BALNEÁRIO CAMBORIÚ
Costão de Taquaras virou novo “Caixa D’Aço”, segundo moradores
Comunidade cobra fiscalização contra baderna e irregularidades de barcos e jets
João Batista [editores@diarinho.com.br]
Moradores de Taquaras, nas praias agrestes em Balneário Camboriú, cobram fiscalizações contra a baderna e irregularidades de embarcações e jet-skis na região da ponta da Galheta, no costão da Taquaras. Segundo um dos moradores, o local, conhecido pelo sossego e piscinas naturais, tá virando uma “nova Caixa D’Aço”, lembrando a badalada enseada de Porto Belo.
As queixas são parecidas com problemas bem conhecidos na Caixa D´Aço e em outras praias da região. Entre elas, a invasão de barcos e jets em áreas pra banhistas e mergulho. Nos fins de semana, a situação se agrava e a bagunça rola sola, com muita “sem-vergonhice”, caixas de som com volume nas alturas, embarcações lotadas e “coladas” nas pedras do costão, perto das casas de moradores.
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“Todos os dias preciso denunciar para a Marinha. Tem dias que vão e tem dias, na maioria, que não”, conta o instrutor de mergulho Bernardo Cerântula, que trabalha em Taquaras. “Além de estar se tornando o novo Caixa D’Aço, a comunidade local não aguenta mais as caixas de som, a falta de fiscalização e a pouca vergonha que ali está ocorrendo”, completa.
Para ele, poderiam ter operações integradas com órgãos municipais e a Polícia Militar no local, a exemplo das ações feitas nesta temporada em Porto Belo. No Caixa D’Aço, as fiscalizações já apreenderam barco superlotado e jet-ski, chegaram a prender uma pessoa e fizeram abordagens em mais de 50 embarcações. As ações teriam afugentados os baderneiros pra BC.
“Como o Caixa D’Aço agora tem monitoramento efetivo da polícia e Marinha, todos que iam para lá agora estão vindo para Taquaras, com as mesmas loucuras de lá”, comenta Bernardo. O mergulhador observa que as embarcações são todas preparadas para fazer festas, com muitas caixas de som. Como representante da comunidade, Bernardo estuda entrar com ação junto ao Ministério Público, caso não haja providências pelas autoridades.
Riscos para banhistas e mergulhadores
Os moradores têm registros dos problemas desde o início da temporada. Há relatos de lanchas que circulam com número de pessoas acima da capacidade, barcos ancorados em área indevida e com os motores virados para os banhistas e aluguel de jets para pessoas não habilitadas. Os jets também teriam tomado conta de um flutuante de pescador pras paradas e embarques dos rolezinhos, sendo que a estrutura já teve com um cabo rompido possivelmente por alguma embarcação.
Situação mais grave passou o próprio mergulhador. Bernardo conta que no dia 2 de janeiro quase foi atingido por um dos jets. “Por muito pouco, não morri. O jet passou em cima da minha cabeça enquanto eu retornava do fundo, com um cliente de mergulho. E eu estava de boia”, relatou.
Ele também já teve que alertar clientes dos jets que ficam circulando em cima das boias de mergulho, já foi xingado pelo pessoal e ficou sem trabalhar quando as lanchas ancoram coladas no costão. Embora tenha chamado a polícia e a Marinha em diversas ocasiões, Bernardo diz que os barcos retornam para o local e o pessoal que aluga jets reaparece após a saída das guarnições.
A prefeitura informou que tem previsão ações no local, mas de forma integrada com outras equipes, incluindo a Marinha. A razão, segundo o município, é por questões logísticas, considerando que a Guarda Municipal e o departamento de fiscalização ainda não tem embarcações próprias para as operações.
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João Batista
João Batista; jornalista no DIARINHO, formado pela Faculdade Ielusc (Joinville), com atuação em midia impressa e jornalismo digital, focado em notícias locais e matérias especiais.
