Itajaí

Marieta suspende cirurgias eletivas

Havia 45 pacientes ontem no pronto-socorro, muitos em macas, por falta de leitos no hospital. Cinco esperavam lugar na UTI

O hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, clama por socorro. O caos está instalado na unidade que, a partir de hoje, suspendeu as cirurgias eletivas – aquelas em que não há risco de morte –, passando a atender somente pacientes em situação de urgência e emergência. O motivo é a superlotação que, somada à falta médicos e enfermeiros, tornou o Marieta um lugar onde as pessoas ficam em macas no corredor, aguardando atendimento. A medida emergencial visa evitar situações estas situações, mas não há prazo pro trabalho voltar ao normal no maior hospital da região.

Na tarde de ontem, o DIARINHO deu um pulo na unidade peixeira pra conferir como estava a situação por lá, às vésperas da suspensão das cirurgias eletivas. O hospital tava lotado em todos os setores ...

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Na tarde de ontem, o DIARINHO deu um pulo na unidade peixeira pra conferir como estava a situação por lá, às vésperas da suspensão das cirurgias eletivas. O hospital tava lotado em todos os setores e os pacientes que esperam por internação estavam preocupados. Somente no pronto-socorro havia 45 pessoas esperando por leitos. Cinco aguardavam lugar na UTI.

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A auxiliar de serviços gerais Laci de Moraes, 50 anos, que aguarda há dois anos pra retirar o útero, não sabia o que iria acontecer. “Eu tenho um mioma, que estou querendo operar desde 2009, mas tá bastante difícil porque não conseguimos internação”, reclama, assustada com a possibilidade de não receber um quarto. “Fico com medo, porque ainda não me deram uma garantia”, lamenta.

Sua filha Elizângela de Moraes, 28, estava mais cabreira com o fato do povo do hospital orientar as pessoas a procurarem os postinhos de saúde da city, se o caso não for de vida ou morte. Segundo ela, nos postos é ainda mais difícil conseguir atendimento. “Vai sobrecarregar toda a saúde em Itajaí, porque, se os postinhos já são ruins, sem o Marieta vai ficar horrível”, descasca, dizendo que as autoridades peixeiras deviam olhar com mais atenção pra saúde no município. “Isso aqui tá um caos no melhor sentido da palavra”, completa.

Quem também caminhava pelos corredores do hospital ontem era Dirlene Sestrem da Silva, 37, que necessita de uma biopsia no útero. Pra ela, que há dois meses aguarda a internação, a notícia de que os atendimentos serão limitados no Marieta trouxe, ao mesmo tempo, alívio e tristeza. “Alívio por mim, que finalmente conseguirei atendimento, e tristeza por outros, que passarão por problemas”, observa.

A coisa tá feia

No primeiro semestre deste ano, o Marieta já soma uma média de 1456 atendimentos ao mês, sendo que 472 excedem o previsto pelo sistema Único de Saúde (SUS) a cada 30 dias. Sabendo destes números, a vice-diretora clínica do hospital peixeiro, Mylene Martins Lavado, afirma ser impossível atender toda a demanda. “A situação atual já foi denunciada ao Ministério Público várias vezes e hoje repetimos este alerta, para que o hospital não seja responsável, por exemplo, pela uma morte de alguém que não foi possível atender”, afirma, citando uma situação ocorrida no mês passado, na unidade. “Teve um falecimento acho que em junho, de uma pessoa que esperava vaga na UTI do Marieta, e pode ser que aconteçam mais, se medidas urgentes não forem tomadas. Por isso já avisamos novamente o Ministério Público, para que o hospital também não seja responsabilizado nestes casos”, admite.

Mylene lembra que o Marieta atende uma população de 700 mil habitantes dos municípios da região da Amfri, mas diz que o hospital, construído há 40 anos, não tem estrutura pra suportar tanta gente. “De janeiro pra cá o problema se agravou bastante. Precisamos de mais médicos, enfermeiros, equipe profissional, e isto custa caro’, lasca, pedindo oito médicos plantonistas e 100 profis de enfermagem. Isto traria um custo adicional de R$ 300 mil ao mês pro Marieta.

A assessoria de comunicação da secretaria de Saúde da Santa & Bela informou que o estado não recebeu nenhum aviso do Marieta, solicitando ajuda. Acredita que o aviso pode ter sido feito ao município, que até agora não repassou a situação caótica ao estado. A secretária de Saúde de Itajaí, Dalva Rhenius, não foi encontrada ontem pra comentar o perrengue.

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