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A última carta para minha vó Maria


A última carta para minha vó Maria
Maria Edelwais Simas, a minha avó

Por Samara Toth Vieira

 

Em 46 anos, esse foi o primeiro Natal sem você…

Todas as memórias felizes de infância têm a ver contigo, com a tua casa onde as cobertas e cortinas eram costuradas e bordadas por ti.

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Em 46 anos, esse foi o primeiro Natal sem você…

Todas as memórias felizes de infância têm a ver contigo, com a tua casa onde as cobertas e cortinas eram costuradas e bordadas por ti.

Desde bebê o teu colo tinha a magia de cessar qualquer choro.

Estar de mãos dadas contigo era a certeza de que nada de mal podia acontecer, pois tu eras um manto de proteção e inspiração.

O teu lar era onde havia lugar para os netos criarem memórias felizes - e fizesses tudo sozinha, tal qual a bisa Maria Florisbella, tua amada mãe, que criou oito filhas quando o marido foi embora.

Deve ser por isso, vozinha, que tinhas o nome de uma flor dos Alpes, Edelwais, pois eras, sobretudo, rara.

Quis a vida que depois de ajudares a criar teus netos, quando eles se tornaram adultos, fosses tu a precisar de cuidados. Alguém tão independente, ativa, poderosa em cuidar, precisou, enfim, ser cuidada.

E eu que tantas vezes tive casa na tua casa, tive o privilégio de fazer um lar para vivermos juntas outra vez.

E minha filha Maria Alice teve a sorte de estar sob os teus olhos amorosos nesses teus últimos anos de vida...

 

Quando eu era bem pequena, por teres nascido em dia de Santo Antônio e ter a imagem do santinho em teu quarto, era a ele que eu rezava pra pedir que tu vivesses muitos e muitos anos. Eu pedia a Santo Antônio que te mantivesse viva e feliz, até o próximo fim de semana, ou até as próximas férias (quando morávamos longe), ou até a próxima festa, pois todas as celebrações aconteciam onde estivesses, e daí estaríamos juntas outra vez...

 

Obrigada por me ensinar que gostando de ler eu jamais me sentiria só. Obrigada pelo quintal cheio de árvores, flores e plantas, pois contigo aprendi que é preciso se comprometer com o próprio jardim.

Obrigada por dormir de mãos dadas comigo quando foi difícil largar a chupeta. Eu, que tinha mania de segurar teu rosto até adormecer, em toda e qualquer fase difícil da vida te tive por perto para segurar a minha mão.

Obrigada pelas músicas de ninar e por contar lindas histórias até adormecer.

Obrigada por me ensinar que uma cama bem feita e um chazinho de ervas e mel são atos de amor e de cura.

Sempre tive medo de te perder, e queria, claro, que fosses eterna, mas agradeço ao Sagrado pelos teus 94 anos de vida...

O meu amor por ti não finda com a morte. Eu espero um dia te reencontrar pra me chamares outra vez de “bem” e pra sentir o teu abraço e cheiro, pois eras também a avó mais perfumada do mundo.

Até esse dia chegar, lembrarei de ti todos os dias, levarei teus ensinamentos no coração, cultivarei tuas memórias e honrarei a tua história.

Tudo o que eu desejo é que estejas muito bem acolhida, num lindo jardim de violetas, com a tua amada mãe, irmãs e toda a tua família espiritual ao teu lado novamente.

 

Te amo para sempre, vó Maria Edelwais.

Samara e vó Maria

 

“… lembrarei de ti todos os dias, levarei teus ensinamentos no coração, cultivarei tuas memórias e honrarei a tua história.”


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