Colunas


Chagas do voto


A Idade Média [séc. V-XV] foi marcada pela combinação de religião, medo e política. O conceito de futuro que conhecemos e usamos hoje tivera outro sentido. No período medieval o tempo era instância divina e o medo propagado pelos líderes religiosos como forma de manter os viventes medievais sob tutela dos superiores “espirituais”. Como mandatários divinos e como os mais próximos da “pureza celestial”, líderes religiosos eram os responsáveis pela interpretação do mundo humano, suas fragilidades e suas culpas, seus erros e seus pecados. Figuravam como os “Olhos de Deus” na terra. A Inquisição fora o modelo institucionalmente organizado para “oferecer” aos humanos tementes à Deus a purificação pelo sacrifício e tortura: penalizar o corpo e salvar as almas.

De todos era exigida a cumplicidade de denunciar quaisquer elementos que, combinados, formavam a “inspiração demoníaca” e a representação de todo o mal que nos condenaria como humano e como sociedade. As pestes e enfermidades coletivas eram o estopim para gravar, como expressão da revolta divina, os comportamentos malignos das pessoas. Viver na sociedade era evitar suspeitas, gatos pretos, usos profanos e impiedosos para se fazer o mal.

A Política e o sistema de controle da Idade Média residiam dentro da cabeça das pessoas, assustadas e fragilizadas pelas possibilidades de o mal se instalar em seus corpos e em seus pensamentos. O medo psicológico sobre as coisas era o fantasma que assegurava controle, docilidade e servilidade. Não há, nestes tempos de trevas, autonomia de pensamento, apenas repetição de estribilhos de medos.

A Idade Moderna [séc. XV-XVIII] marcou a transição do feudalismo para o mercantilismo, período das grandes navegações e da descoberta e ocupação de novos territórios. O Iluminismo [“dê ...

Já tem cadastro? Clique aqui

Quer ler notícias de graça no DIARINHO?
Faça seu cadastro e tenha
10 acessos mensais

Ou assine o DIARINHO agora
e tenha acesso ilimitado!

De todos era exigida a cumplicidade de denunciar quaisquer elementos que, combinados, formavam a “inspiração demoníaca” e a representação de todo o mal que nos condenaria como humano e como sociedade. As pestes e enfermidades coletivas eram o estopim para gravar, como expressão da revolta divina, os comportamentos malignos das pessoas. Viver na sociedade era evitar suspeitas, gatos pretos, usos profanos e impiedosos para se fazer o mal.

A Política e o sistema de controle da Idade Média residiam dentro da cabeça das pessoas, assustadas e fragilizadas pelas possibilidades de o mal se instalar em seus corpos e em seus pensamentos. O medo psicológico sobre as coisas era o fantasma que assegurava controle, docilidade e servilidade. Não há, nestes tempos de trevas, autonomia de pensamento, apenas repetição de estribilhos de medos.

A Idade Moderna [séc. XV-XVIII] marcou a transição do feudalismo para o mercantilismo, período das grandes navegações e da descoberta e ocupação de novos territórios. O Iluminismo [“dê-me uma luz”, uma razão] revela transformações culturais e conceituais na vida das pessoas e coloca sob manejo humano o futuro desejável. Libertos, em boa parte, do medo, expressões como futuro, esperança, planejamentos foram alocadas como tarefas humanas e sociais. As liberdades de escolhas [mesmo que dentro de “cardápios” sociais e políticos] e a sensação de se poder construir o futuro, são os principais marcos da “Revolução Moderna” da História Humana. Há vitórias psicológicas por racionalidade lógica e liberdade de pensamento!

Passamos a depender mais de nós mesmos e de nossas práticas, a colocar o homem como responsável por suas opções. A punição vem de nossos atos. Delegamos para sistemas constitucionais os processos de julgamentos, sanções e de mercado conforme sistema de leis previamente escritas e antecipadamente interpretadas [acórdãos]. Leis, Juiz e Acusador estão separados. O medo do futuro e das vinganças divinas fora alterado para o julgo humano em organizações políticas e instituições sociais vigorosas, interdependentes, autônomas e estáveis. Vive-se melhor assim!

Na Idade Média havia apenas um sistema de controle e punições, de acusações e “purificações”. O “bem” estava “beatificado” na Centralização do Poder [hoje Ditadura]: modelo para subordinação servil e opressiva. A Idade Moderna afastou os desejos do rei como imposição aos comportamentos dos cidadãos [Democracia]. As instituições poderiam oferecer justiça e bem-estar em nome do coletivo. Mas, por vezes, somos medievais, especialmente quando “o melhor meio de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão” [Quincas Borba, Machado de Assis], instrumento comum na escravidão! Hoje, voto e medo caminham de mãos dadas!


Conteúdo Patrocinado


Comentários:

Deixe um comentário:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

ENQUETE

Você é do time cardápio impresso ou digital?



Hoje nas bancas

Confira a capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯


Especiais

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Eleições 2026

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

Cão Orelha

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

BANCO MASTER

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Colonialismo de dados

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil

Microbolsas

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil



Colunistas

SC zera ICMS do diesel

Charge do Dia

SC zera ICMS do diesel

Curva que abraça o mar

Clique diário

Curva que abraça o mar

Profissionais ocupados demais nem sempre são produtivos

Mundo Corporativo

Profissionais ocupados demais nem sempre são produtivos

Casos e ocasos

O futuro turístico de Balneário Camboriú exige escolhas

Via Streaming

Dica da semana: “Foi apenas um acidente”




Blogs

Carnaval hoje no Itamirim

Blog da Jackie

Carnaval hoje no Itamirim

De pai para filho

Blog do JC

De pai para filho

Pagando a iluminação pública

Blog do Magru

Pagando a iluminação pública

Falha Poética nº 5

VersoLuz

Falha Poética nº 5






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.