Matérias | Especial


Itajaí

Devotos de outras religiões revelam como passam o Natal

Entre os hábitos, há cânticos, danças, cerimônia com muitas velas e até uma ceia vegetariana para confraternizar com os entes queridos

Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]

O Brasil é conhecido pela hospitalidade com que recebe os imigrantes, que contribuíram com seus hábitos e valores na formação deste país multicultural e de dimensões continentais. A religião faz parte da herança imaterial trazida pelos imigrantes, que chegaram até os dias atuais com o passar das gerações. Além da religião herdada, muitos viram na religiosidade de matriz africana ou oriental a resposta para seus anseios por espiritualidade. O resultado disso é um caleidoscópio de ritos, símbolos e costumes que enriqueceram ainda mais a religiosidade brasileira.

Mas e quem não é católico? Como será que vive o período natalino? Será que tem troca de presente, ceia, pinheirinho, presépio? Acompanhe, a seguir, depoimentos que revelam a cara multifacetada da ...

 

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Mas e quem não é católico? Como será que vive o período natalino? Será que tem troca de presente, ceia, pinheirinho, presépio? Acompanhe, a seguir, depoimentos que revelam a cara multifacetada da religiosidade nacional, com adeptos em Itajaí. Cada devoção tem suas características próprias, mas todas com um aspecto comum: a ênfase na solidariedade, que marca a época natalina.



Judaísmo

Marcio Besen, 49 anos, cantor e compositor

Os judeus não comemoram o Natal. Não existe, também, nenhuma data similar, no sentido de comemorar o nascimento de alguma figura central da religião. O que existe é uma festa chamada Chanuká (pronuncia-se Ranucá), que é celebrada sempre no final do ano do calendário gregoriano. Não em data fixa, pois o sistema judaico é lunar. Esta festa celebra a vitória do povo judeu, que estava em menor número sobre os gregos, que dominavam a Palestina, e relembra o milagre que aconteceu quando, ao reassumir o controle do Grande Templo, havia azeite para manter as velas acesas por apenas um dia, mas o azeite durou oito dias. Por esta razão, a comemoração de Chanuká dura oito dias e é também chamada “Festa das Luzes”.


Islamismo

Iahia Mohamed, 25 anos, comerciante

A religião islâmica tem mais vertentes do que a católica. Somos da Síria, e a nossa vertente é mais aberta do que as outras. Por termos sido criados aqui, no Brasil, acabamos nos adequando a comemorar o Natal em família e realizar a ceia. Inclusive, a família que está na Síria também faz uma ceia no Natal. Em geral, a religião islâmica é a nossa fé, mas também respeitamos a celebração cristã, mas sem muito alarde como é o Natal no mundo afora (compras e mais compras, enfeites e tudo mais, enfim, capitalismo puro). Com relação aos quitutes da ceia de Natal, não posso falar muito, é mais uma ceia síria. Minha mãe prepara sempre bacalhau e um arroz típico feito com amêndoas, frango desfiado, berinjela temperada, açafrão e pinoli.


Igreja Batista

Carlos Eduardo Marcos, 48 anos, cantor lírico

Fui pastor da igreja Batista, e o Natal é bastante festejado pelos devotos. Em dezembro, eles enfeitam o templo e são apresentados muitos números musicais para comemorar o nascimento de Cristo. Na minha adolescência, na Vila Mariana, em São Paulo, havia diversos coros, domingo após domingo. Havia o Coro Infantil, o Coro de Adolescentes, o Coro Jovem, o Coro Masculino, o Coro Feminino e (ufa!) o Coro Principal da Igreja. Tudo isso entremeado com muitos cânticos congregacionais. Houve um Natal especial, com a apresentação do oratório completo “O Messias”, de George Frederick Haendel (cerca de três horas).

O dia 25 de dezembro não é um dia de culto tradicional na igreja Batista, normalmente é dedicado às comemorações em família, a não ser quando o dia 25 cai no domingo, dia do culto tradicional. A igreja Batista não tem vínculo com Roma, é uma denominação protestante que surgiu na Holanda no século 17, como uma dissidência da Igreja Anglicana. Os batistas têm esse nome por acreditar que o batismo deveria ser praticado por imersão (mergulho do corpo na água) e só deveria ser ministrado a quem tivesse condições de compreender o seu significado, ou seja, só a adultos.


Agnosticismo

Graziela Sanchez, 47 anos, cantora lírica

O meu testemunho é o de alguém que não é devota de nenhuma religião. Acho que sou mais agnóstica do que ateia, porque não me preocupo se o Criador existe, e se houver, é para todos sem exceção. O caminho do bem não deveria estar ligado ao castigo divino. O Natal é mais agradável do que a Páscoa, porque não traz a culpa da cruz. Claro que já sabemos o fim da história, mas Jesus ainda é um bebê.

Pra mim, o sentido do Natal é a proximidade da família, um momento onde podemos nos abraçar e cantar juntos para o menino Jesus e trocar presentes, por que não? Demonstrar carinho e cuidado com as pessoas que amamos e que, na correria do dia a dia, não sobra tempo para confraternizar!


Espiritismo

Juvan de Souza, 38 anos, jornalista

A doutrina espírita não é necessariamente uma religião, mas os espíritas veem no Natal o momento da lembrança da encarnação do espírito chamado Jesus, entidade mais pura que aqui já aportou e que acompanha a formação da Terra. O espiritismo é a doutrina de liberdade. Os espíritas celebram o Natal, mas não com a “obrigação” de reverenciar Cristo no dia 25 de dezembro, pois sabemos que não foi esta a data em que ele aqui encarnou.

O fato é que o período natalino deixa o mundo mais fraterno. Uma atmosfera de paz e amor toma conta de todos. Só por isso já vale a celebração da data. O planeta vibra melhor, apesar do consumismo, onde Papai Noel substituiu a figura do Mestre Jesus. Mesmo assim, os espíritas reúnem-se em família, confraternizam, montam pinheirinhos, presépios, trocam presentes, participam da ceia e, se possível, fazem o “Culto do Evangelho no Lar” para celebrar os preceitos de Jesus.

Os espíritas também são conhecidos pela caridade e, nesta época, ainda mais. Em Uberaba, terra de Chico Xavier, são entregues toneladas de alimentos e muitos brinquedos. Essa tradição se mantém até hoje através do médium Carlos Bacceli, do lar Espírita Pedro e Paulo.

Umbanda

Mylene Margarida, 45 anos, jornalista

Nosso terreiro é de Oxalá, por isso o mês de dezembro tem algumas peculiaridades, como por exemplo, não trabalhar com o povo de esquerda (Exu, Pombagira, Ciganos). Também é em dezembro que homenageamos duas orixás/santas: Iansã, no dia 4 (Santa Bárbara) e Oxum, no dia 8 (N.S. da Conceição). Depois disso, entramos em recesso para que os médiuns possam passar o Natal com suas famílias e só retornamos no sábado mais próximo do dia 1º de janeiro (neste ano, será em 28 de dezembro), para fazer a homenagem na praia a Iemanjá. Nem todos os terreiros fazem a homenagem na praia nesta época. A maioria deixa para fazer no dia 2 de fevereiro, dia consagrado a Iemanjá (N.S. dos Navegantes).

Não temos nenhuma atividade específica para o Natal. Cada um comemora com sua família, seguindo a tradição católica. Porém, mesmo no recesso, o altar permanece iluminado. Cada orixá tem sua vela permanentemente acesa. A mãe de santo ou algum médium é destacado para acender as velas de sete em sete dias. Os trabalhos com médiuns encerraram no dia 14, com a homenagem a Oxum, numa pequena cachoeira. É um ritual muito bonito. Pra mim, um dos mais bonitos da Umbanda, até porque Oxum é minha mãe.

Hare Krishna

Clarissa de Souza, dentista, 29 anos

O sentimento natalino cria uma atmosfera que inspira a caridade. O espírito do Natal traz a reflexão, ser mais bondoso, compassivo. Neste período, todos estão mais alegres e assim também consomem mais, mas isso não é a verdadeira felicidade. Eu acredito que as pessoas precisam entender o que existe por trás do nascimento de Cristo, que veio distribuir o Amor Divino. Estabeleceu o teísmo da mensagem mais simples e necessária da entrega a Deus. Jesus Cristo é nosso Guru Instrutor, pois seus ensinamentos nos conectaram com a espiritualidade. O Vaisnavismo (Hare Krishna) respeita muito este dia e o papel de Cristo, que veio acender a luz espiritual e o caminho da devoção.

A essência do Natal não está baseada em conceitos materiais nem corpóreos. É entender que Jesus Cristo já nos deixou o maior presente, que foram seus maravilhosos ensinamentos. Pra mim, Jesus é um grande Vaisnava (um seguidor de Visnu), que sempre realizou milagres, preceito de compaixão, nos guiando para transformações internas. Trouxe o ideal de pureza mais elevado. Portanto, damos muita importância a Ele e comemoramos meditando e compartilhando uma linda e deliciosa ceia vegana, celebrando a compaixão com todos os seres vivos, numa celebração de paz, livre de dor e sofrimento. Hare Krishna!




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