Por Alfa Bile - alfabile@gmail.com
Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria
Publicado 03/01/2026 10:08
Escrevi este haikai hoje, às 09:57, atravessado pelas notícias e pela sensação incômoda que se espalha quando a guerra volta a ocupar o centro do mundo. Pensava na invasão dos Estados Unidos à Venezuela, mas, mais do que em estratégias ou discursos políticos, pensei nas pessoas.
Sempre penso nas pessoas.
A poesia, para mim, não serve para explicar conflitos geopolíticos.
Ela serve para registrar o impacto humano do que acontece quando bombas caem, quando decisões distantes atravessam corpos frágeis, quando o medo vira cotidiano.
O haikai nasceu direto, sem rodeios:
Céu vermelho —
vidas frágeis gritam,
bombas caíram.
O “céu vermelho” é mais do que uma imagem visual.
É o sinal de alerta, de perigo, de algo que saiu do eixo.
As “vidas frágeis” não têm bandeira, não têm lado, não têm culpa.
São crianças, famílias, pessoas comuns tentando sobreviver ao que nunca escolheram viver.
Escrever isso foi uma forma de respirar diante da impotência.
De registrar o espanto, o medo, a incerteza que se espalham rápido quando a violência escala.
O haikai, com sua brevidade, me pareceu a forma mais honesta de dizer algo sem tentar embelezar o horror.
Não é um poema de resposta.
É um poema de registro.
Um instante congelado no meio do caos.
Que a poesia siga sendo esse espaço onde a gente não normaliza a dor, não se acostuma com a violência e não esquece que, por trás de qualquer conflito, existem vidas que gritam.
📸 ✍️ Alfa Bile
VersoLuz | Jornal Diarinho
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Publicado 02/01/2026 20:08