BALNEÁRIO CAMBORIÚ

Prefeitura diz não ter espaço para abrigar indígenas na temporada

Ação judicial do MPF exige local com água e estrutura básica para 250 pessoas durante a temporada

Indígenas buscam o litoral todos os verões para vender artesanato (Foto: Divulgação/MPF)
Indígenas buscam o litoral todos os verões para vender artesanato (Foto: Divulgação/MPF)
miniatura galeria
miniatura galeria

A Prefeitura de Balneário Camboriú informou ao DIARINHO que já comunicou ao Ministério Público Federal (MPF) sobre a falta de áreas disponíveis para abrigar as famílias indígenas que vêm à cidade durante o verão para vender artesanato.

O caso faz parte de ação judicial em que o MPF cobra do município, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da União a criação de um espaço digno de acolhimento para os povos Guarani, Kaingang e Xokleng que tradicionalmente passam a temporada no litoral.

Continua depois da publicidade

Segundo a prefeitura, como não há terrenos públicos próprios para receber as famílias, a secretaria de Assistência Social, Mulher e Família vai reunir as cidades vizinhas para buscar uma solução conjunta. O município argumenta que os indígenas não se concentram apenas em Balneário Camboriú, mas circulam entre diferentes cidades da região.

A reunião deve acontecer nas próximas semanas. A administração diz que o trabalho será feito com respeito aos costumes e tradições indígenas e que o resultado das discussões será informado ao MPF e anexado ao processo judicial.

Entenda o caso

O MPF entrou com uma ação civil pública contra o município de Balneário Camboriú, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a União, pedindo que seja garantido um local digno de acolhimento para os grupos indígenas que viajam ao litoral catarinense todos os anos para vender artesanato.

A solicitação é para que o espaço seja oferecido já a partir de dezembro deste ano, permanecendo disponível até março de 2026. O Ministério Público pede que o local tenha água potável, banheiros, cozinha e dormitórios, com capacidade para até 250 pessoas.

De acordo com o MPF, os grupos Guarani, Kaingang e Xokleng fazem esse deslocamento sazonal desde a década de 1980, vindo de comunidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A prática faz parte da tradição cultural e econômica desses povos e envolve famílias inteiras — incluindo crianças e idosos — que dependem da venda de artesanato para complementar a renda.

 

Ação do MPF pede plano permanente

Continua depois da publicidade

MPF quer garantia de saneamento e segurança para os indígenas
MPF quer garantia de saneamento e segurança para os indígenas

 

O MPF afirma que, apesar de o fluxo acontecer há quase 40 anos, Balneário Camboriú nunca estruturou um plano permanente de acolhimento. Em anos anteriores, os locais improvisados oferecidos não tinham condições básicas de saneamento, segurança ou conforto.

O procurador da República Anderson Lodetti de Oliveira, autor da ação, disse que o município foi cobrado várias vezes para apresentar uma solução definitiva, mas até agora nada foi implementado.

Continua depois da publicidade

Em 2021, segundo o MPF, os indígenas chegaram a ser abrigados em um prédio usado como igreja, que também acolhia pessoas em situação de rua e usuários de drogas, o que foi considerado inseguro, especialmente para mulheres e crianças.

Na ação judicial, o MPF cobra que a prefeitura, a Funai e a União criem um plano permanente de acolhimento para os períodos de verão. O documento também pede que o espaço tenha manutenção constante e ofereça assistência médica e social durante toda a estadia das famílias indígenas.

O Ministério Público quer ainda que o abrigo tenha servidores da Funai e da União acompanhando as demandas dos grupos indígenas, com atendimento contínuo e encaminhamento de pedidos aos órgãos públicos competentes.

Continua depois da publicidade

 



WhatsAPP DIARINHO


Conteúdo Patrocinado



Comentários:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Clique aqui para fazer o seu cadastro.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.


Envie seu recado

Através deste formuário, você pode entrar em contato com a redação do DIARINHO.

×






216.73.216.86


TV DIARINHO


🚧 OBRA DE VOLTA | Depois de anos abandonado, o Complexo de Segurança Pública de Itajaí voltou a ter ...



Especiais

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Eleições 2026

Congresso “inimigo do povo” muda o tom e promete “entregas concretas”

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

Cão Orelha

Porque violência contra animais cresce em grupos online de adolescentes

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

BANCO MASTER

BRB, rombo bilionário e a questão: o que Ibaneis Rocha tem a ver com crise do Banco Master

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Colonialismo de dados

Especialista explica o que querem os donos das big techs

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil

Microbolsas

Vamos investigar o lobby das Big Techs pelo Brasil



Blogs

O exemplo tem de ser dado pela Prefeitura

Blog do Magru

O exemplo tem de ser dado pela Prefeitura

Carnaval hoje no Itamirim

Blog da Jackie

Carnaval hoje no Itamirim

De pai para filho

Blog do JC

De pai para filho

Falha Poética nº 5

VersoLuz

Falha Poética nº 5



Diz aí

"Itajaí aparece próxima de 700 mil habitantes, dentro de um arco metropolitano de cerca de 2,5 milhões de pessoas"

Diz aí, João Paulo!

"Itajaí aparece próxima de 700 mil habitantes, dentro de um arco metropolitano de cerca de 2,5 milhões de pessoas"

“Eu virei turista com a Tante [Lolli] e gostei da profissão”

DIZ AÍ, Dagoberto!

“Eu virei turista com a Tante [Lolli] e gostei da profissão”

“O feminicídio acontece simplesmente pelo fato de a mulher ser mulher”

Diz aí, Regina!

“O feminicídio acontece simplesmente pelo fato de a mulher ser mulher”

“Os preceitos e princípios bíblicos são muito mais inclinados para a direita”

Diz aí, pastor!

“Os preceitos e princípios bíblicos são muito mais inclinados para a direita”

“O hospital foi feito para atender 120 mil, 100 mil habitantes e hoje ele atende num raio de um milhão, um milhão e meio de pessoas”

Diz aí, Juliana!

“O hospital foi feito para atender 120 mil, 100 mil habitantes e hoje ele atende num raio de um milhão, um milhão e meio de pessoas”



Hoje nas bancas

Capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.