Por Alfa Bile - alfabile@gmail.com
Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria
Publicado 30/11/2025 10:46
Por Alfa Bile — VersoLuz
Hoje trago aqui um poema que me atravessou de um jeito silencioso e profundo. Eterna Mente, escrito pelo meu amigo Álvaro Castro, é daquelas obras que fazem a gente fechar os olhos e sentir o peso — e a leveza — de existir.
Álvaro, além de poeta, é o criador da revista Sopa de Siri, um dos projetos mais importantes para a cultura e a arte regional. A revista funciona como um farol para artistas independentes daqui do litoral. Publica poesia, crônica, fotografia, reflexões e provocações — sempre com aquele tempero criativo que só quem vive de verdade a cena cultural entende. É espaço de voz, de experimentação e de resistência. E ter um poema dele aqui no VersoLuz é quase como deixar que a maré traga um pouco dessa energia até nós.
Eterna Mente fala de introspecção, de caminhar na própria escuridão em busca de um sentido maior. Aquele impulso humano de tentar romper o “véu” do desconhecido, mesmo sabendo que talvez não haja resposta definitiva. No fundo, é esse movimento teimoso que nos mantém vivos: perguntar.
O poema também confronta a ironia da vida: luz intensa, breve, às vezes exagerada. Somos ao mesmo tempo pensamento e carne, cosmos e pó. A consciência tenta tocar o infinito enquanto o corpo insiste em lembrar que tudo passa.
E o que me pegou mais forte é esse final sereno: a percepção de que, no escuro, pode existir paz. Que o tempo, no fundo, acontece todo ao mesmo tempo — passado e futuro dobrados num único instante. E é ali, nesse silêncio interno, que a “eterna mente” continua vagando.
Abaixo, deixo o poema completo para você atravessar essas mesmas paisagens invisíveis:
⸻
Eterna Mente
Álvaro Castro — 1997
Introspectivo e livre de meu ego
divago no escuro, de olhos fechados,
sondando mistérios — como cego.
Nessa viagem quero romper o céu,
rasgar esse indevassável véu.
(A vida… ah, desprezível ironia!
luz fulgurante mas momentânea,
exacerbada e inútil miscelânea.
Se pudesse… jamais aceitaria.)
Procuro em vão — nas trevas —
A energia dessa luz… Não desisto!
Nos sóis, nas luas, nas selvas,
só meu pensamento: “Penso: logo, existo.”
Sem forma, sou imortal e perene: Cosmos.
Com forma, sou mortal e evanescível: Pó.
(Sei que um dia serei saudade;
depois, lembrança ainda indelével
e, logo depois, apenas tênue.
Finalmente, nada. Nada mais!)
Mas, no escuro silente há paz e perenidade.
O tempo é sempre: juntos, futuro e pretérito.
momento único e eterno!
Aí, então, ficará a divagar
a minha eterna mente.
⸻
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Publicado 28/11/2025 20:12