Foram apresentadas possibilidades de aumento da cota da tainha para todas as cinco modalidades. O total ficaria em 7780 toneladas, contra 6695 toneladas neste ano, numa alta de 16%. Na divisão por categoria, ficariam 690 toneladas (cerco/traineira), 1196 (emalhe anilhado), 1984 (emalhe costeiro), 1265 (arrasto de praia) e 2645 (Lagoa dos Patos).
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As cotas ainda podem ter ajustes até a definição final. Pros pescadores artesanais nas praias de SC, que tiveram cota pela primeira vez em 2025, o aumento considera a captura neste ano, de 1041,94 toneladas, cerca de 83% do limite. A modalidade tinha iniciado a safra 2025 com cota de 1100 toneladas, aumentada pra 1250 toneladas, com o saldo não usado pela frota industrial.
A manutenção do limite pros pescadores que atuam no arrasto de praia já começou a gerar debates na categoria. Parte do setor e o governo do estado são contra a fixação de cotas, no entendimento de que elas prejudicam os trabalhadores artesanais e recaem somente para os pescadores de SC. A luta pela “cota livre” deve seguir nos próximos meses junto ao governo federal.
O biólogo da Secretaria Nacional da Pesca Artesanal, Leonardo Pinheiro, diz que o Ministério da Pesca investe na geração de dados pra embasar as decisões. Segundo ele, com a nova atualização da avaliação de estoque da tainha foi possível conhecer os parâmetros que dão o norte para a gestão.
A demanda de aumento é de todos os setores, para garantir uma captura mais rentável. “A pesquisa fez com que os valores que a gente tem de limite, para fazer a partilha das cotas, fosse alterado. Então, essa alteração possibilita ter um aumento da cota para todas as possibilidades, mas que ainda vai ser definido”, ressaltou.
Até a apresentação dos estudos e da proposta de cotas pra 2026, Leonardo lembra que foram 20 reuniões e diversas visitas técnicas nos cinco estados que pescam tainha, entre Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, SC, São Paulo e Paraná. Uma das reuniões foi em Itajaí, com representantes do setor.
Avaliação de estoque
A pesquisa do estoque de tainha nas regiões sul e sudeste do Brasil foi feita em convênio do Ministério da Pesca com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
De acordo com o professor do Instituto do Mar, da Unifesp, e coordenador científico da pesquisa, Bruno Mourato, foram usados métodos modernos de modelagem. “A pesquisa incluiu modelos estruturados por idade e modelos de produção, além de análises de incerteza para estimar o tamanho do estoque, seus níveis de exploração e parâmetros essenciais para a gestão pesqueira”, destaca.
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Conforme o governo federal, os resultados são fundamentais pra embasar as discussões sobre a definição da safra da tainha em 2026. “Essas informações permitem ao MPA e aos comitês de gestão estabelecer limites de captura, períodos de safra, regras de gestão e medidas de conservação baseadas em evidências”, explica o ministério.
Safra 2026 – proposta
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690 toneladas pra modalidade cerco/traineira (industrial)
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1196 toneladas pra modalidade de emalhe anilhado (artesanal)
1265 toneladas pra modalidade arrasto de praia (artesanal)
1984 toneladas pra modalidade de emalhe costeiro de superfície
2645 toneladas pra captura no estuário da Lagoa dos Patos