Muitas pessoas dizem que querem ser felizes, ter relações saudáveis, estabilidade emocional, paz. Mas, na prática, fazem escolhas que parecem caminhar na direção oposta. Aproximam-se de quem machuca, abandonam oportunidades, desistem quando algo começa a dar certo ou criam conflitos onde poderia haver construção. Depois, se perguntam: “por que sempre dá errado comigo?”
Na psicologia, chamamos isso de autossabotagem. E, diferente do que parece, ela não nasce da vontade de sofrer, mas de tentativas inconscientes de proteção.
O cérebro humano aprende desde cedo a associar experiências a perigo ou segurança. Se alguém cresceu em ambientes instáveis, com rejeição, críticas constantes ou afeto imprevisível, pode ter aprendido que sofrer é familiar e que o que é tranquilo é estranho. Assim, quando algo bom acontece, surge um desconforto silencioso. Esse desconforto não é sinal de que a situação é ruim. É sinal de que ela é nova.
Na prática clínica, observo que muitas pessoas sabotam exatamente o que desejam porque sucesso, amor ou estabilidade ativam crenças profundas como: “não mereço”, “isso não vai durar”, “ ...
Na psicologia, chamamos isso de autossabotagem. E, diferente do que parece, ela não nasce da vontade de sofrer, mas de tentativas inconscientes de proteção.
O cérebro humano aprende desde cedo a associar experiências a perigo ou segurança. Se alguém cresceu em ambientes instáveis, com rejeição, críticas constantes ou afeto imprevisível, pode ter aprendido que sofrer é familiar e que o que é tranquilo é estranho. Assim, quando algo bom acontece, surge um desconforto silencioso. Esse desconforto não é sinal de que a situação é ruim. É sinal de que ela é nova.
Na prática clínica, observo que muitas pessoas sabotam exatamente o que desejam porque sucesso, amor ou estabilidade ativam crenças profundas como: “não mereço”, “isso não vai durar”, “logo vou perder”. Para aliviar essa ansiedade, a pessoa cria situações que confirmam esses medos. Termina antes de ser deixada. Desiste antes de falhar. Se afasta antes de se apegar. O alívio é momentâneo. A dor, depois, é grande.
Autossabotagem não é falta de força de vontade. É padrão emocional aprendido. E padrões podem ser modificados quando se tornam conscientes.
O primeiro passo é observar os próprios comportamentos sem julgamento. Em que áreas da vida você percebe ciclos repetidos? Que histórias você conta para si mesmo quando algo começa a dar certo? Quais pensamentos aparecem automaticamente?
Na abordagem cognitivo-comportamental, entendemos que pensamentos geram emoções e emoções influenciam comportamentos. Quando a pessoa aprende a questionar pensamentos automáticos disfuncionais, abre espaço para respostas diferentes.
Outro ponto essencial é diferenciar proteção de limitação. Proteger-se é saudável quando há risco real; limitar-se é manter o medo no comando mesmo quando o perigo já não existe. Muitos adultos seguem reagindo a situações atuais com estratégias emocionais do passado que um dia funcionaram, mas hoje impedem avanço.
Também é importante reconhecer que mudança exige treino emocional. Não basta decidir agir diferente; é preciso tolerar o desconforto inicial de fazer algo novo sem garantia imediata de segurança. Permanecer no conhecido dói menos no curto prazo, mas cobra caro ao longo da vida.
Talvez você não esteja quebrado. Talvez esteja apenas tentando se proteger com ferramentas antigas para problemas atuais. Reconhecer a própria autossabotagem não é se culpar, é assumir o controle da própria história. E isso, por si só, já é um movimento profundo de saúde mental.