Matérias | Entrevistão


Itajaí

José Henrique Coppi

“Se os caras não querem, não adianta trazer 11 Ronaldinhos”

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

Nascido na Capital do Mármore, José Henrique Coppi ingressou no meio do futebol profissional em 2003 como um dos fundadores do Camboriú Futebol Clube (antiga Camboriuense). A partir daí, passou a dividir o seu tempo entre as atividades empresariais e clube. Há três anos assumiu a presidência do Tricolor e tornou-se um dos principais responsáveis pelo acesso da equipe à elite do futebol da Santa & Bela.


Neste Entrevistão concedido aos jornalistas Adriano Assis e Anderson Silva, e sob os cliques do fotógrafo Patrick Formosinho, José Henrique Coppi fala sobre a sua trajetória no futebol profissional ...

 

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Neste Entrevistão concedido aos jornalistas Adriano Assis e Anderson Silva, e sob os cliques do fotógrafo Patrick Formosinho, José Henrique Coppi fala sobre a sua trajetória no futebol profissional, da dificuldade de conciliar a vida de empresário com o mundo da bola, sobre a rápida ascensão do clube no cenário estadual e, é claro, sobre os bastidores do futebol.

DIARINHO – Quando e como começou seu contato com o mundo do futebol?

José Henrique Coppi – No futebol comecei no amador. Eu tinha aqui uma equipe de futsal que era muito forte em Camboriú há 15 anos. Representava o nome da minha lanchonete na época, depois passou para a HC Pneus, portanto, começou no futsal. Depois é que tivemos a ideia de formar um clube de futebol.

DIARINHO – Quando começou seu mandato como presidente do Camboriú?

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Coppi – Como presidente começou em 2009. Foram seis anos de vice, desde a fundação em 2003, eu de vice e o [Altamir] Montibeller como presidente. Aí o Montibeller assumiu a fundação Municipal de Esportes de Camboriú e eu a presidência do clube. Tenho mais um ano de mandato, vai até abril de 2013. [E pensa em se reeleger?] Eu vou pensar. Porque estou vendo que ainda precisamos melhorar muito a estrutura. A gente faz várias funções, sou presidente e gerente de futebol. Com isso, minha empresa está ficando um pouco de lado e essa é minha maior preocupação. Minha empresa é minha base. Claro que futebol é uma paixão, a gente fala isso hoje, mas daqui a um mês a gente pode mudar de ideia. Mas a princípio quero que outra pessoa assuma e a gente fique mais no apoio. Porque acredito que a renovação é benéfica. Então sou favorável de que se tiver outra pessoa que se interesse pelo cargo em 2013 e a gente saiba que tenha o perfil do Camboriú, que seja uma pessoa idônea, a gente com certeza vai passar o bastão.

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DIARINHO – É muito complicado conciliar a vida de empresário com a de dirigente de futebol?

Coppi – É muito complicado. Ainda estou conseguindo porque tenho uma equipe muito boa na minha loja, que me dá suporte para que eu saia. O futebol consome muito tempo. São mais de 40 pessoas dependendo de ti e cada um pensando em si. O ser humano é muito egoísta e cabe ao presidente administrar tudo isso. A gente não tem aquela estrutura de gerente, supervisor e vários outros cargos pra resolver os problemas antes de chegar no presidente. Então quase tudo sobra para o presidente e para o vice, que são os mais atuantes. Isso é muito cansativo. Eu tenho que dar a última palavra. Mas acho que é porque estamos no começo e no início tudo é complicado. O Camboriú está crescendo bem e até rápido demais. Acredito que daqui a um, dois ou três anos já esteja com outra estrutura e a gente não tenha tantas funções e seja mais fácil de administrar e delegar funções. No momento não podemos delegar funções, pois tudo isso gera um custo. Se eu for delegar funções ninguém vai trabalhar de graça. O supervisor recebe, o gerente recebe, e infelizmente a gente não tem condições. Porque o Camboriú conseguiu fazer um campeonato com R$ 300 mil e o Marcílio Dias não consegue? É por isso, porque a gente consegue jogadores mais em conta e acumula várias funções. Os jogadores moram aqui na minha quitinete, a minha mãe é a cozinheira, minha empregada é a assistente de cozinha e é assim que funciona para a gente diminuir despesas. E não é por isso que deixa de ser um time profissional. Tem que ter gente que te ajude nessa situação, como a gente conseguiu. Quando apresentamos os jogadores e os uniformes na [Associação Atlética] Brejeiros, comentei que esse time seria um time família mais que o time do Felipão [técnico Luiz Felipe Scolari, pentacampeão mundial com a seleção brazuca e hoje no Palmeiras]. Porque tem esses requisitos que eu falei. É meu pai, minha mãe, tudo envolvido pra que a coisa funcione, e graças a Deus a coisa funcionou. O Camboriú tem uma bela estrutura. Olha, perdemos pra alguns clubes da primeira divisão, mas por pouco. Demos todas as condições pros jogadores e com esse CT [centro de treinamento] que estamos montando vai ficar melhor ainda. Quanto a isso não deixamos a desejar pra nenhuma equipe. Mas financeiramente a gente precisa. A gente sente esse cansaço dessa correria. Poderíamos ter uma assessoria de imprensa mais presente, mas tem que ficar pagando. Poderia ter várias outras coisas, mas como eu falei, isso envolve o financeiro e como a gente não tem, acumula várias funções. Às vezes vem o cansaço, às vezes a gente se arrepende um pouco.

DIARINHO – Fazer futebol profissional atualmente é muito caro e a maioria dos clubes administra muitas dívidas. Qual a fórmula utilizada pelo Camboriú que, em oito anos, não acumula nenhuma dívida?

Coppi – Até eu assumir era uma situação, depois virou outra. Quando o Montibeller era presidente tinha muitas parcerias. Teve uma parceria com o Valdo [ex-jogador da seleção brazuca], teve parceria com uns italianos. Então o que eles faziam? Eles bancavam os atletas e os custos da estrutura toda. O Montibeller era um presidente mais gerente de futebol. Os caras mandavam o dinheiro e ele administrava. Era mais fácil, mais cômodo. Quando assumi, não tinha mais essas parcerias. Então eu e o Pedro Ferreira [vice-presidente do Camboriú] corremos atrás de patrocínios para fazer a coisa funcionar. Muito mais difícil. Só que tu tem mais autonomia, é mais gostoso, entendeu? Porque o jogador é teu. Se não te agradou, tu manda embora e com as parcerias nessas situações a diretoria tem que ficar aturando. Queria comprar uma bala tinha que ligar: “Valdo, posso comprar uma bala?”. Então tu não podia fazer muito, era muito amarrado, o clube não crescia. A partir de 2009 a gente começou a ir atrás de empresas da cidade e da região e começamos a enraizar o clube na cidade. Acho que isso foi nosso maior sucesso. Conseguimos infiltrar no pessoal que Camboriú tem um time que representa a cidade. Até 2006, muitos, até mesmo de Camboriú, não sabiam que o clube existia. Não se fazia um marketing do clube, nada. Porque era tudo pago. Claro que muitas vezes o cara ficava de mandar o dinheiro e ele [Montibeller] tirava do bolso e pagava. Mas não tinha a preocupação de fazer a coisa expandir, porque trabalhava de acordo com os caras. Agora não. Mas eu sempre trabalho em cima de orçamento, sempre. Por isso, quando vamos montar uma equipe eu separo um X pra equipe, tanto pra comissão técnica e tanto pra estrutura. E em cima daquilo ali eu monto minha equipe. Se vai bem ou não vai, eu vou trabalhar em cima daquele valor. O Camboriú sempre teve resultado positivo na formação de jogadores, de sempre revelar muitos atletas. Então não tenho medo de jogar um campeonato profissional com a maioria dos jogadores sendo juniores. Não temos aquela pressão que se tem de uma torcida de Itajaí ou de uma Fúria Marcilista. Então se pode fazer um trabalho mais tranquilo. Claro que basta dois ou três te criticarem, que tu, como pessoa normal, tu fica chateado. Mas é bem diferente da pressão de uma torcida organizada. Então o Camboriú tem essa tranquilidade de colocar os jogadores juniores. Quantos jogadores nesse país, de qualidade, não têm oportunidades? Muitos. Então a gente procura jogadores que queiram mostrar seu futebol com os salários dentro das condições do clube. Se um jogador for pro Marcílio por R$ 5 mil, pro Camboriú ele vai ter que vir por R$ 1 mil ou R$ 2 mil. Ele já tá ciente disso. O Marcílio já tem um nome, o Figueirense já tem um nome e ele vai poder pedir mais. Quando eles vêm pro Camboriú, já têm a consciência de que vão ganhar menos e que estão aqui pra mostrar serviço e ser um trampolim. [Em compensação, ele vem sabendo que vai receber em dia, né?] Com certeza. Essa é a grande virtude do Camboriú e que todo mundo já sabe. Todos que saem daqui saem agradecidos e espalhando sobre essa qualidade do clube. Conversei com um jogador ontem [segunda-feira], ele estava no Rio Grande do Sul e o clube prometeu R$ 6 mil pra ele, mas só pagou o primeiro mês. Fiz o convite pra ele vir pra cá por R$ 2 mil e ele tá vindo por esse valor, pois vai receber em dia, vai ter qualidade de vida, vai ser tratado como gente e vai ter estrutura. Então a gente consegue usar argumentos verdadeiros para trazer o jogador. Por enquanto está dando certo.

DIARINHO – Sem o auxílio do poder público o Camboriú teria como se manter?

Coppi – Seria muito difícil, primeiro porque o estádio é municipal, sem o estádio nós não poderíamos nem estar disputando o estadual. A prefeitura nos fornece toda a estrutura do estádio e nós não gastamos nada. Eles deixam o campo em condições, dão a iluminação, dão os funcionários para cuidar e nos emprestam toda aquela estrutura. Então isso já é um ponto positivo, pois o clube economiza muito graças a essa situação. Além disso, a prefeitura ajuda com um valor anual destinado às categorias de base, mas o maior apoio é a prefeita Luzia Coppi Mathias acompanhar o clube e às vezes visitar algum empresário e pedir ajuda para o Camboriú. Esse é o maior apoio que a gente vê, e sem a prefeitura fica mais difícil. Então a prefeitura nos ajuda muito nisso.

DIARINHO – Fala-se muito nas dificuldades que os clubes da região enfrentam com os chamados jogadores baladeiros. Estar tão perto de Balneário Camboriú é mesmo uma dificuldade?

Coppi – Em 2009 tivemos uma equipe muito melhor do que essa de 2011, tecnicamente, muito melhor. Mas os jogadores não estavam comprometidos. Porque eu fiz uma parceria, o empresário que bancava os jogadores, aí tu chegava, os jogadores, 80% deles na noite e não tinha autonomia pra cobrar. Eu conversava com eles, mas entre tu conversar e ser o cara que manda é diferente. “Não, Henrique, vamos ver onde estamos errando”, aquela conversa bonita de jogador. Mas a gente sabia que eles estavam na noite e não cobrava nada, assim não funciona. Se num grupo tu não tiver pelo menos 80% ou 90% do grupo comprometido com o campeonato, tu não chega a lugar nenhum. Porque se tiver um ruim aí, eles ficam até com vergonha de ir pra noite, porque os outros estão comprometidos e podem entregar ele. Mas era o contrário. Tu tinha 70% na noite e 20% ou 30% querendo. Então a coisa não funcionou. Infelizmente, parceria é difícil por isso. [Como administrar?] É tu estudar o extra-campo deles. É descobrir o máximo possível desses jogadores. Hoje, com a internet, esse mundo tão globalizado, tão fácil, tu pode ligar pra um ex-clube dele e se informar, liga pra outros jogadores e com isso tu já ameniza por baixo uns 80%, tu sabe quem é o jogador e tem que trabalhar em cima disso. Currículo e estudar os antecedentes dele. Em 2009, além do excesso dos atletas na noite, a comissão técnica me quebrou. Eu trouxe um treinador que não tinha trabalhado com uma estrutura como essa do Camboriú, só tinha trabalhado em time grande. Que era o Luiz Gonzaga Milioli [ex-técnico do Avaí e Criciúma]. O Gonzaga veio pra cá e começou a menosprezar os jogadores e eles ficaram irritados. Além disso, ele implicava com tudo. O ônibus para viajar era amarelo, ele dizia que tinha que ser verde. A alface do almoço era crespa, ele dizia que deveria ser lisa [risos]. A tia, a cozinheira, ficava irritada, os jogadores já estavam contra ele. Segurei aquilo até o final do turno e depois trouxe o Lio Evaristo [ex-técnico do Metropolitano]. O Lio fechou o grupo, mexeu, já deu outra vida, mas aí saiu. Eu acho que ele saiu porque recebeu uma proposta melhor, mas ele disse que saiu porque ouviu umas besteiras de uns torcedores. Qual é o técnico que não vai aguentar uma pressão da torcida do Camboriú? Ah, para! Mas tudo bem... Aí saiu e foi direto pro Paraná. Então o Fransérgio, que era meu jogador, assumiu como técnico, mas aí deu aquele imbróglio com a federação Catarinense de Futebol. [O Porto perdeu 12 pontos no Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina, perdendo a vaga no quadrangular final pro Camboriú. Mas no Superior Tribunal de Justiça Desportiva a pena foi diminuída pra perda de seis pontos, assim o Porto recuperou a vaga], ficamos na espera do julgamento e a gente perdeu. Futebol... vou ser sincero, 70% é fechar um grupo. O pessoal conseguir fechar os jogadores com o mesmo objetivo, a mesma filosofia, e 30% tu espalha a camisa. Se os caras não querem, não adianta trazer 11 Ronaldinhos.

DIARINHO – Essa vocação do Camboriú Futebol Clube para as categorias de base é antiga. Ela começou por acaso ou foi planejada?

Coppi – Esse trabalho com a base foi planejado porque os investidores queriam jogadores da base, com idade pra depois poder vender. Então veio através desses investidores que montaram esse projeto. O Camboriú começou a montar essa identidade. Atualmente, se tem mais medo de lançar no futebol profissional jogadores com 17 anos, até 16, porque tá cada vez mais precoce o jogador. Se me perguntassem isso há cinco anos, se eu fosse montar um time, chamaria só medalhões, por medo. Mas com a experiência tu vê que futebol é muito parelho, muito parelho mesmo, hoje se decide partida numa bola parada. Tá muito na força física. Então não tenho medo. Vou montar o time pra primeira divisão e não tenho medo da metade do time ser da base. Então a gente foi criando identidade e vai se aperfeiçoando e vendo que o futebol tá partindo pra isso mesmo. [Até porque os medalhões às vezes não almejam mais nada na carreira, né?] Aí tu tem que procurar alguns medalhões que não sejam assim. Peguei um medalhão e falei: “Olha, tu tá a fim de vir, trabalhar com atletas de base, passar tua experiência?”. Isso tudo foi passado na hora da contratação. Não teve surpresa pra nenhum jogador. Então acredito que isso nos ajudou bastante. O jogador já veio sabendo que ia trabalhar com a base. Porque alguns não gostam e aí já falam na hora. Se ele tem alguma coisa contra, ele já não vem. E nós não omitimos nada pros jogadores quando eles foram contratados.

DIARINHO - O Camboriú sempre se destacou pelas categorias de base [é atual hexacampeão da Divisão Especial Júnior]. A base continua sendo a prioridade do clube?

Coppi - Com certeza, na equipe profissional deste ano temos mais ou menos oito jogadores que eram do juvenil e dos juniores e no ano que vem queremos dar continuidade nesta nossa maneira de trabalho. Além disso, a partir de março vamos começar a fazer uma nova seleção para atletas das categorias de base. Tivemos um time de juniores muito bom este ano. Fomos campeões dos juniores [no Campeonato Catarinense da Divisão Especial], fomos vice-campeões nos joguinhos Abertos, lá em Caçador. Fizemos a final com Criciúma. Jogamos contra Avaí, Marcílio Dias, Indaial e só perdemos nos pênaltis. Então foi um trabalho muito bem feito desde a base.

DIARINHO – Os torcedores do Camboriú reclamam que o quadrangular de 2007, disputado entre vocês, Joinville, Próspera e Videira, não estava previsto e que foi uma jogada para salvar o Joinville da Segunda Divisão. Quando vocês ficaram sabendo que o Joinville disputaria o quadrangular?

Coppi - Na verdade, na época, o presidente do clube era o Montibeller. Naquele campeonato a nossa chance de chegar à elite do futebol catarinense era muito grande, mas com a queda do Joinville a federação Catarinense de Futebol (FCF) mudou o regulamento da competição e a situação ficou mais complicada. Como o clube era administrado através de uma parceria e nós não tínhamos total autonomia, o Montibeller achou melhor não contestar essa mudança de regulamento na justiça desportiva. Aí aceitamos disputar o quadrangular. Depois entramos na justiça desportiva, mas em relação a um jogador do Joinville inscrito de maneira irregular, mas infelizmente não tivemos êxito. [Nesse quadrangular houve muita reclamação em relação à arbitragem. De fato, o Camboriú foi prejudicado?] Na última rodada teve um jogo entre o Próspera e o Joinville que teve um pênalti a favor do Próspera aos 43 do segundo tempo. Se o time de Criciúma convertesse esse pênalti, empataria o jogo e com esse resultado nós conquistaríamos o acesso. O narrador de uma rádio de Joinville na hora disse que tinha sido pênalti, mas o árbitro não marcou nada e alegou que tinha jogador na frente e por isso não viu. [Há alguma mágoa em relação a essa situação ocorrida naquele ano?] Na época teve, a gente ficou chateado, pois fizemos um trabalho maravilhoso. Montamos uma equipe boa, ganhamos do Joinville de 5 a 0 lá dentro da Arena, e perder a classificação por um ponto e com um resultado envolvendo um lance extremamente duvidoso... Além de tudo isso, teve o caso do jogador irregular do Joinville. Mas o tempo é o melhor remédio pra tudo.

DIARINHO - E este ano, quando o Camboriú percebeu que o acesso para a elite do futebol catarinense estava se tornando realidade?

Coppi - Quando nós jogamos com o Juventus lá em Jaraguá do Sul e ganhamos com um gol aos 45 minutos do segundo tempo, o time jogando partida maravilhosa, percebemos que as coisas estavam fluindo para conquistarmos o acesso. A partir do momento que conseguimos aquela sequência de sete vitórias, isso nos deu tranquilidade para confirmarmos o acesso inédito no quadrangular.

DIARINHO –Qual a importância do técnico Eduardo Clara neste acesso?

Coppi – Ele trabalhou conosco em 2005, 2006 e agora, nós já conhecíamos o trabalho dele, de fechar grupo. E ele fez esse trabalho maravilhoso. E a gente trouxe, com essa filosofia, um cara que conhece a estrutura, que vai nos ajudar a melhorar a estrutura. Tinha dia que ele era técnico, que ia pra federação fazer inscrição. Ele fazia vários papéis, coisas que um Gonzaga jamais ia fazer. O Gonzaga era do tipo: “Tá faltando isso, tá faltando aqui”. Tudo faltava para ele. E o Clara não, é diferente. “Não, Henrique, aqui eu me viro”. Fez de tudo pra ajeitar a casa. Tinha vários jogadores incomodando, ele organizou, mandou vários jogadores embora, alguns eu já tava querendo mandar, mas não consegui. Ele me ajudou a organizar e não botou empecilhos. [Nessa estrutura enxuta do clube isso é fundamental, né?] Com certeza, aí fica fácil. Como não tem supervisor, gerente e tal, ele já assumiu isso tudo também. Então, rapidinho, a gente conseguiu organizar e aí ficou fácil para trabalhar. Porque se tu tens um cara desse tipo que quer te ajudar, te dá mais vontade de trabalhar, correr atrás de patrocínio e tal. Agora, se tu vê que a coisa não vai, te desmotiva. “Não vou trabalhar pra essa raça”. Mas este ano não, foi o contrário. “Eu vou trabalhar pra esse pessoal”. Tanto que alguns jogadores que já foram embora, e a gente viu que eles se apegaram de um jeito que, se eu chegasse a um valor um pouquinho maior, eles ficariam. Mas alguns jogadores estão muito fora da minha realidade.

DIARINHO - Como a diretoria do Camboríu viu a tentativa do Hercílio Luz de tirar no tapetão a vaga conquistada por vocês dentro de campo?

Coppi – Estávamos muito tranquilos, porque antes de colocar o jogador [zagueiro Neris] em campo, consultamos a FCF e pegamos um ofício da federação confirmando a situação regular do atleta. Neste caso, se tivesse algum erro, seria da FCF. Apesar disso, eu já estava me preparando para o julgamento no Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina (TJD/SC). [E como você recebeu a notícia na segunda-feira sobre o arquivamento do processo?] Eu recebi até com um pouco de espanto, pois já estava preparado para defender o clube, mas como a denúncia era infundada, nem foi aceita e acabou sendo arquivada.

DIARINHO - Como estão os trabalhos para o Campeonato Catarinense de 2012?

Coppi - Nós estamos correndo contra o tempo, pois é uma dificuldade enorme, já que estamos disputando a segunda divisão e já planejando e articulando uma equipe pra disputar a primeira divisão a partir de janeiro. Então, primeiramente, estou correndo atrás dos patrocinadores. Esta semana já corri atrás de vários que bancaram o Camboriu na segunda divisão, estou conversando com todos eles e atrás de outros. A nossa intenção é, no mínimo, dobrar o orçamento que o clube teve esse ano para fazermos uma boa campanha em 2012. Além disso, já renovei com o treinador Eduardo Clara e com toda a comissão técnica. A partir daí, já começamos a mapear nomes para montar o time para o ano que vem. Mas para formar o elenco preciso ter um valor para oferecer aos jogadores, uma coisa depende da outra. O período que eu tenho para montar essa equipe para primeira divisão e montar uma estrutura pra funcionar é muito curto. Se tivesse uns três meses para fazer isso estaria bem mais tranquilo.

DIARINHO - Qual a meta do Camboriú para o campeonato de 2012?

Coppi - A meta do Camboriú para 2012 é um sétimo lugar. Já está ótimo. Na verdade, não queremos é cair. Estamos trabalhando e acreditamos que não vamos ser rebaixados. Podemos até chegar mais longe, porque o futebol é um dos poucos esportes em que nem sempre o mais forte vence. Caso a gente se mantenha na primeira divisão, já estamos muito satisfeitos, porque daí teremos um longo período para trabalhar em 2013. Com isso, podemos montar uma coisa melhor, com mais estrutura, mais gente para nos ajudar e, com certeza, será menos estressante.

DIARINHO- Como anda o projeto da construção do Centro de Treinamentos?

Coppi – No último dia 27 foi plantada a grama e acreditamos que em abril já devemos estar treinando lá. [Mas a parte de vestiário já tá pronta?] Então, na parte de vestiário vai ser feita pouca coisa. Nós vamos organizar mais os campos, pois alugamos o terreno por 10 anos. Então, não vamos fazer grandes investimentos em infraestrutura. Devemos fazer banheiros e talvez a gente faça um trabalho com contêineres para os vestiários. Não queremos investir ali porque sabemos que será difícil adquirir terreno, pois o dono tem outras ideias para o local. Então vamos utilizar mesmo os três campos [dois oficiais e um reduzido], que é o principal pra gente trabalhar. Se a gente tiver um terreno próprio, aí sim vamos montar um complexo com alojamento e cozinha. [Qual o investimento feito no local?] Foi em torno de R$ 200.000 investidos lá com terraplanagem, a parte da grama e daí mais algumas coisas que vamos fazer agora.

RAIO-X

NOME: José Henrique Coppi

NATURALIDADE: Camboriú

IDADE: 47 anos

ESTADO CIVIL: Casado

FILHOS: Um

FORMAÇÃO: 2º grau completo

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: Foi bancário e depois se tornou empresário. Abriu uma lanchonete e posteriormente uma borracharia, que hoje é um auto-center. Além de administrar o auto-center recentemente ingressou no ramo da construção civil. No futebol começou em 2003 como co-fundador e vice-presidente do Camboriú (que na época se chamava Camboriuense). Há três anos assumiu a presidência do clube.

“O futebol consome muito tempo. São mais de 40 pessoas dependendo de ti e cada um pensando em si, o ser humano é muito egoísta e cabe ao presidente administrar tudo isso”

“Futebol: 70% é fechar um grupo de jogadores com o mesmo objetivo, a mesma filosofia, e 30% tu espalha a camisa. Se os caras não querem não adianta trazer 11 Ronaldinhos”

“Porque o Camboriú conseguiu fazer um campeonato com R$ 300 mil e o Marcílio Dias não consegue? É por isso, porque a gente consegue jogadores mais em conta e acumula várias funções”

 




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