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“Na escola da Bibiana”


Uma máxima antiga usada em Itajaí, quando alguém tinha dúvidas ao fazer qualquer simples conta de somar, diminuir, multiplicar ou dividir, era o outro, de pronto, entre assertivo e brincalhão, dar-lhe o resultado,  usando a expressão:  “Na Escola da Bibiana, era ...”

Tudo para dizer, de maneira divertida,  que o sujeito aparentemente tivera pouco aproveitamento nas lições de aritmética, na  tabuada da escola primária.

Mas quem fora Bibiana? Onde ficava sua escola? Alguns chegam a pensar que não existiram nunca, que são invenções das gentes daqui, lenda urbana. Mas não, Maria Bibiana Bacellar (depois de casada com Alexandre Reiser Neto, Maria Bibiana Bacellar Reiser) era mesmo itajaiense, nascida em 2 de dezembro de 1909, filha do comerciante Nilo Bacellar e de sua mulher, Dealtina dos Anjos Bacellar. Nilo Bacellar, espírito-santense, chegara a Itajaí pelo início do século XX como caixeiro-viajante e logo se estabeleceu na rua Blumenau, esquina com o caminho original  da atual rua José Quirino, com loja de fazenda e armarinho. Em reclame do jornal “Novidades”, de 1904, a Casa Nilo Bacellar se anuncia como “a que vende mais barato em todo o município de Itajaí”! Ele foi vereador à Câmara Municipal no quadriênio 1915/1919  e Escrivão do Crime,  Júri e Execuções Criminais e Feitos da Fazenda.

No mesmo terreno da venda e residência de Nilo Bacellar, numa casa antiga ao lado, funcionava a Escola Mista Estadual da Barra do Rio. Essa escola, a primeira unidade escolar estadual criada num bairro de Itajaí, passou a funcionar no ano de 1914 ou 1915, sob a regência da professora Maria dos Anjos Stuart Laus, mãe da escritora Lausimar Laus, que inclusive ali estudou. Lausimar Laus, em crônica  publicada no “Anuário de Itajaí - 1959”, refere-se desse modo àquele pedaço saudoso do seu “Território da Infância”: “casa branca e doce de seu Nilo Bacelar, com a escola ao lado...” Na época, para aqueles lados,  só existiam a Coloninha e a Barra do Rio.; nada do bairro São João de agora. A venda e a escola ficavam  a meio caminho entre as duas localidades.

Com a escola a funcionar tão perto, a menina Bibiana cedo mostrou  interesse em ser professora. Concluído o ensino primário, formou-se professora complementarista. Em 1924, a ex-aluna, professora Maria Bibiana Bacellar, com apenas 15 anos, iniciou a lecionar na escola ao lado de casa.

Então, a Escola Mista Estadual da Barra do Rio começou a ser conhecida como a “Escola da Bibiana”, tal era o conhecimento que os moradores tinham de seu pai, da sua família e dela mesma. Até porque, naqueles tempos antigos, era comum que as escolas menores fossem conhecidas pelos nomes de suas professoras e professores.

Agora, porque a “Escola da Bibiana” se tornou  referência no bem ensinar as quatro operações da aritmética, conforme o imaginário popular de Itajaí, ainda não se encontrou a resposta.


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