TARADO NO NAVIO
Passageiro preso por importunar mulheres em jacuzzi de cruzeiro foi solto pela justiça
Decisão considerou que não houve flagrante
João Batista [editores@diarinho.com.br]
A justiça federal de Santa Catarina soltou um homem que foi preso pela Polícia Federal após denúncias de importunação sexual feitas por passageiras durante uma viagem do navio de cruzeiro MSC Sinfonia. Os casos de atos libidinosos, entre toques nas pernas e nádegas das vítimas na jacuzzi do navio, teriam ocorrido antes do desembarque no Porto de Itajaí, com relatos nos dias 14 e 17 de janeiro.
A decisão judicial considerou que não houve flagrante na prisão após o desembarque no porto, apontando ilegalidade na medida, porque o homem foi encontrado pelos policiais depois dos fatos narrados, tendo decorrido um “lapso temporal considerável” até a condução do indiciado à Polícia Federal. O entendimento deu razão ao advogado do acusado, que havia entrado com pedido de habeas corpus.
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A decisão foi dada em regime de plantão no final da tarde do domingo passado, quando o navio fez parada em Itajaí. “O auto de prisão em flagrante e os depoimentos do condutor e da testemunha não permitem concluir pela existência de situação de flagrância no presente caso. Configurada a ilegalidade da prisão, o relaxamento da prisão é medida de rigor”, diz trecho do despacho.
A prisão em flagrante por importunação sexual havia sido lavrada pela PF após o desembarque em Itajaí, considerando os fatos apresentados, os depoimentos do condutor, da testemunha e das vítimas. O acusado do crime foi apresentado à PF pela tripulação do navio, após as denúncias feitas pelas passageiras. Além de atos contra mulheres adultas, adolescentes de 17 teriam sido importunadas pelo homem, aumentando a gravidade do caso.
Padrão de conduta contra as vítimas
O tarado teria bolinado as vítimas principalmente nas jacuzzis da área de lazer. Conforme a denúncia, o homem tinha uma padrão repetitivo: aguardava a chegada das mulheres, se aproximava delas na água e tocava as vítimas nas pernas e nádegas, simulando “esbarrões”.
O homem seguia com os atos mesmo após repreensão e ia embora ao perceber a movimentação da segurança e de testemunhas. Para evitar ser identificado, o acusado mudava a aparência, colocando ou tirando boné e óculos, mas uma foto dele foi feita e entregue à equipe do navio.
Meninas e mulheres
As vítimas relataram que nos dias 14 e 17 foram importunadas pelo homem quando estavam na jacuzzi da embarcação. Entre elas, três adolescentes de uma mesma família. Uma delas relatou que, no dia 14, foi seguida pelo homem ao passar da piscina pra jacuzzi, sendo tocada nas nádegas.
Envergonhada, ela não contou do caso de imediato, mas confirmou após saber que irmã também tinha sido alvo no mesmo dia. A irmã chegou a ficar sozinha na jacuzzi com o homem, que se aproximou dela, perguntou se ela namorava e tentou passar a mão. A garota saiu do local após abordagem e o pai fez denúncia ao guarda-vidas.
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Outra vítima, adulta, relatou que sentia a mão do tarado tocando sua perna. Ao repreender o cara, a mulher ouviu a justificativa: “Desculpa, esbarrei”, mas ele voltou a repetir o ato. Em outro dia, uma mulher que estava no ofurô com o marido e outras pessoas próximas, incluindo uma idosa e uma criança, foi tocada nas partes íntimas pelo pé do tarado.
“E eu via que aquele pé vinha, e eu achava que fosse uma criança que estava do lado mergulhando. E sentia aquele pé que entrava nas minhas partes íntimas, que me cutucava, que me bolinava”, relatou. Só depois a vítima percebeu que o pé era do homem, que parou com o ato ao ser descoberto.
A partir das denúncias, outras mulheres relataram as mesmas práticas, indicando que o homem vinha tocando as mulheres a um bom tempo ao longo do cruzeiro.
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João Batista
João Batista; jornalista no DIARINHO, formado pela Faculdade Ielusc (Joinville), com atuação em midia impressa e jornalismo digital, focado em notícias locais e matérias especiais.
