Por Alfa Bile - alfabile@gmail.com
Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria
Publicado 10/01/2026 08:54
Placenta rompida — adeus inevitável
Esse poema nasceu de uma imagem única, quase biológica, mas profundamente simbólica: o momento do parto. Não o nascimento em si, mas o instante anterior — o rompimento.
A placenta sempre me pareceu mais do que um órgão. Ela é vínculo, abrigo, mediação absoluta entre dois corpos. Quando se rompe, algo termina para que outra coisa possa começar. Não há escolha possível ali. É um adeus inevitável.
O verso curto carrega essa ambiguidade: dor e libertação, perda e início. A despedida não acontece porque alguém quis ir embora, mas porque ficar já não é possível. E talvez seja assim com muitos laços da vida: alguns se rompem não por fracasso, mas por cumprimento do seu papel.
Ao pensar nesse poema, pensei também nas separações que não têm vilão.
Nas despedidas que não pedem explicação.
Naquelas rupturas que doem justamente porque foram essenciais.
A sensação do parto é atravessada por medo, expectativa e amor — tudo ao mesmo tempo. O corpo sente o rompimento antes da mente conseguir nomear. O adeus acontece antes da palavra.
Esse poema fala disso.
Do instante em que algo que sustentou deixa de existir.
E, ainda assim, permite que a vida siga.
📸 ✍️ Alfa Bile
VersoLuz | Jornal Diarinho
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Publicado 09/01/2026 19:10