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Sociedade da desinformação


Os períodos históricos de civilização são interpretados como “Eras Históricas” [Hobsbawm]. Uma das últimas tentativas de generalização se mostrou como a “Era da Informação”, logo chegando ao subproduto de “Era da Desinformação”: fake news, pós-verdade, narrativas sem fim. Todos os elementos têm como base a mentira intencional.

Driblar os fatos em si para torná-los adaptados aos desejos, aceitar o que lhe é desejo e lhe agrada, é a troca das instituições sociais e regras culturais pelo egoísmo mais profundo e danoso. Viver sob a tutela do próprio desejo, a despeito de todos os dados e confirmações contrárias, gera o senso de confirmação de si mesmo frente às vidas, conforto psicológico, e um tanto de indiferença em relação ao prejuízo causado aos outros.

Esse “viés para o que é cômodo” é a inclinação para se rejeitar a realidade. Tudo em nome do egoísmo e transtornos originais para se descartar o que a realidade libera à interpretação. O jogo do egoísmo perturbado contra os fatos evidenciados. É “Dissonância Cognitiva” [conflito entre o desejo pessoal e o que é real], ou um modo de fugir da admissão do erro e passar a revigorar apenas o que acredita, se enganado.

Os posicionamentos “vivem” sob ameaça da realidade, a realidade é distorcida e se tenta tornar normal o que não pode ser aceito. A verdade é a maior preocupação do enganador.

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Driblar os fatos em si para torná-los adaptados aos desejos, aceitar o que lhe é desejo e lhe agrada, é a troca das instituições sociais e regras culturais pelo egoísmo mais profundo e danoso. Viver sob a tutela do próprio desejo, a despeito de todos os dados e confirmações contrárias, gera o senso de confirmação de si mesmo frente às vidas, conforto psicológico, e um tanto de indiferença em relação ao prejuízo causado aos outros.

Esse “viés para o que é cômodo” é a inclinação para se rejeitar a realidade. Tudo em nome do egoísmo e transtornos originais para se descartar o que a realidade libera à interpretação. O jogo do egoísmo perturbado contra os fatos evidenciados. É “Dissonância Cognitiva” [conflito entre o desejo pessoal e o que é real], ou um modo de fugir da admissão do erro e passar a revigorar apenas o que acredita, se enganado.

Os posicionamentos “vivem” sob ameaça da realidade, a realidade é distorcida e se tenta tornar normal o que não pode ser aceito. A verdade é a maior preocupação do enganador.

O enganador age para tirar proveito das situações para si ou, como ato de vingança, prejudicar outros de forma intencional – seu lucro é o prejuízo pessoal do outro. O enganador atua como se as informações e dados fossem objetos físicos que ele pudesse manipular: desloca as relações entre as coisas, transfere novos resultados sabidamente alterados. O mentiroso é um manipulador. O enganador esconde seus sentimentos ao máximo ou produz sentimentos vinculados ao resultado desejado, oculta as intenções para deixar que a manipulação dos dados leve, lógica e “naturalmente”, aos fins alterados na realidade. O mentiroso é um dissimulador.

A gravidade da mentira se dá pelas consequências que provoca. Se voltado ao prejuízo de alguém ou de um grupo, o caráter da mentira pode ter efeitos de calúnia [afirmação falsa e desonrosa a respeito de alguém] e difamação [imputação ofensiva de fatos contra a honra e reputação de alguém com a intenção de torná-lo passível de descrédito na opinião pública].

O enganador tem cara, tem endereço, tem identidade. É autor de crimes e pode ser facilmente denunciado quando há informações necessárias sobre seus atos. A capacidade de manipulação e dissimulação deixa ao enganador a sensação de poder, controle, liderança. Quando tudo desmorona, a avaliação do caráter do enganador se revela como realidade.

As fake news usam do caráter de liberdade como opinião, sem considerar qualquer limite de ética, moral e relações respeitosas. Mostram-se com protagonistas que, em audiovisual, se faz “ato realista”, personificado, persuasivo. Na “Era da Desinformação” o enganador primeiro fere as pessoas que tenta atingir e, ao mesmo tempo, danifica intensamente as correntes de realidade e compreensão de realidade. O enganador dramatiza a mentira, mascara as relações entre os dados, camufla suas intenções.

Em Política, a mentira, esse engano premeditado egoísta e danoso, desloca qualquer senso de realidade. Previamente, coloca o protagonista em local especial, com distinção de fala [discursos, comunicados, entrevistas...] e produtor de cenários a partir de seus posicionamentos. Todos, especialmente a imprensa, são “obrigados” a escutá-los e a se posicionar [solitária ou coletivamente] sobre o que dizem.

A troca dos dados de realidade pelos desejos pessoais são os fundamentos das fake news, e a necessidade do enganador. Preferências políticas distintas são boas e bem-vindas. O problema começa quando a fidelidade aos desejos pessoais corrompe a ética. A “cegueira cognitiva” cega, prende, aprisiona!

 

Mestre em Sociologia Política


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