Matérias | Geral


Itajaí

Moriel, do Dazaranha

“Os poderes estupraram a jovem democracia, porque esse é o país da sacanagem, da putaria”

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]


O manezinho mais quirido da Santa & Bela tá cheio de novidades. Depois de quatro anos de sucesso, Darci, personagem interpretado pelo músico Moriel Adriano da Costa, da banda Dazaranha, lançou um CD, um DVD e um livro com as historinhas mais engraçadas da carreira. Na quinta-feira ele esteve em Itajaí e fez o show de lançamento no teatro da city peixeira. Antes de subir no palco, ele deu um pulo no DIARINHO e bateu um plá com os jornalistas Karine Mendonça e James Dadam. Em uma hora de muitas risadas e inúmeros causos, Moriel falou do início da carreira como músico, da inspiração em criar o personagem, da relação com o público e com a cidade de Itajaí. Polêmico, desceu o cacete nos ministros do Supremo e falou sobre drogas, farra do boi, música e piadas, da beleza da natureza e da destruição ambiental que tá rolando. Os cliques são de Felipe Schürmann.


 

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DIARINHO - O Darci, que é o personagem que você faz, ele faz piada com o mundo dele, com o mundo do Darci. Em quem foi inspirado o personagem? Como ele nasceu?

Moriel Adriano da Costa: Tu consegues perceber nas tuas comunidades que tem pessoas com características que acabam sendo o humor comum. Aquele que tu bate na venda, no bar, no campinho de futebol. São pessoas que são, vamos dizer, os choques de cultura. Aquele que pra ele é uma coisa, mas na verdade é outra. Tudo isso tu vê que tem elementos de humor que são muito originais, são muito valiosos, e que acaba sendo isso a tua identidade cultural, a tua identidade de achar graça das coisas. E foi em cima disso, dessas características dessas pessoas que eu fui utilizando como meu laboratório e fui construindo as aventuras em cima desses caras que eu considero que são os verdadeiros personagens, verdadeiros Ganizas ou Darcis. No caso, o Ganiza é o amigo do Darci. E tem a mãe do Darci. São os três: o Darci, a mãe dele, o Ganiza. A mecânica acontece entre os três. Ora com um, ora com outro, ora com os dois, ora o Darci sozinho. E aí outras coisas que tu adaptas, tu ouves uma piada e transfere pro manezês. Algumas coisas daqui mesmo de Itajaí a gente já usou, porque a cultura acaba sendo uma cultura muito parecida. Acho que a identidade se dá pelo nosso jeito de viver. Simplicidade da galera. A galera vive com simplicidade, com uma autenticidade. A gente não precisa muito de fatores externos, de referências exteriores, de outros estados, países, pra se sentir com cultura. Então, hoje [quinta] a gente tá aí lançando um CD, DVD e um livro, que veio pra coroar esses três, quatro anos de envolvimento com o humor. Das 300 historinhas a gente tirou as melhores, são 60 e poucas. O DVD, a gente gravou em duas sessões. E o livro, ele tem uma característica diferente. Ele tem uma contextualização de uma escritora e uma transcrição exata do que é uma aventura de Darci. Aí aqui tem um pouco de ilustração, que a gente também precisa fazer os desenhos.


DIARINHO - Como surgiu a ideia de fazer os shows com o Darci?


Moriel: Como eu não tinha casa e eu tinha três filhos, a minha mulher marcou uma pizzaria e disse: “Tu vais lá na pizzaria fazer o Darci”. [Ele respondeu:] “Cara, mas eu não vou botar um chapéu de palha, botar uma roupa de manezinho e vou lá”. [A mulher:] “Não, tu vai lá contar história pros caras”. [Moriel:] “Cara, eu não vou fazer isso. Tudo menos ir lá e fazer papel de palhaço. Chegar ali, vai ser foda, cara”. [Ela:] “Não, tu vais lá, porque todo mundo tá dizendo que tu tens que fazer e não sei o quê”. Aí eu fui. Anotei algumas coisas num papelzinho, contava uma historinha, olhava no papel. Bem inseguro, porque eu nunca fiz aquilo ali. Aí foi indo, foi indo, foi indo, e quando eu vi tava fazendo isso todos os dias. Tanto que eu fiz terça, fiz quarta, tô fazendo hoje [quinta], vou fazer amanhã [sexta], viajo com o Dazaranha no sábado e domingo, e semana que vem é tudo de novo, e na outra semana é tudo igual. As pessoas começaram a ter necessidade. Porque o que acontece, muitas vezes, é que a cultura ela é, não digo a cultura de tu ir no teatro, mas a cultura que tu te identificas, que tu te realizas. A cultura é tão importante quanto a comida, tão importante quanto dormir bem, ser transportado bem, saúde. Eu acho que isso alimenta muito as pessoas. E eu vejo que o Darci veio numa hora em que a galera de Florianópolis passava da metade da população de pessoas que não eram nascidas em Florianópolis. Então ele veio pra revitalizar a cultura. Foi bacana porque foi um momento em que as pessoas começaram a parar do lado do rádio pra ouvir rádio de novo, em grupo. Em pouco tempo a gente teve mais de três milhões de acesso no Youtube. E isso é áudio, não é vídeo. No canal de imagem, se dá pra ouvir, é porque a galera gostou da brincadeira. E pra confraternizar, coroar esses três anos, a gente desenvolveu esses três produtos e estamos aqui na cidade de Itajaí, que é, sem dúvida, o lugar onde o Darci mais vem. É muito legal. Não tenho que pensar em nada de mudar pra falar em Itajaí, porque é a mesma coisa. É a mesma cachorrada do lixo. É a mesma cacalhada. Algumas peculiaridades de Florianópolis, aqui não preciso fazer nenhuma transferência. Nenhuma. O que eu quero dizer pra vocês é que eu não tenho a mesma receptividade no sul. Eu não tenho nem um décimo em Joinville. Isso demonstra que a nossa identidade litorânea, nós temos muito parecidas. Não vou dizer iguais porque, logicamente, somos um pouco diferentes em algumas coisas. Vocês são portuários, vocês têm uma relação muito mais com o exterior do que a gente. Nós somos mais turísticos, vocês são um polo industrial, de importação e exportação muito grande, um dos municípios mais ricos do estado. E culturalmente vocês são mais responsáveis. Em Florianópolis a gente sente isso. Itajaí, pelo menos antes, demonstrava mais isso. Sempre foi uma cidade com muito workshop, sempre foi com muita música.

DIAIRNHO - Você falou que o Darci surgiu naquela época em que a população de Florianópolis tava deixando de ser manezinha e que tava vindo mais gente de fora. Aqui em Itajaí também tem muito essa discussão do orgulho peixeiro, algumas pessoas têm vergonha do sotaque, do modo de falar dos itajaienses. Outras pessoas defendem. Na tua opinião, essa cultura do mané ou do peixeiro, da pessoa ingênua, ela ainda existe muito ou está desaparecendo?

Moriel: Ela tá se transformando. Eu acho que ela nem permanece, nem desaparece. Ela se transforma. Eu sou casado com uma paulista. Meus filhos já são uma mistura de manezinho com paulista. Mas em alguns lugares ela permanece intacta. Em outros, completamente invadida. Mas vale ressaltar que quando você vai, por exemplo, pra Salvador, no Pelourinho, você não vai lá pra acabar com o Pelourinho. Você vai lá pra ver os negãos tocando e as gatas dançando. Tu vais pra respirar aquela cultura. Quando tu vais numa praia e é o restaurante de um manezinho, o manezinho te atende e te dá um peixinho frito, e toma uma gelada, aquilo ali é o melhor de tudo. Aquilo é que te emociona. É aquele fim de tarde, com aquele peixe frito, com aquela cerveja, com aquele cara te servindo, aquilo que é legal. Não é outra coisa que é legal. Porque se tu achar que o legal de Florianópolis é tu ir pro shopping e comprar um monte de coisas, não. Shopping é igual em todos os lugares do mundo. Mas aquele barzinho, com aquele peixinho, com aquela cerveja, com aquele cara, aquilo ali é uma coisa que te dá uma felicidade, te dá tal aderência porque tem uma originalidade, tem ali uma peculiaridade. Então, quando tu vais pra Alagoas comer uma lula, e vem aquele cara com aquela viola tocando aquelas trovas, tu nem tá muito a fim de ouvir a trova do cara, mas aquela atmosfera da trova, com aquela água quente, com aqueles coqueiros, aquilo ali que fica de Alagoas. Alagoas é isso. Alagoas não é um shopping. Tu vais pro litoral de São Paulo, aquela mata atlântica, as árvores caindo no meio do oceano, aquela grandeza, aquela exuberância do verde. Aquilo é o litoral. Saca qual é? Tanto que se tu chegas numa praia muito urbanizada, ela passa a ser mais um balneário brasileiro. Camboriú, Balneário Camboriú. Mas como é bonito! Não sei se é bonito. Eu sei que tem uma praia, um pedacinho de areia e um monte de prédio. Então, isso é descaracterização geográfica, que naturalmente descaracteriza a cultura e descaracteriza o prazer de tu estares num lugar. O que tu gosta mesmo? O que mexe contigo? É um lugar virgem, muitas vezes. Pelo menos, o que mexe com a minha alma é eu conseguir entrar num lugar assim. Onde é que é essa praia? Tu tais andando numa trilha e tu começas a ouvir badulaques. Que praia é essa? E tu não viu a praia ainda. Abriu aquilo e tu já ohhhhhh. Aquilo que é legal. Aquilo é que mexe com a tua alma. De carro. Não tem o mesmo impacto. Porque eu acredito que é a natureza que mexe com a tua natureza. Floripa hoje, sem dúvida nenhuma, passa por uma transformação. Eu costumo dizer que Florianópolis é muito legal por aquilo que já foi e não pelo o que tá se tornando. Da mesma forma Itajaí. A Brava, por exemplo, a nossa Brava aqui. Então os caras botaram pra fuder mesmo, cara. Esse é o país da sacanagem, é o país da putaria. A tal da Fatma, do Ibama, essa é a própria putaria. Mas o que que é isso? É a falta da turma junto. Então quando tu falas da farra do boi, é um exemplo de autogestão fantástico. Eles machucarem um animal, zoarem o animal, tá tudo errado. Mas os caras compram 10 bois em cinco minutos. Como que conseguem tanto dinheiro rápido? Em 10 minutos eles compram 10 bois, conseguem cinco mil reais em 10 minutos e pronto, conseguiram. Entendeu? Cultura, cultura. Nós temos que tá junto. Essa força, há de se admirar que os caras não são fracos na hora de se agitar. Mas pra outras coisas, é um pouco fácil de manobrar como qualquer povo. Eu vejo isso, a preservação do nosso estado. Preservar a cultura é uma coisa, mas quando tu deixas de preservar a natureza, as praias, tu já fudeu um monte de coisas junto.


DIARINHO – Subir no palco e encarar o público ainda é difícil como foi lá na pizzaria ou o fato de você ser músico facilita as coisas?

Moriel: Agora facilitou bastante. Nos primeiros shows tu ficavas com medo de alguém vir pra cima de ti ou de alguém reprovar. Agora tu vais pra cima dos outros. Tanto é que se por algum momento alguém do público falar uma que tu te dá mal, a galera adora, porque tu tá ali pra fuder com os outros também. Esse mexer com as pessoas e sempre se quebrando, falando mal de você mesmo. Então a gente aborta completamente a possibilidade de falar de negro, de gordos, de putas, de viados, de qualquer doido que pareça, de gaúchos. Não! Eu acho que se você brinca com alguma coisa que vai mexer com a moral ou com a graça de alguém, tu tens que tá pronto pra enaltecê-la na sequência e mostrar que aquilo não passa de uma brincadeira. Mas deixar o cara marcado numa noite com uma coisa que foi desagradável, se o cara levanta e vai embora, acaba com a noite do dono do bar, com a tua noite. Com a música tá eu e mais nove músicos e mais seis de uma produção. Às vezes nós estamos em 17, 18 pessoas. Agora, tu pegou o microfone e vai sozinho. Ainda não tô sozinho porque o Ildo [assessor] ainda faz uma abertura e, queira ou não, esse protocolo te ajuda, porque alguém te apresenta. Mas tem lugar que o cara vai, e da mesma forma que você pega um público totalmente receptivo e educado, tem hora que tu pegas pessoas mal-educadas. Eu vejo que quando você vai se apresentar num bar, e as pessoas pagaram pra ver você, se tem um cara do lado que tá zuando o ambiente, ele tá me desconcentrando, mas ele tá desrespeitando as pessoas que pagaram pra ver e o dono do bar não vai falar com ele, eu que tenho que falar. Eu é que tenho que preservar as pessoas que foram me ver. Na terça-feira eu fui fazer um bar na beira-mar e foi muita gente da minha família, uma galera, o bar tava lotado. E na mesa da frente tinha três caras e uma gata e eles tavam falando muito alto, mas totalmente desconectados do evento. E eu percebi isso na hora, que aqueles três ali estão fora. Só que também tu não pode cair na frequência daquelas pessoas. Tu tens que abrir pras outras. Mas quando aquilo ali começou a ficar muito, muito, muito, e que eu vi que os caras realmente tão te tirando pra otário, aí tu os vê ali e assim tu os classifica. “Ei, ei, ei! Ei, ei, ei!”, aí o bar todo olhou pra ele, “Eiiii!”, aí ele olhou pra mim. “Essa piada eu vou contar só pra ti”. O bar todo olhou pra ele. “Só pra ti que eu vou contar essa piada aqui, meu quirido. Se o bar quiser ouvir, fique à vontade, mas essa é só pra ti. Escuta só, tô brincando, quirido, não é nada não. Ei, desculpa, não foi nada não. Tu não tá desconcentrando, fica tranquilo”. O cara gelou, cutucou num amigo, cutucou no outro, os quatro levantaram. Na hora que os quatro levantaram, que saíram, daí eu disse: “Agora o ambiente tá bom, raça. Um aplauso de palmas pro ambiente [som da palmas]”. Vai embora, velho, vai timbora, irmão, entende? Não pega uma mesa na frente. Tenha respeito pelas pessoas. Pega uma mesa lá num canto, vai lá fora, tem mesas lá fora. Sacô? Então, aprender a lidar com isso aí, até porque, como eu sou capoeirista, lutador, com um microfone pesado na mão, ignorante, o cara começou a zuar, já começo a pensar em dar com o microfone na cara dele. Então eu tenho que me controlar. E tem pessoas que não têm limites mesmo. Então, antes eu entrava muito em combate. Agora eu já digo que não é mais por aí. Mas uma vez eu fiz, tinha três meninas e um cara, eles eram de outro estado e zuaram o bar. Aí as mulheres do lado começaram: “Ô meu filho! Tais atrapalhando!”. Quando eu vi que a mulher interferiu e eu não, eu tô errado. Cheguei lá no cara e falei: “Tu és o homem dessa mesa?”. Só tava ele de homem [risos]. “Bota ordem nessa merda, velho. Bota ordem nessa merda aqui, cara”. [Eles:] “A gente não tá entendendo”. [Darci:] “Princípio número um pra entender é prestar atenção. Número dois, vocês quatro não são completamente inúteis, vocês servem como mau exemplo”. Cara, e só pau e pau. Se tu não fizer aquelas pessoas se levantarem e irem embora, elas acabam com a tua noite. Isso é a parte ruim. É a parte que eu tenho que aprender a lidar. A parte boa é quando tu chega num lugar, numa empresa, num teatro, num anfiteatro, numa zona, e para o ambiente. Não é que agora tô me sentindo artista, não! É que o momento fica muito legal. Da mesma forma que tem hora que é surpreendente a educação dos outros. A gente faz o boliche ali, lotado de gente. É um respeito pelo que tá acontecendo. Por quê? Porque absolutamente as pessoas ficam à vontade. Às vezes comentam, vai e explica pro cara, daí eu já digo: “Pô, tu tais explicando pra ele? Ah, pessoa que tem problema não entende na primeira vez”. Então, tudo é brincadeira. A gente só passa a ter uma situação de confronto quando tu vê que o cara tá avacalhando com a tua noite. Quando o cara quer acabar contigo, tu é obrigado a ir lá e dar um tesourão mesmo pra ele ver que tu és desgraçado também. [risos]

DIARINHO - As crianças e os adolescentes também acabaram se encantando com o personagem. Era esperado esse sucesso?

Moriel: Então, muitas vezes a gente tem que esperar algumas coisas reagirem pra tu entender qual é o público, qual a faixa etária, qual classe econômica. Todas essas leituras que a gente faz depois, elas naturalmente aparecem. Mas a gente consegue ver que o nosso público não é o público mais pobre, não. Quando tu vai numa comunidade muito pobre eles quase não entendem as piadas. É uma piada um pouquinho mais pra galera que saca. Por quê? Por exemplo: “Aquele cara matou o John Lennon, esse cara é o Chapman [Mark David Chapman]. Esse cara é um assassino, matou o cara mais importante da música mundial. Faz alguma coisa! Daí o outro falou: Ô Chapman, já ouvisse falar na Joelma do Calipso?” [risos]. Quem não sabe quem é o Chapman, nem quem é o John Lennon, nem a Joelma do Calipso, o cara não entendeu a piada. Então o nosso segmento é esse mesmo, a moçada que tá mais antenada nas coisas. “Ah, eu tô disonlaine, quirida, não pego na aparelhagem que eu tô disonline”. Tá disonline, não tá on-line, entendeu? O disonlaine já tá errado. Mas se a pessoa não sabe o que é estar on-line, ela não vai saber o que é estar disonlaine, né?


DIARINHO – Você tem medo que o personagem Darci se esgote? Que as piadas percam a graça?

Moriel: Eu tô sempre buscando coisas novas. Tanto é que esses dias eu tava vendo uma folhinha que eu tinha, antiga. Cara, que que é isso aqui. Tudo diferente. Um cara ontem veio me falar de uma do ovo. “Eu sou o Darci, eu e o Ganiza queremos ganhar dinheiro. Aí um cara diz: ‘Ganiza, tu conhece tudo sobre o teu passado. O cara paga cinco reais e tu fala tudo do teu passado’. Daí tá, fila de gente pra caralho. O Ganiza é um vidente. ‘E ai, Ganiza, qual foi a roupa que tu usasse no dia tal?’. ‘Uma bermuda jeans e uma camisa Marcopolo’. ‘Como?’. Aí eu que sou o manager dele: ‘Vamo, vamo, vamo que tem mais gente, vamo bora, vamo bora’. Daí, daqui a pouco chega um gringo: ‘Ganiza, o que é que tu comesse em 1981, às quatro da tarde?’. ‘Ovo’. ‘Mas como assim?’. ‘Vamo bora, cara, já te respondeu, vamo bora que tem mais gente aí’. Dez anos depois esse cara volta pra ilha, tá o Ganiza caído no chão, bêbado. Na época o Ganiza tava fazendo sucesso. O gringo olha assim: ‘Pô, Ganiza, mas como?’. ‘Frito’.” [risos] Entendeu? Uma merda isso aí. Outra. Abre a porta, o cara tá se acabando na punheta. A mulher olha e diz: “O que é isso?”. “Não morres mais!” [risos]. Tava pensando na mulher. Ou ela acredita que ele tava pensando nela, entendeu? “Pô, cara há quanto tempo?”. “Dez anos”. “Porra, se tu tivesse assaltado um banco tu já tava solto, porra”. [risos] Essas merdinhas, as pequenininhas, entendeu? Então encontrar essas miudinhas que é o negócio.

DIARINHO – Antes do Darci, tem o Moriel e o Dazaranha. Você fundou a banda com os teus irmãos. Da onde veio a ideia de criar uma banda em Florianópolis, fora do eixo Rio-São Paulo?

Moriel: Essa parada da banda foi mais ou menos assim. Nós tínhamos um grupo de chorinho e todo mundo tocava música cover. E os caras que tinham banda deixavam o cabelo crescer, botavam um capote preto e era muito difícil chegar perto desses caras. Eram muito marrentos. E nós, como vivíamos a capoeira, a gente andava muito na rua. Nós tínhamos um contato direto com a cacalhada. Então nós ia pras rodas de mercado, caía na porrada com os negão, nós ia pra praia e nós também era as encrenca. As merdas era nós. Essa proximidade com a galera, nós não conseguimos ficar marrento. Não tinha como, porque já tá no meio da galera. Uma coisa é tu querer fazer parte, outra coisa é tu ser a própria coisa. Como a gente já era a própria cultura, com capoeira, com dança, com música, com chorinho, não tinha como fugir. Toda hora tava envolvido com a galera, com festa, com doideira, maluco, drogas. Quando tu fica fumando maconha com a galera direto, aquela porra toda, tu começa a ficar da cacalhada. Mas o que eu acho que me ajudou muito na construção da banda foi ter vindo de uma família muito pobre, de uma simplicidade assim que podemos considerar que na nossa época não tinha menino de rua, porque nós é que éramos meninos de rua. O que aconteceu é que nessa época que a gente formou a banda, as bandas interpretavam muito. Elas não tinham uma identidade, elas não conseguiam ter essa originalidade. E quando Dazaranha veio, era uma necessidade que a cidade tinha. Como eu compunha as músicas, cheguei falando só de coisas da ilha. A música da Galheta, a música da praia Mole, da Tribo da Lua, Tribuzana, que é trovoada, o meu compromisso com a natureza, Vagabundo Confesso, que era uma música de capoeira, e tudo associado à ilha, falar de Garopaba, de Imbituba, e fomos começando a falar de coisas nossas mesmo. E, queira ou não, se você não tiver afinado e no ritmo, você não consegue fazer alquimia com as pessoas. Você não consegue fazer mágica com música. E o Dazaranha era uma banda que ensaiava muito. Então, tocar no metrônomo e afinado é uma coisa que o Daza não abria mão. Eu vou dizer que a caixa d’água [uma caixa d’água desativada e usada pra ensaios] onde nós ensaiávamos, a gente fumava maconha e ficava ensaiando tanto dentro daquela caixa d’água, tanto, que eu juro por Deus pra vocês, inúmeras vezes eu me perguntava: “Que horas tem? É 11 da manhã ou 11 da noite?”. E eu caminhando até a porta, pra abrir a porta, não sabia se era dia ou se era noite. Abria, altos sol, 10 da manhã. Várias vezes eu tive esse lapso assim. Sabe por quê? Quando você toca afinado e no ritmo, o tempo não existe. Por isso, quando tu tais ouvindo uma sonzera, o tempo voa. Quando o cara erra, tá desafinado, o cara sai e vai tomar uma gelada. O som não te pegou. A gente passava um dia tocando uma música. Nós passávamos duas horas tocando quatro compassos pra colar bumbo com o baixo. “Tum, tuntutuntu, pá pá, pá, pá, pá, pá”, aquela porra do “pá, pá, pá”. Daqui a pouco tu tava, “tóct plá tóct plá pá pá pá”. Cadê o metrônomo? Sumiu o metrônomo, para de tocar. “Pá pá pá pá pá”. Nós acabava com o metrônomo. Tava tão perfeito que ele sumia. E tem um monte de banda hoje que não toca com o metrônomo e tu consegue perceber a variação do som. Então, a construção das dinâmicas, fazer o som acelerar e frear, o vento, o calor, essas sensações que a dinâmica constrói foi uma coisa que a gente trabalhou bastante. São vários aspectos relacionados à técnica de execução e que a gente costuma dizer que é 99% de transpiração e 1% de inspiração, pra poder chegar no que a gente queria.

DIARINHO - Falando em inspiração, você compõe as canções do Dazaranha. Como é a sensação de você ver multidões nos shows cantando as suas músicas?

Moriel: Não é um prazer só meu. É um grupo. Mas quando você elabora um tema e constrói uma composição e tu vê as pessoas cantando é muito legal. Ainda mais quando são coisas que são importantes das pessoas cantarem. Então tu constrói algumas coisas que assim, tu sente orgulho de tá fazendo aquilo ali. E o tema acaba sendo fundamental. Uma vez eu tava em São Paulo. Não suporto aquela cidade. Ficar um, dois dias, ficar um mês lá pra gravar, aí abri um jornal e tinha duas crianças de rua deitadas com uma cabeça encostada na outra. E ali eu percebi que as duas crianças, o que tinha de seguro pra elas era uma tá com a cabeça olhando pra outra. Aí fiz a música carretão [ele canta Nossa Barulheira]: “O carretão tá na ladeira, o carretão vai descer”. E fala de uma criança de rua. “Sobe o morro do perigo, não é mais do que ninguém, vai subir com 25 e vai descer com mais de 100. Que ninguém perceba de onde ele vem, a altura de menino, armado de porquê. Conhece a brincadeira de não ter onde viver. Na rua dorme sem poder e acorda sem querer. Nossa Barulheira. O carretão tá na ladeira, o carretão vai descer. Saiu na banda torta pra não se complicar. Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar. Foi na volta que o mundo deu ou na volta que o mundo dá. O lugar dessa criança é na roda de brincar”. E tu vais desenvolvendo frases. A última frase que eu criei foi essa semana, sobre o embargo dos infringentes. Eu disse os três poderes, porque quem tá sendo condenado é o executivo. O filho da puta do José Dirceu é executivo, os demais do legislativo, o presidente da câmara, João Paulo [João Paulo Cunha], e quem tá julgando, fazendo aquela palhaçada toda, é o judiciário. Então, eu gostaria de fazer uma campanha de outdoor, que diria assim: “Os três poderes na frente dos nossos filhos estupraram uma jovem democracia, porque esse é o país da sacanagem, o país da putaria”. Então aqueles quatro caras que votaram contra o embargo e os quatro que votaram a favor, são oito filhos da puta. E o cara que era o mais antigo do Supremo, ele é o maior filho da puta. Então aquilo é uma sacanagem escancarada. Aquilo é um tapa na cara dos brasileiros. Então, se um guri vende 100 gramas de maconha, leva uma surra e fica preso três anos. E esses caras roubam milhões e não vão presos. Então é isso que o compositor tem que pegar pra ficar pensando. Frases que eu creio que têm poder quântico, que elas sobrepõem uma simples definição, por exemplo: “Homens sem armas na mão, jamais serão desarmados”. Quando eu digo “você jamais será desarmado”, eu estou afirmando que tu jamais estarás sem armas. Se você jamais será desarmado, significa que você estará sempre armado. E o homem sem armas na mão, ele jamais será desarmado. Ele não tem arma. Então, não ter arma é uma grande imunidade. A inocência e a ingenuidade, de fato, são escudos fantásticos. São da moral, são da alma, são do espírito da pessoa. Por isso eu questiono na música Cubo: “o meu compromisso com a minha natureza é de não ser igual”, refere-se aos deficientes físicos. Porque a deficiência é aquela que faz mal pra alguém. O cara que entra aqui com um cadeirante, que trabalha aqui com vocês o dia todo, ele não tem nenhuma deficiência. Ele tem uma limitação, mas não tem uma deficiência. Mas o cara que pega um revólver e manda o outro ajoelhar, esse movimentinho de puxar o gatilho, isso é uma deficiência enorme. É só o movimento que ele puxa o gatilho, não é nada, mas é uma grande deficiência. Então essa releitura do que é ser deficiente, do que é ser bom, do que é ser mau, eu acho que o compositor tem que mexer com as pessoas. “Desintoxique-se de violência, a consequência é saúde pra você. Desintoxique-se, há um resultado bom esperando por você” [trecho da música Desarmados]. Tentar trazer esse tipo de linguagem.

DIARINHO – Vagabundo Confesso foi a música que deu uma maior projeção pra vocês. Como era a vida de você antes e depois dessa música? O que ela representa pro grupo?

Moriel: Essa música causou o maior impulso na carreira do Dazaranha. Essa música é uma mistura de ideias. O compositor de boa parte desta letra se chama Nestor Capoeira, e as outras partes se referem a puxadas de rede, cultura de praia do litoral nordestino. A gente juntou as coisas e botou um Dazaranha em cima e ficou o que é. Sem dúvida foi a música que mais repercutiu. Foi muito legal porque foi na época que o Guga [tenista Gustavo Kuerten] foi campeão de Roland Garros e aquilo ajudou. A gente era a banda do Guga. A gente foi pra São Paulo fazer uma semana de televisão porque nós éramos a banda do Guga. [risos] O Guga é uma viagem. Tu vê, que legal, né.

DIARINHO – Depois de todo esse sucesso, o cachê de vocês aumentou? Quanto custa um show do Dazaranha?

Moriel: Eu acho que cada músico hoje, por mês, deve ganhar uns oito pila, 10 pila. No verão ganha mais, em outubro ganha menos, em abril quase não ganha. Março e abril é foda. São os meses que a galera gastou tudo nas festas. Tem que pagar escola, IPVA. O nosso cachê hoje é 12 mil. Cada músico ganha um cachê de um barão mais ou menos, por show. Nós temos todos os sábados agendados até fevereiro. A gente já tem uma agenda de quase seis meses fechando os nossos sábados. A gente tocou no festival de Bonito (MS). Tocamos em Campo Grande (MS). Tocamos muito no Paraná. Curitiba a gente toca praticamente todo mês. O Daza viaja bastante. Fomos convidados pro Brazilian Day, na Califórnia, em São Francisco e São Diego. Acabamos não indo porque o consulado viu que era muita gente e queria que a gente pagasse dois mil dólares cada um, porque nós íamos pra explorar o mercado. Na verdade a gente ia tocar de graça por convite de uma ONG. “Vocês querem entrar ilegal no meu país”. Eu disse: “Oh, amigo, aí a gente compraria uma passagem pro México. Não precisaria tá aqui falando com você, né, cônsul. Não tem problema, a gente não vai não, cara. Deixa pra lá. Vamos pra ilha comer camarão”.

DIARINHO – Qual a dica que você dá pra quem quer montar uma banda?

Moriel: Eu acho que quem quer começar na música deve, principalmente, se envolver com pessoas afins, estar a fim de pessoas afins, e no determinado momento em que aparecer o trevo das opções, vou cuidar da minha banda ou vou cuidar da padaria do meu pai? Porque tem cara que tem uma banda e ajuda o pai na padaria. Aí um dia o pai briga com ele e não vai ensaiar com a banda porque tem que cuidar da padaria. Esse é o cara que realmente não vai. A melhor forma de você se comprometer é horas de relacionamento com a arte. Não existe de forma alguma, ninguém que vai se dar bem, sem se comprometer com horas de relacionamento com a banda, com ensaio. Uma coisa é eu ensaiar com vocês dois. A outra coisa é eu depois em casa ficar sozinho. Que aí amanhã eu chego: “Rapazes, olha isso aqui”. “É, mas eu também, oh”. No Dazaranha foi assim. Quem ameaçava mais ou menos dizer que ia cuidar da padaria do pai, galera tava pronta pra cortar o pescoço, porque ninguém pode dar arrego pra ninguém. Mas o que eu diria é o seguinte: tenha prazer em fazer aquilo que você tá fazendo, e que aquilo te convença, que aquilo faça você se sentir bem. Não faça a música que não te sintas bem, não faça nada que não te sintas bem. Isso que vocês estão fazendo é arte, é comunicação, é uma coisa dinâmica. Tá tudo interligado. Tá tão interligado que uma vez a Dazaranha chegou a uma conclusão. Que quando a gente tava ensaiando e tocando, começavam a acontecer coisas. A gente ia tocar lá, ou a gente ia fechar um projeto lá. Tá desconexo, não acontece nada, as pessoas não te chamam. Quando tu tás concentrado na tua produção as coisas começam a acontecer. É essa a dica que eu dou pra galera: envolvam-se, corpo e alma, tempo.

A inocência e a ingenuidade, de fato, são escudos fantásticos. São da moral, são da alma, são do espírito da pessoa.

A cultura é tão importante quanto a comida, tão importante quanto dormir bem, ser transportado bem, saúde. Eu acho que isso alimenta muito as pessoas

Preservar a cultura é uma coisa, mas quando tu deixas de preservar a natureza, as praias, tu já fudeu um monte de coisas junto.

RAIO X

Nome: Moriel Adriano da Costa

Naturalidade: Florianópolis (SC)

Idade: 44 anos

Estado civil: união estável

Filhos: três

Formação: técnico em edificações e professor de educação física

Trajetória profissional: Desde pequeno gostava de esportes, entre eles a capoeira e o surfe. Quando tinha uns 14, 15 anos de idade, formou um grupo de chorinho com os irmãos. Como gostava de desenhar, no ensino médio cursou técnico em edificações. Na faculdade começou a cursar química, mas sem satisfação. A paixão pelo esporte o levou pro curso de educação física, no qual se formou, e a trampar como professor em escolas. Em 1992 formou o Dazaranha e acabou sendo expulso das escolas onde ensinava. Virou músico em tempo integral, até quatro anos atrás, quando surgiu Darci, o manezinho simpático que arranca gargalhadas de adultos e crianças.




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João Paulo

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Entrevistão Peeter Grando

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