESTADO CIVIL: Divorciada

FILHOS: duas

FORMAÇÃO: formada em Administração (Univali) e Processos Gerenciais (Uniasselvi)

TRAJETÓRIA: vereadora eleita duas vezes consecutivas (2016 e 2012); assumiu como suplente no final de 2009; já atuou como secretária-adjunta de Saúde e diretora executiva do Cuida, ligado à defesa Civil


https://vimeo.com/465792861

Camboriú teve um crescimento desordenado autorizado pelas antigas administrações” - Jane Stefenn (PSL)

 

  

RAIO X

NOME: Luzia Lourdes Coppi Mathias

NATURAL: Camboriú

IDADE: 57 anos

ESTADO CIVIL: casada

FILHOS: dois 

FORMAÇÃO: Graduada em Direito, especializada em direito imobiliário.

TRAJETÓRIA POLÍTICA: candidata à prefeita em 1992; candidata à vice-prefeita em 1996, candidata à prefeita eleita em 2008 e candidata à prefeita reeleita em 2012.

https://vimeo.com/465597710

Esse Ideb é reflexo do mau governo em Camboriú nos últimos anos” - Luzia Coppi (PSDB)

 

DIARINHO – Camboriú é uma das cidades menos saneadas da região e concedeu a exploração do serviço de água e esgoto à iniciativa privada há cinco anos, sem que isso representasse, até agora, qualquer avanço na questão de saneamento básico. O que o senhor pretende fazer se for eleito (a)? 

Élcio - Nós fizemos uma audiência pública e, infelizmente, herdamos uma concessão na qual se exigia que a prefeitura municipal fizesse todo o esgotamento sanitário e a posterior doação desse serviço à empresa privada, que administra o abastecimento de água e esgoto, e que ficaria com a cobrança e a manutenção desse sistema. Tendo em vista um recurso que, por falta de entrega de um projeto executivo até 31 de dezembro de 2016, se perdeu mais de R$ 80 milhões. Nós não temos essa receita, mas fizemos o nosso dever. O projeto executivo do esgotamento sanitário está todo pronto e foi feito pela nossa gestão, aguardando um novo plano da União que possa, a fundo perdido, ofertar esse dinheiro, que hoje é cerca de R$ 100 milhões, porque Camboriú não possui receita livre de R$ 100 milhões pra fazer o investimento. É uma obra importantíssima para o desenvolvimento e progresso da cidade. Fizemos também audiência pública e comunicamos à agência reguladora, Aresc, pra que calcule uma tarifa, se poderia ou não, através de audiência pública. Encaminhamos à Aresc a nova tarifa, de aumento na taxa de água, pra ver se é permitido juridicamente que a empresa também assuma a construção da estação de tratamento de esgoto, tendo em vista que a cidade em si, como prevê no contrato de concessão, não conseguirá realizar isso com recurso próprio.

Jane – Na verdade, nós temos que fiscalizar o contrato da concessão com a empresa Águas de Camboriú que também prevê o saneamento. Nós sabemos que o município perdeu um orçamento, um valor gigante que seria captado através do governo federal para ajudar. Ia ajudar muito o município porque hoje nós temos que buscar recursos para que não saia todo esse valor do saneamento básico das costas da população, que já paga seus impostos, já tem uma vida tão difícil. Camboriú é um município que tem sérios problemas, então nós temos que também buscar ajuda do governo Federal para que, não sei se de repente, a própria empresa que já fez algumas audiências pra começar esse saneamento básico, esse tratamento todo... Na época, eu sei que Balneário Camboriú abriu mão do recurso, que era um recurso grande, e por falta de apresentação de documentos o município acabou perdendo. Isso seria um grande avanço pra cidade, principalmente ia ajudar no bolso do contribuinte, que ia acabar tirando boa parte da carga das costas do contribuinte.

Luzia – Veja bem: o saneamento básico tem que ser uma bandeira, se não a mais importante de qualquer gestão pública, porque estamos tratando de saúde pública, saúde da comunidade. Quando prefeita fiz a concessão do serviço de água, que previa, também, o saneamento básico. E, hoje, passados os quatros anos, o contrato tem que ser cumprido... Não sei se foi, não acompanhei de perto, só sei que, infelizmente, nada aconteceu em saneamento básico. Mas este é o nosso compromisso. Nós não vamos medir esforços para ir buscar recursos ou no governo Federal, ou fazer uma PPP [parceira público privada] ou exigir também que a concessionária faça um aditamento no seu contrato e realize o saneamento básico no município de Camboriú. Mesmo porque com a nova lei do marco regulatório, até 2033 todos os municípios terão que ter o seu saneamento básico no mínimo com 90% de cobertura. Eu acho que Camboriú é uma cidade privilegiada, bem localizada, um povo ordeiro, trabalhador e o saneamento básico é fundamental em qualquer governo futuro.

DIARINHO – Camboriú registrou um boom da construção civil e abriga hoje condomínios de alto padrão que contrastam com bolsões de pobreza em vários bairros da cidade. Os números refletem na violência, desemprego e na falta de perspectiva de vida para os jovens. A maioria da população busca empregos em cidades vizinhas. O que fazer para transformar esse crescimento econômico, também, em melhorias na qualidade de vida da comunidade?

Élcio - Dentro de uma gestão sustentável, nosso princípio de planejamento estratégico, na mobilidade urbana, nas novas aglomerações de condomínios, nós já tivemos atitudes inéditas na cidade de Camboriú. Uma primeira atitude foi dialogar com a sociedade, com os próprios engenheiros e construtoras, para um planejamento urbano melhor para Camboriú. Inibimos e proibimos novos loteamentos, aterros de arrozeiras, de áreas alagáveis e discutimos com a sociedade civil organizada um novo planejamento, com condomínios fechados, com casas de melhor padrão, mas principalmente, discutir a parte de entrega de água, de creche, de saúde, nessas localidades que geraram novos loteamentos. Nós temos muitos terrenos que podem também oferecer o crescimento vertical. Camboriú, nos últimos dois anos, teve um crescimento importante no interesse de empreendedores da construção civil em edificações no como Tabuleiro e no bairro São Francisco, e também condomínios no interior, de alto padrão, como já tem dois ou três que já foram aprovados e que serão construídos. É importante a matriz econômica da construção civil, mas gerar nova matriz econômica, um novo cluster industrial no Rio do Meio, já está previsto dentro do nosso governo. Mobilidade urbana no interior, com pavimentação asfáltica pra favorecer a matriz econômica do turismo rural, mas sempre buscando o nosso princípio chave, que é a sustentabilidade.

Jane – Camboriú teve um crescimento desordenado que foi autorizado pelas antigas administrações, que pensaram só em lotear a cidade toda, permitir loteamentos e não tiverem esse equilíbrio na parte financeira. Camboriú não precisa ser uma cidade dormitório pra nossa querida Balneário. Nós somos a mão pobre de Balneário. Camboriú não precisa continuar sendo cidade dormitório de Balneário e nem de cidade alguma. Nós temos um potencial gigante pro desenvolvimento econômico, pra geração de emprego e renda, e, principalmente, para aumentar a receita do município e sanar os problemas das principais áreas que nós sabemos quais são, que são apontados por toda a população. A nossa meta é preparar as áreas de maior potencial de Camboriú, que são Várzea do Ranchinho e Rio do Meio. Além, é obvio, do investimento no turismo rural, que todo mundo trata disso, mas para o turismo rural, eu acredito que a gente tem que pensar primeiro em uma nova via de acesso à cidade de Camboriú. Essa questão do desenvolvimento econômico tem que ser o pontapé inicial da administração.

Luzia – Veja bem: condomínio de alto luxo, os prédios que hoje a construção civil já creditou em Camboriú, fazendo apartamentos de médio e alto custo, são interessantíssimos. Porque isso dá qualidade de vida e gera emprego para toda categoria. Eu falei na época que quando nós aprovamos o condomínio Caledônia, que foi no nosso governo, eu dizia “que maravilha, quantos empregos vão gerar”. Nós vamos ter a doméstica, nós vamos ter o jardineiro, o pet, a manicure, o povo vai limpar a piscina. Isso tem que ter. Isso também é desenvolvimento econômico. Porém, o mais importante disso tudo é você chamar as empresas para Camboriú. Incentivar, implantar definitivamente a área industrial. Que pelo plano do planejamento urbano já está previsto. Tanto na localidade de Rio Pequeno quanto na Várzea do Ranchinho. Porque essas localidades? Porque elas são de localização privilegiada, de fácil acesso, de fácil escoamento da mercadoria. Precisamos, urgentemente, qualificar os nossos jovens, cursos profissionalizantes, incentivar a vinda de novas empresas e mostrar Camboriú para o mundo. Porque Camboriú é uma cidade privilegiada na sua localização geográfica. Perto de portos, aeroportos, dos grandes centros comerciais, perto de Florianópolis, fica perto de Blumenau, fica perto de São Paulo. Nós temos que vender essa imagem de Camboriú, essa imagem maravilhosa, de localização privilegiada para incentivar emprego e melhorar a geração de renda. Nós precisamos fazer essa geração de renda. Nós precisamos que as pessoas morem em Camboriú, sejam felizes por morar em Camboriú.

 Não existe mobilidade na cidade de Camboriú,” Jane Stefenn

DIARINHO – Somente cerca de 30% das residências de Camboriú estão em vias com urbanização adequada, com bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio, segundo os dados do IBGE. As queixas dos moradores são sobre a dificuldade de trafegar nas ruas, sejam pedestres, ciclistas ou motoristas de veículos motorizados. O que o senhor propõe nessa questão?

Élcio – Mobilidade urbana é muito discutida a nível intermunicipal na Amfri. E enquanto estive como presidente da Amfri dei início num consorcio multi-finalitário para trazer recurso do Banco Mundial para favorecer o transporte intermunicipal com energia limpa. Nós conseguimos investimento, porque conseguimos trazer a cidade de Camboriú da letra C do Tesouro Nacional para a letra A. Onde já fizemos R$ 16 milhões de investimentos em infraestrutura e queremos replicar esse investimento já em 2021 para passeios, novas ciclovias. Fizemos hoje do final do Tabuleiro, na rua Meleira, para poder chegar a Balneário Camboriú na praia, por exemplo, ou no seu trabalho, de bicicleta, coisa que antes a gente não tinha. Só pela avenida Santa Catarina se conseguia a ciclovia. Um novo binário da Santa Catarina, uma nova ponte de Camboriú para Balneário, que já está em projeto de execução da liberação ambiental, já está no órgão ambiental estadual para aprovação, que seria o binário da Santa Catarina. Uma nova ponte ligando o Jardim Europa ao Rio do Meio. A pavimentação da João Acácio Simas de asfalto e um grande plano de mobilidade urbana para favorecer o deslocamento dentro da cidade. Nossa cidade tem que ficar mais bonita. Dar qualidade com passeios adequados também para adaptar para cadeirantes, piso podo táctil. Todas as obras que estamos fazendo estamos preocupados com a melhoria dos passeios, do modal do ciclismo, do modal de ônibus e também do modal de veículos e motocicletas, que é utilizado diariamente no deslocamento do povo de Camboriú para Balneário Camboriú e Itajaí de forma muito intensa.

Jane – Na verdade, mobilidade urbana em Camboriú não existe, né? Como eu disse, Camboriú foi uma cidade que cresceu desordenadamente. Ela não foi projetada para o futuro. Camboriú eles deixaram a Deus dará, faltou fiscalização. E hoje nós temos que ter um investimento muito sério, contratar uma equipe capacitada pra fazer um estudo, pra ver de que melhor maneira a gente vai poder tratar, já que as construções foram permitidas a qualquer jeito. Hoje tem postes no meio da rua, no meio da calçada. Até pra fazer uma calçada, por exemplo, pra cego, a pessoa acaba batendo de cara no poste. Nós precisamos buscar um estudo realmente real da situação que Camboriú pra prever ciclovia e realmente pensar na mobilidade de uma maneira séria. Porque não existe mobilidade na cidade de Camboriú. A gente precisa de um planejamento, começar do zero. Do jeito que está, “ah, vamos ver”, se a gente vai entrar em um acordo com a população. Pedir, de repente, uma autorização para que possa avançar um pouco a própria calçada, a parte que compreende ao próprio morador. Porque realmente algumas obras são antigas, a gente vai ter que fazer uma alteração também no Plano Diretor se quiser pensar nessa questão da mobilidade de uma maneira mais eficaz. Eu tenho um amigo cadeirante que vive nas redes sociais falando da falta de acessibilidade, eu tenho um irmão cadeirante, que usa um triciclo, uma cadeira de rodas. Na semana passada mesmo ele acabou caindo. Ele caiu, eu acabei sabendo por uma outro pessoa que o ajudou na rua. E isso acontece com as mães com carrinho de bebê, o próprio ciclista, o pedestre não tem onde caminhar. Não tem respeito, não tem consciência, não teve planejamento. Eu acredito que tanto o que está acontecendo agora como no passado, eles não pensaram em mobilidade, não pensaram na cidade, não pensaram no crescimento, não pensaram no futuro de Camboriú. E está na hora de a gente começar do zero.

Luzia – À época, quando estive prefeita, foi o período que mais pavimentamos, foram mais de 300 ruas pavimentadas. Já começamos e iniciamos o processo de ciclovia, ciclofaixa e calçada. Isso também é uma questão muito cultural. Eles têm que ter também a sua responsabilidade. O poder público tem que fazer a sua parte, mas a comunidade também tem que saber que o cadeirante tem que ter um espaço pra caminhar, pra poder transitar. Quem gosta de andar de bicicleta, o ciclista, tem que ter a ciclofaixa ou a ciclovia, mesmo porque isso não polui a nossa comunidade. Tem que haver novas vias estruturais. Importantíssimo. Camboriú precisa ter novos acessos, precisa ter rotas para que a gente possa realmente fluir melhor o trânsito. E investir, mas investir muito, muito, na área de pavimentação urbana. Nós precisamos investir muito em pavimentação, muito em urbanização, muito em qualidade de vida para todas as categorias. Seja pedestre, ciclista,  motociclista, o que anda de carro e, principalmente, pras pessoas que precisam andar de cadeira de rodas, que tem dificuldade de locomoção.

Eu fui vítima de uma herança maldita,” Élcio Kuhnenn

DIARINHO –  Os índices do Ideb mostram que nos anos iniciais do ensino fundamental, a educação de Camboriú teve a nota de 5,5, ou seja, abaixo da exigência da média nacional. O que a senhor (a) pretende fazer para garantir ensino de mais qualidade às crianças?

Élcio – Nós tivemos uma grande decepção em 1º de janeiro de 2017 quando ao adentrar nos colégios vi a falta de qualidade do ambiente, a falta de humanização, a falta de acolhimento das crianças. Colégios com goteira, porta que não abria, cozinheira que entrava pela janela, banheiros quebrados, caixas d’agua onde sequer era feita a manutenção adequada de limpeza, ambiente desfavorável e sem climatização. Investimos muito em quatro anos: 26 das 32 unidades escolares foram reformadas. E 200 das 260 salas de aula hoje têm climatização, têm ar condicionado. Pisos diferenciados, janelas com blindex, com alumínio. Nós melhoramos muito a qualidade do ambiente. Todas as cozinhas das unidades escolares têm ar-condicionado, louças novas, freezer novo, geladeira, fogão. Tudo para favorecer o ambiente. A nossa nutrição para os alunos, 50% é da agricultura familiar. O maior valor agregado nutricional das merendas, comparando com as merendas anteriores, isso evoluiu muito. Nós trouxemos de novo o Jecam, jogos escolares, uniforme escolar e demos toda a capacidade da coordenação pedagógica para a secretaria de Educação. Agora chegou a hora, de com um ambiente melhor, discutir a parte pedagógica. Trabalhar intensamente na evasão escolar, que é um grave problema na cidade de Camboriú. O colégio Abalor, por exemplo, que tem um Ideb baixo, não tinha ar-condicionado, não tinha condição de aula. Hoje nós vamos fazer um serviço com psicóloga, com fonoaudiologia, com psicopedagoga, e visita domiciliar. Não podemos mais perder os alunos que desistem com uma alta frequência na cidade de Camboriú. Lembrar, também, que sempre o Ideb de Camboriú, historicamente, foi o menor Ideb da Amfri.

Jane – Na verdade, a valorização, um plano de valorização do profissional da educação. Assim como as reformas são necessárias. Porque eu acho que pra ter uma qualidade de ensino pro aluno vai desde o ambiente escolar, como merenda, a questão do profissional, do próprio professor, do próprio monitor, que também tem que ser qualificado, tem que fazer uma qualificação, uma valorização desse profissional pra que isso realmente vá atingir a qualidade de ensino. Porque, hoje, na quarta série primária, por exemplo, a gente encontra em Camboriú aluno que não sabe ler e escrever. Eu, na minha época, apesar de vir de família muito carente, muito pobre, mas eu já entrei na primeira série sabendo ler e escrever. Hoje é muito difícil ver que uma criança chegar na quarta série e não saber o mínimo. Camboriú eu até acho que está alto diante da realidade. Até foram um pouco favoráveis diante do que diz a realidade. Precisa de um investimento maior. A gente sabe que vai ter que gerar novas vagas, tanto pra creches, os CEIs e também as séries iniciais, os adolescentes. E se não fizer uma nova mudança, um plano de educação diferente na cidade de Camboriú, a gente não vai conseguir atingir a meta nunca. O que a gente pretende no nosso governo é superar essa meta. Investir na estrutura do ambiente educacional. Por exemplo, o próprio Caic, apesar de que foi um projeto desenhado pelo governo Federal, mas parece o Carandiru. A gente não tem acessibilidade, eles não pensaram na própria criança, na educação infantil. As janelas todas erradas, um ambiente horrível, é úmido, é escuro. Nós temos que pensar uma reforma também que possa qualificar esses espaços para estar atendendo essas crianças. E outras escolas também do município  e que não têm acessibilidade alguma. Quando a gente fala da questão da inclusão, a gente esquece até desse espaço físico das escolas. Os nossos parques, por exemplo, não têm brinquedos adaptados. A gente pretende mudar essa história através de qualificação do profissional e das unidades escolares.

Luzia – Este é um assunto que me deixa muito à vontade. Porque à época a gente já fez o plano de cargos e salários, fizemos a reforma administrativas. Inicialmente, o profissional de educação tem que ser valorizado. O poder público tem que achar recurso pra isso. Professores têm que estar em constante aprendizagem, em constantes cursos de profissionalização. É necessário isso, temos que fazer. Se o profissional não está bem, não tem como o Ideb subir. Se o professor não está preparado, se o serviço público não oferece condições, e a pandemia nos mostrou isso... Veio uma pandemia, fizemos a educação online, mas os nossos alunos não têm sequer sinal de internet, não tem um aparelho de computador, não tem um Ipad. As pessoas estudavam em telefone minúsculo. O governo tem que estar muito à frente. Tem que estar preparado pra isso. Professor tem que ser valorizado, não só o professor não, quando eu falo educação eu falo do servente, da merendeira, do vigia... Nós temos que rever aquele plano de cargos e salários imediatamente. Adaptar nossas escolas, que elas sejam conectadas entre si. Que elas tenham uma conversa entre si. Tem que preparar os nossos alunos para a nova geração, para a nova tecnologia. Eu tenho impressão que com a pandemia, ela aproximou mais o governo. Deveria ter aproximado mais o governo da comunidade. Porque a gente sentiu. Eu observei isso. Eu fui uma pessoa que eu viajei muito pelo estado de Santa Catarina com a deputada Geovania de Sá e a gente observou isso. Que o governo tem que estar muito próximo da comunidade. Tem que o sinal de internet chegar na casa do estudante. O equipamento de informática tem que chegar ao estudante. Porque ele não pode ter prejuízo na sua educação em virtude da pandemia. Nós não temos dúvida nenhuma de que as escolas têm que estar muito bem equipadas, os professores têm que estar muito bem preparados. E, principalmente, eu vou dizer que a nossa educação infantil é uma das coisas que eu deixei muito claro. Quando deixamos o governo, nossos Ceis funcionavam das 7h às 19h, em dois turnos para as nossas monitoras de 6h, o que não acontece hoje. Com certeza, nós haveremos de colocar isso em prática, porque isso é qualidade na educação. É o professor estar satisfeito, é o monitor estar satisfeito. Esse Ideb é reflexo do mau governo na educação em Camboriú nos últimos anos.

DIARINHO –  Muitos cidadãos procuram hospitais de cidades vizinhas para emergências na saúde. O hospital municipal nem sempre dá conta da demanda de emergências e há queixas de poucos médicos disponíveis na rede dos postinhos, principalmente especialistas. O que pretende fazer na área de saúde pública?

Élcio – Eu tenho consciência de que um dos maiores problemas da população de Camboriú é o problema referente à saúde. Acabei de passar por um problema com meu pai. Eu como médico não pude acompanhá-lo num momento que ele mais precisou e acabei perdendo ele para uma infecção comunitária que foi a covid, que todos sabem do grave problema de saúde. Esse foi um momento que Camboriú precisou, com pouco recurso, fazer uma gestão muito forte na saúde coletiva e conseguimos bons resultados quando comparados com os investimentos de outros municípios. Eu tenho capacidade técnica e competência para fazer muito mais pela saúde. Eu consegui reabrir o hospital vocacionado, um novo modelo de gestão que serviu de modelo até para o ministério da Saúde. Porque nós conseguimos com poucos recursos dar sustentabilidade ao hospital. Não se deve um salário, não se deve um fio, uma agulha, um antibiótico, nada pra ninguém. Todos os fornecedores estão em dia. Agora o hospital, com novos equipamentos, capacitação técnica, falta ampliar nossa capacidade de 12 para 19 aqui pra saúde da família. Mais de 85% da população assistida por profissionais da área da saúde na sua residência ou próximo da sua residência. E agora cabe trazer mais especialistas em horários alternativas, como das 18h às 22h, não só na policlínica, mas sim no bairro Monte Alegre também. A farmácia deverá estar aberta na unidade de atendimento ao cidadão no Monte Alegre, quatro horas no sábado e quatro horas no domingo pra favorecer a entrega de medicamentos e de exame. E todos os idosos, essa pandemia já nos mostrou isso, vão passar a receber o remédio em casa. Nós traremos mais especialistas, mais medicamentos e mais exames. Porque o meu foco e a minha promessa para a gestão 2021/2024 vai ser com muita responsabilidade, assumir com muito mais força os investimentos na área de saúde.

Jane – Na verdade, a gente tem que reavaliar toda a situação do nosso hospital. Porque parece que tem até um processo correndo onde o hospital estaria sendo leiloado. Porque era uma entidade privada, tem sérios problemas, tinha muita dívida, não sei como está a situação das dívidas... Ele está sobrevivendo, mas não dando o atendimento que a população de Camboriú precisa. Nós precisamos fazer uma reavaliação de toda essa situação, das dívidas e se for pra continuar atendendo à população, que seja um atendimento de qualidade. Nós também pretendemos trabalhar com um centro pediátrico. A gente quer fazer uma criação de um centro especialidade pra pediatria, um centro especializado pra atendimento da saúde da mulher. E também estar ajudando nas unidades da saúde da família com a contratação de novos médicos. Apesar de que o salário oferecido no município de Camboriú não atrai muito os médicos e, principalmente, os bons médicos. Mas a qualificação vai ser necessária. A gente tem que fazer um estudo, principalmente da questão econômica do município. De como nós estamos hoje, porque a nossa arrecadação é um absurdo, nós temos a pior renda per capita da região. Pra poder fazer uma nova estrutura, através da reforma administrativa, para que possamos ter condições de atrair bons profissionais na área da saúde e fazer a diferença. Porque uma gestão eficaz faz toda diferença. Milagre não se faz sem dinheiro. Mas que a gente pode mudar com uma gestão eficiente, pode.

Luzia – Veja bem, o nosso hospital, ele não foi aberto. Ele está exatamente como nós deixamos há quatro anos: um PA funcionando 24h e cirurgias eletivas da nossa comunidade e de fora da comunidade acontecendo ali, porque a seleção não é feita pela regulação do estado. Nós precisamos de maior responsabilidade do governo municipal com a saúde básica. A estratégia da saúde da família é um programa maravilhoso porque você cobre todo o município na prevenção. Quando você consegue prevenir, você não deixa a pessoa doente, você desafoga o hospital, você desafoga o pronto atendimento. E se não fosse o hospital Ruth Cardoso, muito mais pessoas teriam morrido da covid, inclusive no município de Camboriú. É porque nós temos a referência do hospital Ruth Cardoso que nos atende. Mas a função do município, a função nossa, é o atendimento básico. Você tem que levar o enfermeiro, o médico, nossa agente de saúde até a nossa comunidade. Porque você evita, você consegue prevenir a doença. E essa é a nossa maior missão. Eu não tenho dúvida nenhuma que, se eleita no município de Camboriú, a cobertura de estratégia de saúde da família vai ser ampliada até no mínimo 90% de toda nossa população. Os nossos postos de saúde terão o pediatra, o clínico, o ginecologista, porque isso faz com que a comunidade fique no seu bairro. O médico começa a conhecer e isso é muito importante. Quanto ao hospital, o hospital de Camboriú, que está fechado, permanece fechado, é de uma iniciativa privada, de uma fundação, que, com certeza, não irei medir esforços para que consiga uma PPP, que agora é possível. Nós podemos fazer com a iniciativa privada, chamar alguém para o atendimento misto entre o SUS  e a inciativa privada e achar uma maneira de, efetivamente, com o governo do Estado, com o governo Federal, que é responsabilidade sobre a média e alta complexidade, viabilizar, ou procurar viabilizar o funcionamento integral do hospital de Camboriú. Mas a nossa missão maior vai ser, sem sombra de dúvida, o atendimento básico às nossas famílias.

 

Nós precisamos de maior responsabilidade do governo municipal com a saúde básica,” Luzia Coppi

 DIARINHO – O senhor fez um governo politicamente apagado. Não conseguiu maioria na câmara, rompeu com o vice e foi alvo fácil da oposição. Dizem que o senhor como prefeito é um ótimo médico. É difícil governar? Acha que um eventual segundo governo será mais fácil?

Élcio  – Será, porque eu fui vítima de uma herança maldita. Nós herdamos um município com gastos acima dos 60% na lei de responsabilidade fiscal, com dívidas, diminuição da receita por não ter o recurso livre da água e com uma oposição extremamente radical, que bateu todos os recordes de requerimentos de CPI. Eu não tenho um processo sequer de improbidade administrativa. Não sou só médico, faço mestrado de gestão profissional de políticas públicas e discuto política pública com quem quiser. Nós não tivemos dinheiro para publicidade e nós trabalhamos quietinhos. Saímos da letra C para a letra A no Tesoura Nacional. Colocamos Camboriú em evidência no cenário estadual. Fizemos gestão ambiental e gestão social, como poucas cidades fizeram, e fizemos a melhor gestão econômica da história de Camboriú. Trazendo Camboriú para um novo padrão para o investidor e para o empreendedor. A nossa capacidade e competências não podem ser discutidas porque em números, nós somos campeões de governança, de gestão pública e, com certeza, o que mais nós provamos, é que nós trouxemos ferramentas anticorrupção: Portal da Transparência, compra com pregão eletrônico, não usar carta convite, são alguns exemplos. Iniciamos um trabalho com muito serviço a ser feito, não nos preocupamos em falar, nos preocupamos em fazer. E, agora, eu quero a câmara de vereadores junto conosco para fazer muito mais. Essa é a prefeitura que eu sonhei em pegar para administrar.

 DIARINHO – A senhora mudou quatro vezes de partido na trajetória política. Já esteve num partido socialista e recentemente se filiou ao PSL, partido conservador de direita que elegeu o presidente Bolsonaro e o governador Moisés. Muita gente considerou sua guinada à direita mero oportunismo político. Como se sente na nova legenda? Se sente representada pelos ideais do novo partido? Qual a razão dessa mudança?

Jane - Na verdade, eu precisava de uma sigla partidária que tivesse coragem de não me calar. Eu não sou uma política que tenha sigla partidária de estimação, muito menos político de estimação. Eu preciso ser representada e preciso de representantes, também, que tenham coragem pra não me calar, pra que não roubem a minha essência. Para que não calem a minha luta pela minha cidade. Independente da sigla onde eu estiver, a minha essência vai ser a mesma. Eu sou extremamente contra a corrupção e contra a incompetência. E vou lutar com todas as minhas forças para que isso não continue acontecendo na cidade de Camboriú. O PSL me deu oportunidade de estar concorrendo à vaga de prefeita. Porque eu sabia que a maioria das siglas partidárias estaria ou com o atual governo ou com a ex-prefeita do município de Camboriú. E nem uma coisa nem outra seriam boas para continuar administrando a nossa cidade. Eu acho que ambos tiveram a sua oportunidade. Eu precisava apenas de uma sigla que dissesse, tivesse coragem de não me calar e de me deixar tentar concorrer a essa vaga.

DIARINHO - A senhora foi oito anos prefeita de Camboriú e há questões mal resolvidas do município que não foram solucionadas, também, nos seus dois mandatos.  Por que os eleitores devem acreditar que, agora, a senhora e um antigo rival antigo político, Altamir Montibeller, vice-prefeito na sua chapa, vão conseguir, juntos, essas soluções?

Luzia – Eu me sinto muito preparada. Camboriú não dá para ser laboratório. Os últimos laboratórios que a gente teve com governo estadual, governo municipal não deram certo. Não dá pra aprender a fazer gestão. Eu estive oito anos e nós realizamos um excelente trabalho. Tanto que eu fui reeleita. E quero dizer com muita serenidade: a Luzia ama gestão pública. Eu estudei nesses quatro anos. Eu gosto de pessoas, eu gosto de estar perto das pessoas, de servir às pessoas. Um governo humanizado. As pessoas podem acreditar que um governo frio não vai existir. O governo vai estar próximo das pessoas. Eu estou preparada para fazer o saneamento básico. Para aumentar não, para fazer um serviço de saúde inigualável em toda região. A educação, a infraestrutura urbana, que realmente nós precisamos criar uma nova infraestrutura urbana. Eu consigo ver Camboriú da colina, não do vale. De lá eu consigo visualizar a necessidade na saúde, na educação, no saneamento, desenvolvimento econômico, desenvolvimento cultural, desenvolvimento de turismo, que a gente precisa ter, do comércio, para fluir melhor a economia. Nós acertamos muito, mas também erramos, quem não erra, né? Mas com certeza nesse período de quatro anos eu me tornei uma pessoa muito mais preparada. E com muito honra está ao meu lado o Altamir Montibeller. Esse empresário, ele foi meu adversário político, mas também foi meu secretário da fundação de Esportes durante sete anos.

 




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