O alerta se dá diante do aumento de casos de feminicídio em Santa Catarina. Só no primeiro mês do ano, em 26 dias, foram seis registros no estado. Em 2025, o ano fechou com 52 mortes, uma a mais que em 2024. Segundo o Observatório da Violência contra a Mulher, a média é de quase 200 crimes por dia no estado, entre ameaças, lesões corporais, estupros e feminicídios.
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A discussão sobre a violência de gênero terá presença no carnaval de Itajaí, com o tema ocupando os espaços públicos do evento. A presidente da comissão organizadora do bloco, a professora Ana Cláudia Junghes, destaca que a proposta une festa e compromisso social, mantendo o desejo coletivo de brincar o carnaval sem abrir mão da consciência política, ideia que está na formação do grupo.
“Inspirado no filme ‘Ainda Estou Aqui’ e em homenagem à atriz Fernanda Torres, o bloco nasceu como um espaço de celebração, resistência e afirmação de que a vida das mulheres importa. Em 2026, o “A Vida Presta” amplia sua atuação ao abordar o feminicídio como um problema social complexo, que não pode ser tratado como um crime isolado”, comenta.
Durante o desfile, além da música e da alegria que marcam a festa, o bloco terá ações de conscientização, destacando a importância da prevenção por meio da educação, da identificação dos sinais de violência e do fortalecimento da rede de apoio às vítimas. “O bloco também divulga o Ligue 180, canal nacional de denúncia e orientação para mulheres, familiares, amigas, amigos e aliados”, informa.
No enfrentamento à violência de gênero, o grupo reforça que é uma responsabilidade coletiva e que os homens têm papel fundamental na mudança cultural, no combate à naturalização da violência e na construção de relações baseadas no respeito. A iniciativa busca desmistificar a culpa da vítima e reafirmar a importância da proteção e do cuidado coletivo.
“Ao ocupar o carnaval, o bloco feminista A Vida Presta reafirma que festa também é política e que nenhuma mulher deve perder a vida por ser mulher. Porque celebrar é também resistir. A vida presta. Nenhuma a menos”, diz manifesto do grupo. A mensagem também estará no lema “Juntas na diferença. Unidas pela vida”, que estampa o abadá do bloco.
Todas as camisetas já foram vendidas e serão entregues aos participantes na sexta-feira, no Mercado Público. A agenda do bloco deve ser definida nesta semana, dependendo da programação prevista no Mercado Público e na Vila do Carnaval, que será montada no pátio do Centreventos. A abertura oficial da folia será no dia 13. No próximo sábado terá o Grito de Carnaval, no largo do Mercado Público.
Inspiração vinda do cinema
No ano passado, o bloco estreou na avenida inspirado na história da advogada Eunice Paiva, ativista dos direitos humanos e na luta contra a ditadura militar, interpretada pela atriz Fernanda Torres em “Ainda Estou Aqui”, ganhador do Oscar de melhor filme internacional em 2025.
Da torcida pela vitória brasileira no maior prêmio do cinema mundial, o grupo de Itajaí se organizou e cresceu, reunindo pessoas – entre homens e mulheres – para brincar o carnaval, misturando arte, cultura e feminismo, sem perder o foco na luta por direitos e na defesa da democracia.
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Desta vez também de celebrando o cinema nacional pelo sucesso de “O Agente Secreto”, com quatro indicações ao Oscar, o grupo quer reforçar a mensagem de que “a vida presta”. A frase de Fernanda Torres ao ganhar o Globo de Ouro como melhor atriz virou uma expressão de luta e otimismo diante dos desafios e batiza o nome do bloco de Itajaí.
Hoje são cerca de 90 integrantes no grupo. A participação ocorre por meio de adesão organizada, respeitando critérios de planejamento, responsabilidade coletiva e os limites operacionais do projeto, segundo informa Ana Cláudia.
“O bloco atua como iniciativa cultural independente, sem vinculação partidária, e aborda o enfrentamento ao feminicídio a partir de uma perspectiva humanitária e social, entendendo a proteção à vida das mulheres como um valor comum da comunidade”, comenta.
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